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Há dez anos que a AIPA “cria pontes e luta contra o racismo nos Açores”

Paulo MendesHá dez anos que a Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA) trabalha para “criar pontes entre pessoas e culturas”, um trabalho que o presidente da instituição considera ter contribuído para diminuir o racismo nas ilhas.
“Durante estes dez anos penso que não será exagero afirmar que muito do trabalho que nós temos vindo a desenvolver tem de facto contribuído para uma percepção política e social da imigração”, afirmou à Lusa o presidente da AIPA, Paulo Mendes, alegando que o diálogo intercultural, a discriminação racial e outros temas associados à imigração ganharam “mais visibilidade e aceitação”.
A AIPA foi fundada em Março de 2003, na ilha de S. Miguel, por um grupo de imigrantes e não imigrantes com o objectivo de contribuir para a integração social dos estrangeiros na sociedade açoriana, promover a dignificação e igualdade de oportunidades, direitos e deveres e formação de uma opinião pública positiva, face ao fenómeno da imigração.
Para o cabo-verdiano Paulo Mendes, que veio para S. Miguel para a Universidade dos Açores e acabou por ficar, o resultado do trabalho da associação é “bastante positivo”, embora haja “ainda muito para fazer”.
“Há uma sensibilidade muito grande nos Açores em relação à questão da imigração e essa sensibilização foi muito feita com base na emergência da AIPA e no trabalho que nós temos vindo a desenvolver. Agora há ainda muita coisa que é preciso fazer, mas estamos orgulhosos do nosso percurso”, sustentou.
A AIPA está fisicamente presente em três das nove ilhas açorianas, S. Miguel, Terceira e Faial, sendo que ao longo de dez anos foram atendidas nos centros de Ponta Delgada e Angra do Heroísmo mais de cinco mil imigrantes.
“Os imigrantes, quando chegam à região, sabem que podem contar com o nosso apoio. Nem sempre conseguimos dar uma resposta satisfatória, mas durante estes dez anos ninguém ficou sem ter uma resposta”, disse Paulo Mendes.
Nos Açores residem mais de 4.000 imigrantes, o que representa cerca de 3% da população do arquipélago, distribuídos pelas nove ilhas e provenientes de 80 nacionalidades, com destaque para Cabo Verde, Brasil, Angola e países do leste europeu.
A AIPA conta com mais de mil sócios, entre imigrantes e não imigrantes, o que Paulo Mendes considera “extremamente positivo”, dado o esforço da actual direcção para “não guetizar” a sua acção.
“A nossa intenção nunca foi tentar dar respostas fechadas. Sempre que possível encaminhamos os imigrantes para as estruturas que existem para todas as pessoas e quando as respostas públicas não incluem os imigrantes tentamos fazer um esforço para que essas respostas os passem a incluir”, referiu Paulo Mendes.
Segundo disse, a boa aceitação da imigração nos Açores deve-se em parte a muitos açorianos terem emigrado, sobretudo para os Estados Unidos da América, no século XX.
A visibilidade da AIPA nos Açores deve-se, em boa parte, às iniciativas culturais que promove e que já fazem parte dos eventos anuais da região, tal como o festival “O Mundo aqui” e o festival internacional de cinema sobre migrações e dialogo intercultural “Panazorean”, entre outras actividades.
Para celebrar dez anos de actividade, a AIPA está a preparar uma noite cultural, que decorrerá em Ponta Delgada antes do verão e onde serão homenageadas pessoas singulares e colectivas pelo apoio e contributo que têm dado à associação.