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Dormidas aumentam no mês de Março, mas balanço é negativo

turismo aeroportoNo mês de Março, os Açores registaram um aumento de 5,9% no número de dormidas em relação ao ano anterior, embora em termos acumulados o resultado continue negativo, com uma descida de 1,72%. 
Os resultados de Março podem ser encarados de forma positiva, embora na realidade o ano de 2012 tenha sido o pior desde pelo menos 2007 e o resultado de 2013 continue abaixo de todos os anos à excepção de 2012. Quanto ao valor acumulado, este período continua a ser o pior desde 2007.
Podia, no entanto, ter sido pior. É que em relação a Março, a descida de 12,9% nas dormidas nacionais foi compensada por um aumento de 37,4% no número de dormidas por estrangeiros, e no período de Janeiro a Março, a descida de 11,2% de portugueses foi compensada com um aumento de 13,7% de estrangeiros.
Os proveitos dos hoteleiros melhoraram 2,3% em Março, embora no trimestre registem uma quebra de 4,5%. De novo no caso de Março, é o pior valor desde 2007, à excepção do ano passado, enquanto que no trimestre é o pior resultado desde 2007.
Os resultados regionais continuam a ser muito diferentes dos nacionais, em que em Março houve um aumento de 14% no número de dormidas e de 9,5% nos proveitos, e no trimestre um aumento de 6% nas dormidas e de 3,6% dos proveitos.

A reacção do Governo

Segundo o GACS, o Secretário Regional do Turismo e Transportes afirmou que “o trabalho de promoção turística não é um trabalho imediato”, frisando que se trata de “um trabalho continuado, que leva tempo a obter resultados”. Vítor Fraga, que intervinha num debate sobre o turismo nos Açores, na Assembleia Legislativa, lembrou que, ao longo dos anos, “tem vindo a ser efectuado um trabalho ao nível da promoção turística que tem dado resultados, na medida em que tem sido um trabalho sustentado”.
“Numa referência aos números divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores, Vítor Fraga revelou que, no mês de Março, verificou-se uma inversão na tendência de decréscimo que se tem verificado, tendo havido um crescimento no número de dormidas de 6,3 por cento”, para o qual contribuiu fortemente o crescimento de 37,4 por cento verificado nas dormidas com origem no estrangeiro. Assim, frisou o Secretário Regional, a consolidação da promoção que tem sido feita no mercado externo tem tido bons resultados”. No que se refere ao mercado nacional, Vítor Fraga admitiu que “existe um problema, defendendo a necessidade de encarar os problemas de frente, uma vez que este mercado tem uma importância de 43 por cento no volume de turistas”. “Os nichos de mercado que nos visitavam deixaram de ter capacidade económica para o fazer”, afirmou, acrescentando que, “se as pessoas deixaram de ter dinheiro, temos que ir buscar outras que nos possam visitar”. E “tendo em conta esta realidade, a aposta foi direccionada para um segmento de mercado de famílias, com idades compreendidas entre 35 e 45 anos, com crianças, que têm poder de compra e valorizam um turismo de natureza, não só contemplativa mas activa e experiencial”.

Das Wunder

O aparente milagre tem um nome: “Wunder”, que é a sua tradução em alemão! Com um total de cerca de 10 mil dormidas em Março, os alemães representam 38% do total de estrangeiros neste mês, e de quase 40% no trimestre. O que representa um aumento de 135% em Março e 70% no trimestre.
O mercado espanhol também está a dar bons resultados, representando 15% do total de estrangeiros em Março e quase 11% no trimestre. Foram sobretudo estas duas nacionalidades que conseguiram colmatar a quebra de cerca de 60% verificada nos países nórdicos, que neste momento representam no seu conjunto apenas 14% do total de estrangeiros
Mas não é a primeira vez que os Açores assistem a crescimentos significativos nas dormidas de determinadas nacionalidades, apenas para alguns anos depois perderem esses nichos de mercado. E a pergunta mais correcta será se a Região terá capacidades desta vez para segurar tanto os alemães como os espanhóis. E a resposta, aparentemente, é que não se percebe como, uma vez que não é visível qualquer evolução ao nível da qualidade da oferta no sentido de agradar aos novos potenciais nichos.

Problemas nos Trilhos...

Um dos problemas da qualidade do destino pode ser exemplificado com o que se passa com os trilhos pedestres, um dos produtos mais importantes ao nível do turismo activo de meia idade e que tem sido fortemente promovido no estrangeiro.
Segundo o GACS, o Director Regional do Turismo realçou ontem que “é necessário assegurar a qualidade da rede regional de trilhos pedestres, quer do ponto de vista paisagístico e ambiental, quer do ponto de vista da segurança”.
João Bettencourt, em declarações aos jornalistas à margem da reunião da Comissão de Acompanhamento dos Percursos Pedestres, salientou que está a ser feito “o ponto de situação da rede regional de trilhos pedestres, já que o inverno rigoroso provocou derrocadas em alguns trilhos, originando o seu encerramento, o que obriga a uma alteração em alguns desses percursos”.
Segundo o Diretor Regional, há um “esforço conjunto dos departamentos de Turismo e Ambiente do Governo Regional dos Açores no sentido de se fazer a respectiva manutenção e reabrir alguns desses trilhos para os turistas que visitam a Região, nomeadamente na ilha de São Miguel, onde existem mais caminhos pedestres”.
João Bettencourt referiu ainda que a reunião de ontem podia “decidir também o encerramento definitivo de alguns trilhos que não reúnem as devidas condições de segurança, seja porque foram cortados pelas obras das SCUT ou porque estão próximos de outros trilhos e deveriam ser ligados num só percurso”... Do tempo das Scuts?
Aliás, as mexidas são tantas que o site oficial dos trilhos está suspenso, “estimando-se que, até final deste mês, seja possível disponibilizar uma nova versão deste sítio na Internet, com uma nova imagem, nova informação e a garantia de uma atualização constante”.
Até agora existia cerca de uma centena de trilhos homologados nos Açores, embora surgissem inúmeras queixas sobre a sua qualidade efectiva, nomeadamente sobre a capacidade de os gerir convenientemente.
“O Governo Regional dos Açores considera que o pedestrianismo é um produto fundamental, não só para os turistas, mas também para os açorianos que gostam de passeios pedestres”, salientou João Bettencourt.
Mas será mesmo?!?  MM