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EasyJet não voará para os Açores com a proposta de serviço público açoriana

EasyjetTudo indica que a Easy Jet não deverá voar para os Açores no próximo ano, pelo menos a ter em conta as declarações que tem vindo a prestar, desde logo devido a uma situação de base: a rota entre Ponta Delgada e Lisboa continuará a existir em termos de obrigações de serviço público e a empresa já declarou várias vezes que não pode operar em mercados protegidos pelo que chama de “restrições  impostas pela prestação de serviço público”. Ponta Delgada seria, de resto, a única rota com interesse para a empresa e, mesmo assim, apenas para uma parte das necessidades.
Segundo declarações ao jornal Público, o director comercial da companhia, José Lopes, assumiu o seguinte cenário: “ao longo de um ano, um voo diário, a oferta seria de 110 mil lugares”. Ao Grupo de Trabalho, a EasyJet também já tinha garantido que não faz transporte de mercadoria (apenas as bagagens dos passageiros) e que teria de operar acima dos 85% de lotação média.
Isso, no entanto, talvez não fosse difícil: os 100 mil lugares que a empresa diz que disponibilizaria correspondem sensivelmente a metade das necessidades, o que iria estrangular a procura. No ano de 2012 o Aeroporto de Ponta Delgada registou cerca de 200 mil embarques em voos territoriais, sendo a esmagadora maioria para Lisboa – ou seja, num valor muito acima dos 100 mil lugares da EasyJet. E com apenas 1 voo por dia, é óbvio que o mercado ficaria fortemente penalizado.
Neste momento a SATA e a TAP operam todas as rotas dos Açores (Ponta Delgada, Santa Maria, Lajes, Horta e Pico) em regime de code-share. O contrato actual termina em Dezembro de 2013.
A EasyJet opera para a Madeira, mas as ligações entre o Funchal e o continente estão liberalizadas, sendo apenas aplicado um subsídio de mobilidade aos utentes que sejam residentes. No caso açoriano esse modelo não faz parte da proposta regional, que neste momento está a ser estudada por um grupo de trabalho, com um representante do INAC, do Ministério da Economia e da Secretaria Regional dos Transportes.
A EasyJet teve em 2011 para a Madeira um volume de tráfego superior a 200.000 passageiros (equivalente ao mercado total territorial de Ponta Delgada), com uma taxa de ocupação média entre 80 e 85%. Os preços das tarifas têm uma média de 60 euros, podendo atingir aos 250 euros em épocas de grande procura, como por exemplo a Páscoa. A EasyJet opera em Portugal desde 1998 nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e Madeira.
Já na audiência com a Assembleia da República, percebia-se que o seu interesse era muito relativo.
“Nos Açores, por não existir um modelo liberalizado, a estrutura de preços está mais preparada para uma companhia de bandeira mas, se o modelo passar a ser orientado para uma liberalização semelhante ao da Madeira, será equacionada a sua viabilidade”, disse a comitiva, que era composta por Javier Gandara (Diretor Ibérico), José Lopes (Diretor Comercial em Portugal) e Domingas Carvalhosa (representante da empresa no País). E foram logo apontadas as limitações: “a rentabilidade é essencial para companhias nos moldes da EASYJET e se for rentável operar nos Açores fá-lo-emos, mas a nossa estrutura eficiente e política de custos reduzidos não o permite ainda”.
Segundo o relatório, “EASYJET afirmou que a rentabilidade em 2011 tinha sido boa, de cerca de 4%, porque a companhia é eficiente. Quanto ao transporte de cargas, referiu que apenas transporta as malas dos passageiros e que têm pouco espaço livre, para além de que só podem utilizar os aeroportos por 2 horas em cada dia devido aos seus custos. Quanto à venda de pacotes de viagens, disse que não estava previsto para a Madeira ou para qualquer outra rota, pois era uma opção que trazia prejuízos à empresa.”