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Número de desempregados passa pela 1ª vez a barreira dos 21 mil...

desemprego2O número de desempregados nos Açores ultrapassou pela primeira vez a barreira dos 21 mil, o que resultou numa taxa de desemprego de 17,6%, que no 3º trimestre do ano foi superior à média nacional, que baixou para os 15,6%, sendo a segunda pior por regiões, ficando apenas abaixo dos 17,9% de Lisboa.
Trata-se de um aumento de 13% em relação ao 2º trimestre de 2013, e de 15,8% em relação ao trimestre homólogo.
O número de empregos aumentou 0,8% em relação ao 2º trimestre, mas baixou 2% em relação ao período homólogo. Na verdade, o número de empregos neste momento é um dos mais baixos da década: é o 4º pior desde 2003 (40 semestres), remetendo o emprego para níveis de 2001. O problema é que naquela altura a população activa era de apenas 105 mil pessoas, enquanto que neste momento atingiu os 121.899, que é o mais elevado de sempre: o número de activos aumentou 2,7% em relação ao 2º trimestre, embora apenas 0,75% em relação do período homólogo.
O mais curioso, no entanto, acabou por ser as reacções oficiais. A nota do GACS tem o título de “Aumento da população ativa supera o crescimento do emprego, afirma Sérgio Ávila”.
A nota refere que “o aumento da população empregada foi acompanhado, no último trimestre, por um crescimento muito acentuado dos açorianos que passaram a demonstrar intenção de entrar no mercado de trabalho”. E Sérgio Ávila refere que “é esta a razão da taxa de desemprego nos Açores ser superior à nacional, o que não significa um menor dinamismo económico regional relativamente ao resto do país, muito pelo contrário. “Está associada, sim, a um aumento da população ativa, ou seja, com mais pessoas a chegarem ao mercado de trabalho”,  acrescentando que “se a população ativa se tivesse mantido no último trimestre, a taxa de desemprego nos Açores teria descido para 14,5%”...
Pois teria, mas só em teoria, porque se o número de desempregados fosse calculado com base na população activa do 2º trimestre, o valor seria de 15,5%, e não de 14,5%, como refere o Vice. E se fosse com base no valor do trimestre homólogo, ol valor seria de 17%.
A questão é que raramente estes valores podem ser encarados assim, pois o conceito de desemprego está intimamente ligado ao valor da população activa existente no mesmo momento.
Mas apesar disso, a posição oficial também foi repetida pela deputada do PS, Graça Silva, que era uma das mais conhecidas sindicalistas dos Açores.  “Os dados hoje divulgados pelo INE registaram pelo segundo semestre consecutivo um aumento da população empregada nos Açores”, e realça o “aumento muito acentuado da intenção dos açorianos, mais 3.252 pessoas, de ingressarem no mercado de trabalho, nos últimos três meses”. E voltou a assinalar “o facto de a Região registar o valor mais alto de sempre de população ativa no arquipélago, 121.899 pessoas”.
Poderá ser outro lapso de língua, mas não há um “um aumento da população empregada por um segundo semestre consecutivo”, mas apenas 1. E a verdade é que do 3º para o 2º trimestre, o crescimento foi muito inferior ao verificado entre o 2º e o 1º trimestre.