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“No mês de Junho já tinha cumprido aquele que era o nosso objectivo de vendas para o primeiro ano”

Abel CarreiroAos 50 anos de idade, o conhecido empresário micaelense Abel Carreiro decidiu abraçar um novo projecto que o levou até ao mercado das motos. A Ride4Ever abriu portas em Janeiro deste ano e, até ao momento, já superou todas as perspectivas iniciais. Abel Carreiro fala como tem corrido este novo desafio que, diz, está longe de estar terminado.

 

Diário dos Açores – Como nasceu a Ride4Ever?

Abel Carreiro – A Ride4Ever nasceu no final de 2017 quase em tempo recorde. Eu já estava ligado à marca KTM há alguns anos, por via do meu filho que corre com motos da marca desde os seis anos, e ao longo destes anos foi-se estabelecendo uma relação de confiança e até de alguma amizade entre nós e o importador da marca. No final de 2017, o importador da marca decidiu alterar a forma da sua representação nos Açores e lançou-me o desafio de eu ficar com esta responsabilidade. Eu sempre estive ligado às motas, embora o meu passado desportivo seja ligado aos carros. No entanto, a verdade é que sempre andei de mota, e havendo consenso familiar, nos finais de Outubro decidi abraçar e avançar com este projecto. Foi uma decisão tomada em praticamente 15 dias.

Comecei imediatamente a trabalhar, tentei rodear-me das condições que considerava não as ideais, mas as mínimas para avançar e assim foi. A 12 Janeiro de 2018 abri portas com as marcas KTM e Husqvarna que são marcas premium e de referência no todo-o-terreno em todo o mundo e que de há alguns anos para cá também se têm vindo a dedicar ao asfalto. Recorde-se que a KTM tem ganho o Dakar nos últimos 18 anos, está nas pistas na Moto3 e Moto2 a lutar pelos campeonatos e no MotoGP tem vindo a fazer o seu caminho sempre com o objectivo de ganhar. Vence no Motocross e no Hard Enduro em todo o mundo… Ou seja, são, de facto, marcas de referência às quais estava até sentimentalmente ligado. Isso das marcas das motos até é giro, porque existe um certo clubismo, um pouco como há no futebol.

Muito antes de imaginar que um dia poderia ser concessionário da KTM e da Husqvarna, ao longo da minha vida já tinha tido três Husqvarna e 4 KTM. Também tive Zundap, Yamaha, Honda e Kawasaki, mas a KTM e a Husqvarna são marcas que me dizem muito. O meu filho sempre correu de KTM e já lá vão 12 anos.

Com esta ligação temos estado a fazer o nosso trabalho de reimplantação das marcas no mercado açoriano. A Husqvarna não tinha concessionário nos Açores há cerca de 8 anos e a KTM quis apostar num outro concessionário.

 

Quem procura a Ride4Ever o que encontra?

AC – Procuramos ter uma gama que permita ao nosso cliente encontrar aquilo que precisa. Quando abri a empresa, impus-me uma regra que tenho tentando manter e que passa por não trabalhar marcas que já estavam presentes no nosso mercado. Achei que não fazia sentido. Apostamos muito no serviço de pós-venda, na oficina. Tenho a trabalhar comigo Manuel Martins que é reconhecidamente um dos melhores mecânicos de motos dos Açores. Adquirimos equipamento, que é único nos Açores, ao nível do diagnóstico electrónico multimarca, o que nos permite trabalhar em motos de praticamente todas as marcas. A este respeito refiro que desde que abrimos já reparamos algumas motos que estavam paradas há meses. Estou a lembrar-me de uma BMW que estava parada há quase dois anos porque não havia condições técnicas na ilha para trabalhar na moto. É com orgulho que digo que passados dois dias, o cliente já tinha a sua moto a trabalhar de forma impecável.

De facto, foi uma aposta muito grande que levei a cabo no serviço pós-venda e na qualidade e na limpeza do trabalho que é feito na oficina.

Na loja temos uma gama normal de produtos que se encontram em qualquer estabelecimento deste género, como é o caso de equipamentos, botas, capacetes, pneus, lubrificantes, todo o merchandising KTM e Husqvarna, como é o caso das roupas e equipamentos destas marcas, fatos da Bering ou botas da Sidi. Optei por esta gama de produtos porque tive noção que o cliente que, em São Miguel, procurava adquirir equipamento e material de gama alta média e média alta não encontrava o que procurava. Quem se dedica a esta actividade focou-se em gamas mais económicas, porventura também a pedido dos clientes, mas quem queria comprar um bom fato, um bom capacete ou umas boas botas não tinha hipóteses cá na ilha. As pessoas acabavam por comprar online, o que nem sempre dá bom resultado, porque o tamanho pode não ser o acertado, a fazenda do fato não correspondia ao esperado, etc. Paralelamente a isso, é preciso também não esquecer que na internet há muita falsificação. Aparecem produtos a preços muito mais baixos, que são vendidos como se fossem topo de gama. É preciso ter cuidado com isso, porque também há à venda material furtado, outros com defeito ou simplesmente falsificado. Muito do que aparece na internet não é legítimo.

 

Abriu em Janeiro deste ano, até ao momento qual o balanço que faz da sua actividade?

AC – Tem sido uma experiência totalmente nova. Tenho 50 anos, ao longo de mais 20 anos estive dedicado em exclusivo à sociedade de mediação de seguros da família, há cerca de dois anos mudei radicalmente de vida e arranquei com o projecto de uma rent-a-car, em sociedade com Vítor Ferreira, e que tem corrido muito bem. Entretanto, o ano passado avancei com mais este novo projecto da Ride4Ever e o balanço tem sido muito positivo.

Não deixa de ser engraçado para mim, nesta fase da minha vida, dar uma volta completa e começar a fazer coisas novas. Fui trabalhar para uma área onde me sinto muito confortável, e quem me conhece sabe que é verdade, e passados uns meses posso afirmar que tem corrido francamente bem. No passado mês de Junho já tinha cumprido aquele que era o nosso objectivo de vendas para o primeiro ano. Ou seja, estamos neste momento muito confortáveis e acima daquela que tinha sido a nossa perspectiva antes do arranque da empresa.

Em número de unidades, por exemplo, em meados de Junho já tínhamos vendido o que eu tinha como objectivo para 2018. Em mão-de-obra, “fechamos o ano” em termos de objectivos em meados de Julho. No que diz respeito a pneus, ultrapassamos todas as perspectivas. Esta, aliás, foi a minha maior surpresa. Temos, neste momento, centenas de pneus vendidos, isto porque conseguimos trabalhar muito bem com os fornecedores, e isto tem-nos permitido ter um posicionamento muito competitivo no mercado. O facto também de termos o equipamento no pós-venda, em termos de calibragem de rodas, também tem sido uma mais-valia. Temos crescido muito nesta área, sendo também a área que mais nos identificamos.

 

E há ainda novos projectos? Novas ideias para levar a cabo?

AC – O projecto Ride4Ever não está de forma alguma terminado, eu diria que só agora está a começar. Temos um período inicial de cerca de dois anos para a instalação, que será para se manter nos moldes actuais. Actualmente não ando numa procura activa de mais representadas, ou outra coisa qualquer. Entendo que o que tenho agora, já é bastante. Também ainda estou num processo de aprendizagem do negócio. Giro os meus próprios negócios desde 1991, altura em que, com 21 anos, criei a minha primeira empresa, e é claro que há critérios de gestão que são comuns a qualquer negócio, independentemente do tipo de produto, contudo, há especificidades próprias e, neste caso em particular, ainda estou numa fase inicial e a aprender. Tenho tido um grande apoio do Manuel Martins que, ao contrário de mim, fez toda a sua vida nesta área e tem sido uma ajuda preciosa em momentos de dúvida ou na composição e escolha de stocks. O Manuel Martins para além de ser o responsável técnico da empresa, tem sido uma grande ajuda.

Não tenho qualquer dúvida que este projecto vai crescer, e a forma como a empresa se comportou nestes meses iniciais, incentiva-me para isso. No entanto sem pressa, mas sem pausa, como dizem os espanhóis.

 

No que concerne à oferta, onde está a sua maior aposta?

AC – Temos neste momento dois grandes desafios. O primeiro passa pela reabilitação da marca KTM no mercado açoriano enquanto marca premium e de topo. Também nesse âmbito o outro desafio passa pela divulgação da informação de que quer a KTM, quer a Husqvarna têm uma ampla gama de motos de estrada. Tradicionalmente, à marca KTM associa-se, por força dos seus títulos e vitórias no Dakar, muito à terra, ao pó, ao Dakar e ao motocross e, sendo motos fantásticas nesta área a verdade é que a KTM ao longo dos últimos 8/9 anos veio para a estrada com motos fantásticas, com toda a gama Duke e Super Adventure, e foi a precursora de um segmento que hoje em dia está a explodir que é o das Big Trailers, motos de aventura e de grande cilindrada, de viagem, com configuração a fazer lembrar o Dakar e essa é, de facto, uma área que temos que dar a conhecer ao público. A KTM é muito mais do que Enduro e Motocross. 

É com orgulho que refiro que nestes poucos meses de actividade da Ride4Ever já colocamos em São Miguel e na Terceira toda a gama KTM de estrada. Os amantes destas marcas tiveram a possibilidade de experimentar, de conhecer, de ver e mexer em todas as motos da gama da KTM que era algo que nunca tinha existido cá.

É uma grande aposta que faço e que pretendo fazer que é ter sempre motos matriculadas para teste raid porque eu quero que os clientes andem nestas motos.

 

Estava à espera deste sucesso imediato logo nos primeiros meses de actividade da empresa?

AC – Ainda é cedo para se falar em sucesso, prefiro considerar que o lançamento da empresa está a correr bem. Os números estão agradáveis…

 

Era o que estava à espera?

AC – Honestamente não sei do que estava à espera. Sabia que ia tentar fazer um trabalho bem feito e acreditava que tinha que dar tempo ao tempo para o tempo fazer o seu trabalho. Ou seja, não podia chegar de novo ao mercado e não poderia ter, de maneira alguma, a pretensão, até porque seria pouco inteligente da minha parte, de acreditar que o mercado me ia cair nos braços. O que acreditei, continuo a acreditar e os factos estão a dar-me razão, é que há espaço para uma prestação de serviços na área das motos diferente daquele que tem vindo a ser proporcionado nos Açores. Isso não é ser pretensioso, mas também não é ter falsas modéstias. De facto, estamos a fazer as coisas de uma forma diferente e sendo diferente focamo-nos em objectivos e em propósitos que todos os dias são relembrados e onde estamos a ter um feed-back muito agradável.

 

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