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Crise sísmica em São Miguel pode continuar nas próximas semanas

LagoaCongro2A Terra voltou a tremer três vezes nos Açores, desta feita entre as 05h00 e as 06h00 de ontem, perto da localidade de S. Brás, na ilha de São Miguel.
A actividade sísmica que se registou de baixa intensidade (2.8 na escala de Richter), não foi sentida pela população.
No entanto, desde o passado mês de Setembro que se tem assistido a vários sismos no Grupo Oriental. Um fenómeno que tem preocupado tanto os sismólogos como a população em geral.
João Luís Gaspar, especialista em Vulcanologia na Universidade dos Açores, afirma que esta é uma crise sísmica que se iniciou no dia 15 de Setembro na parte central da ilha de São Miguel, numa faixa conhecida como Fogo-Congro.
“Os epicentros estendem-se numa área relativamente vasta que abrange a costa norte desde a Ribeira Grande até à freguesia da Maia, enquanto na costa sul, tem-se vindo a registar actividade sísmica na Lagoa, Vila Franca do Campo e Ponta Garça”, refere.
Contudo, apesar de terem sido registados até à data vários sismos e micro-sismos de baixa magnitude (inferiores a 2 - Richter), “alguns sismos [foram] registados no penúltimo fim-de-semana”, afirma.
João Luís Gaspar entende que esse novo “ciclo de libertação de energia” se irá desenrolar nas próximas semanas, de tal modo que, junto com o Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores, estão a ser emitidas recomendações, em particular nas zonas em alerta, para que sejam tomadas as precauções.
A estrutura do Fogo-Congro é uma das mais importantes áreas sísmicas do arquipélago, já que ali se acumulam pressões entre as placas litosféricas Euroasiática, Africana e Americana, prolongando-se desde o leste de Santa Maria, de uma zona conhecida como Falha de Glória que atravessa todo o arquipélago nos grupos oriental central até à Crista Médio-Atlântica, que passa a oeste da Graciosa e do Faial.
Estas crises sísmicas são, portanto, uma situação recorrente, pois esse sistema regista actividade mesmo em períodos considerados calmos. Como, aparentemente, é o presente.

PS/Açores compromete-se a manter luta pelas quotas leiteiras garante Berto Messias...

berto-messiasO líder do Grupo Parlamentar do PS/Açores reafirmou, esta segunda-feira, a defesa das quotas leiteiras e comprometeu-se a desenvolver todos os esforços políticos para que se mantenha este regime que protege a produção de leite açoriana.
Após uma reunião com a Associação Agrícola da Ilha Terceira, Berto Messias defendeu que o fim das quotas de produção de leite não deve ser, ainda, encarado como uma inevitabilidade, apesar do anúncio do desmantelamento deste regime em 2015.
“Acreditamos que é possível o seu adiamento”, afirmou Berto Messias aos jornalistas, ao adiantar que, no pior cenário, os produtores de leite dos Açores devem ter acesso a medidas transitórias e de compensação que tenham em conta as especificidades e o peso da produção de leite no arquipélago.
“Sabemos que, nesta área, estamos sujeitos a grandes indefinições devido à iminência do fim do regime de quotas, mas reitero que o sistema de quotas é o que melhor defende uma Região com limitação natural da sua área. Na possível extinção, cada vez mais provável, do regime de quotas, defendemos o adiamento do desmantelamento por um período de 5 a 10 anos, a criação de medidas de regulação do mercado que visem equilibrar a oferta e a procura, o reforço de incentivos à diversificação dos produtos lácteos para a conquista de novos mercados, apoiados em estratégias de marketing e valorização dos produtos, e o reforço do envelope financeiro do Posei/Açores, designadamente nas medidas especificas de apoio às explorações de leite, nomeadamente o prémio aos produtos lácteos e vacas leiteiras”, afirmou Berto Messias, na reunião com os dirigentes associativos agrícolas da Terceira.
Messias disse ainda que, “apesar de defendermos sempre o regime de quotas, temos, porém, a obrigação e a responsabilidade de ter a lucidez de perspectivar o dia seguinte, na possibilidade da União Europeia terminar com este regime”.
Anunciou também que, a curto prazo, vai decorrer uma reunião de trabalho com os deputados europeus Capoulas Santos e Luís Paulo Alves, tendo em conta as responsabilidades que estes têm na reforma da Politica Agricola Comum e nas perspectivas futuras deste sector na Europa.
Berto Messias recordou, também, que o Grupo Parlamentar do PS/Açores já criou um Grupo de Trabalho que ouviu todos os intervenientes no sector agrícola regional e que culminou com a apresentação, no Parlamento, de um relatório sobre matéria de interesse regional.
Este documento foi, ainda, entregue ao Ministério da Agricultura e a vários deputados no Parlamento Europeu.

Quatro estaleiros navais estrangeiros concorrem ao segundo concurso para a construção de navios para as ilhas

navio-atlantidaQuatro estaleiros navais, todos eles estrangeiros, concorreram ao segundo concurso lançado pela “Atlânticoline”, para a construção de dois navios para operar no Grupo Central do arquipélago, revelou hoje a empresa.
Segundo Carlos Reis, presidente do Conselho de Administração da “Atlânticoline”, a empresa pública açoriana que gere o transporte marítimo de passageiros, a abertura de propostas ocorreu na quarta-feira, tendo apenas concorrido quatro empresas estrangeiras.
São elas, a “Astilleros Armon”, de Espanha, a “Daimon”, da Holanda, a “Piriou”, de França e a “State Marine”, da Austrália, sendo que as duas primeiras já tinham concorrido por altura do primeiro concurso, que acabou por ficar, entretanto, deserto.
“Também no primeiro concurso tivemos quatro concorrentes, se bem que apenas um acabou por ser convidado a formalizar uma proposta”, recordou Carlos Reis, que espera agora, que haja mais candidatos que estejam em condições de serem convidados pelo júri a apresentar formalmente a sua proposta.
O júri do concurso tem um prazo de 60 dias para tomar uma decisão, embora o presidente da “Atlânticoline” tenha realçado que os membros do júri estão “sensibilizados” para a necessidade de tomarem uma decisão o mais breve possível, para que não se verifiquem grandes atrasos nos prazos de entrega dos navios.
“Nós não sabemos ainda quais os prazos propostos pelas empresas concorrentes, mas na pior das hipóteses, os novos barcos deverão estar a operar em agosto ou setembro de 2013”, garantiu Carlos Reis.
No anterior concurso, encerrado em agosto deste ano, depois da desistência do único estaleiro convidado a apresentar proposta, algumas das condições exigidas suscitaram fortes críticas da Associação das Indústrias Navais, que entendiam essas exigências inviabilizavam a participação dos estaleiros nacionais.
Apesar das alterações entretanto introduzidas pela “Atlânticoline” neste segundo concurso, nenhum estaleiro nacional concorreu à construção dos dois barcos, que vão operar nas ilhas do Grupo Central do arquipélago.
Os navios, que inicialmente deviam ter 37 metros de comprimento, passam a ter 40 metros, o que permite também aumentar em quatro toneladas a carga que podem transportar, ainda que o seu peso global tenha descido 13 toneladas.
Um dos navios aumenta a capacidade de 300 para 333 passageiros e de seis para oito viaturas, enquanto o outro mantém a capacidade para 12 viaturas, mas aumenta a lotação de 228 para 246 passageiros.
O tempo de construção também foi alterado, passando de 450 para 540 dias no primeiro caso e de 540 para 600 dias no segundo.

Vendas de automóveis novos baixaram 25% até Setembro

acidente-mortalO sector automóvel açoriano regista este ano mais uma série de quebras que poderão colocar este ano ao nível de 2009, que foi o pior ano da década, com um total de vendas na casa das 3.500 unidades.
Até Setembro, os concessionários terão vendido 2.462 veículos novos, o que representa menos 22,5% que em igual período do ano passado e sensivelmente o mesmo que em 2009. Mas este ano pode ser ainda pior.
Tudo vai depender das vendas no último trimestre. Desde 1993, os últimos 3 meses do ano têm registado vendas que vão de 24,4% a 30,75% do total vendido até Setembro. Em 2009, o último trimestre representou vendas de 28,95%, um valor próximo dos máximos. Em 2011, no entanto, com a crise em pleno, é de questionar até que ponto esse impulso final ainda poderá ocorrer. Caso não ocorra, o ano pode terminiar como o pior dos últimos 20 anos.
Em termos de montantes, trata-se de reduções significativas. Estimando uma média de 15 mil euros por viatura, o sector terá gerado no ano passado até Setembro cerca de 47,6 milhões de euros, enquanto que em 2011 o total é de cerca de 37 milhões de euros. Ou seja, menos 10,7 milhões de euros – uma quebra de mais de um milhão de euros por mês. Significativo.
Até ao momento, as maiores quebras percentuais registaram-se nos pesados, com menos 31%, nos ligeiros de passageiros, com menos 24%, e nos comerciais ligeiros, com menos 22%.
O SREA ainda não tem dados de 2011 sobre as cilindradas. Em 2010, a classe que mais vendeu foi a dos 1001 a 1250 cc.

Laboratório Regional de Enologia entra em funcionamento para certificar vinhos regionais

Com a entrada em funcionamento do novo Laboratório Regional de Enologia (LRE), o Governo dos Açores pretende proporcionar progresso e mais-valia ao sector vitivinícola regional, apresentando-se como um equipamento do mais moderno que existe no país para a qualificação e valorização desta produção.
Esta infra-estrutura pretende ser um instrumento decisivo para a certificação dos produtos vitivinícolas, de apoio à consolidação e fidelização das marcas regionais e à garantia da sua imagem e qualidade junto da exportação.
Para dar a conhecer o LRE, a Secretaria Regional da Agricultura e Florestas promoveu uma visita ao espaço com a presença de viticultores regionais que participaram numa formação/apresentação de prova de vinhos na nova sala de provas e uma visita guiada pela área laboratorial em pleno funcionamento.
No final da visita foi assinado um protocolo de cooperação entre o Governo dos Açores e a Comissão Vitivinícola Regional Açores que, segundo o Secretário Regional da Agricultura e florestas “permitirá desenvolver todo o processo de levantamento geográfico e de identificação das castas existentes nas ilhas dos Açores para posteriormente disponibilizar à CVR uma base de dados para que possa certificar o vinho sabendo a sua história desde o local onde foi produzido até ao local de venda final”.
Noé Rodrigues considerou a assinatura deste protocolo como “fundamental para que os consumidores conheçam os produtos que estão a adquirir, a segurança que lhe é garantida e a sua genuinidade”.
Com a construção do LRE, o Governo dos Açores reforça a aposta no sector vitivinícola, dedicando uma parte significativa do seu esforço à promoção da diversificação da produção agrícola, nomeadamente em termos financeiros e de recursos humanos, pondo também ao serviço a experimentação e a assistência técnica junto do sector vitivinícola, conferindo-lhe maior valor acrescentado.