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Instituto de Meteorologia “cobra” por dados para fins científicos, critica investigador

mau-tempo-povoacao-milton-mO investigador universitário Eduardo Brito acusou ontem o Instituto de Meteorologia (IM) de “cobrar” por dados meteorológicos e climatológicos para fins científicos, que “deviam estar ao serviço da população e das entidades científicas”.
“Solicitei os dados na região mas remeteram-me para Lisboa. Fiz o pedido por escrito e, meses depois, chegou a resposta com uma tabela de custos para a cedência dos dados”, afirmou Eduardo Brito, responsável pelo projecto Clima e Meteorologia dos Arquipélagos Atlânticos - Clima Marítimo e Costeiro (CLIMAAT), em declarações à Lusa.
O investigador frisou que o IM se “refugiou na sua condição de instituto que gera receitas para justificar a cobrança dos dados”, mas questionou se “são um serviço ou um negócio que cobra às pessoas que o sustenta?”
Eduardo Brito denunciou ainda que “até os alunos que estão a fazer teses científicas nesta área têm de pagar os dados”, acrescentando que o responsável do IM nos Açores respondeu às solicitações dizendo que o acesso aos dados estava “condicionado a projectos com interesse”.
“Era o que faltava, ser o IM, que é um serviço e não um centro de investigação científica, a decidir o que o são projectos com interesse científico”, afirmou, defendendo que “o acesso aos dados deve ter um critério técnico e não de livre arbítrio”, até porque a Universidade dos Açores “também tem estações, mas precisa dos dados mais antigos para fazer as comparações”.
Para Eduardo Brito, o IM “devia ter (nos Açores) uma delegação ou serviço com autonomia de decisão, incluindo nos investimentos que salvaguardem o interesse específico, e não comandada por Lisboa, que tem outras prioridades”.
“Os Açores possuem dos melhores espólios do país, recolhidos desde há mais de uma centena de anos por muitos funcionários que cobravam uma ninharia para ir aos postos e agora cobram a consulta dos dados”, lamentou.
Por seu lado, Diamantino Henriques, director regional dos Açores do Instituto de Meteorologia, assegurou à Lusa que “os dados estão disponíveis, nomeadamente os que são públicos e que dizem respeito à precipitação e temperatura”.
“O que se cobra é o trabalho de os ordenar porque o que pedem está no meio de múltiplas recolhas de variadíssimos dados, e para isso é preciso um funcionário”, sustentou, esclarecendo que “os dados estão arquivados em bruto e, quando solicitados, têm de ser sistematizados e fornecidos prontos a usar, o que justifica a cobrança que o IM faz”.

‘Viva Mais Fitness’ é o mais Ocidental ginásio da Europa e o único nas Flores e Corvo

ginasio-pedro-tosteOrçado em setecentos mil euros, dos quais trezentos mil comparticipados pelo SIDER, a família Toste Mendes inaugurou há sensivelmente dois meses na ilha das Flores o único ginásio existente no Grupo Ocidental.
Dotado de várias máquinas e equipamentos que fazem inveja a muitos ginásios espalhados pelo país e com um espaço amplo com vista, a norte, sobre a vizinha ilha do Corvo, o ginásio “Viva Mais Fitness”, cujo director técnico é Pedro Mendes, vem acrescentar à ilha das Flores algo inexistente desde há muitos anos.
Construído de raiz junto ao Hotel Ocidental, propriedade da família Toste Mendes, este novo espaço vem colmatar uma lacuna numa área que nas Flores só havia sido desenvolvida através de clubes desportivos ou associações, mas que agora ressurge com muita luz, cor e… esforço.
Pedro Toste, Director Técnico do ‘Viva Mais Fitness’, licenciado em Educação Física, lidera uma equipa jovem e ambiciosa que dá, finalmente, aos florentinos um serviço há muito esperado.
Embora ainda não seja tempo de grandes balanços, Pedro Mendes refere que as expectativas estão a ser superadas e “nos primeiros dois meses foram superados os objectivos propostos para um ano”.
A ideia inicial para a construção de um ginásio surgiu devido ao interesse pela área. Pedro Mendes afirma que sempre teve “o bichinho” pelo desporto e actividade física, tendo estado sempre ligado ao desporto. A frequência universitária deste jovem florentino incutiu ainda mais desejo por esta área específica trabalhando, inclusivamente, num ginásio no continente.
Depois de muita investigação e de bem ponderadas as opções em aberto, Pedro Mendes elaborou o seu trabalho final de curso com base num questionário a 100 indivíduos da ilha das Flores sobre a receptividade à actividade física, concretamente num ginásio.
“Mais de 90% das pessoas via positivamente a hipótese de frequentar um ginásio das Flores”, refere, agora, Pedro Mendes, obtendo na altura uma resposta “óptima” para idealizar um projecto que se viu inaugurado em 2011.
Com uma equipa toda a ela licenciada em Educação Física, o ‘Viva Mais Fitness’ disponibiliza aparelhos e espaços desde o cárdio à musculação, passando pelas aulas de grupo.
A maquinaria de cárdio engloba 5 passadeiras, 3 bicicletas elípticas, entre outros equipamentos onde depois de traçado um plano de treinos os utentes podem procurar atingir os seus objectivos propostos.
A musculação engloba máquinas específicas para cada grupo muscular, desde as pernas, tronco e braços, zona de alongamentos, abdominais, entre outros. Cada grupo trabalha uma determinada área do corpo, num esforço acompanhado, sempre, de perto pelo staff do ginásio.
As aulas de grupo são também outro dos convites do ginásio mais Ocidental da Europa. Com várias modalidades, as sessões têm sido muito bem frequentadas neste período inicial e Pedro Mendes realça que a gestão do ginásio está sempre predisposta a ouvir novas sugestões.
E porque para o Verão acaba por ser uma das melhores sugestões, a piscina que se estende ao exterior do espaço ‘Viva Mais Fitness’ convidará todos os clientes a um mergulho ou às aulas de fitness ou de hidro-ginástica que na época balnear de 2012 se realizarão em Santa Cruz das Flores.
Os preços variam conforme os pacotes pretendidos e há, também, mais em conta, um preço especial para os estudantes.
Porque a fidelização dos clientes é algo muito importante para o ginásio os preços vão baixando conforme a duração e frequência pretendida dos clientes do novo ginásio das Flores.
Esta é uma etapa diferente para Pedro Toste, até porque embora sempre tenha estado ligado à actividade física, agora a gestão e administração é um esforço adicional e uma novidade.
Como sublinhou Pedro Mendes, “até agora os objectivos estão a superar as expectativas e a tendência é para aumentar”, salientou.

Fotógrafo Nuno Sá distinguido com prémio através de imagens de tubarões

nuno_saO fotógrafo português Nuno Sá, um dos melhores do mundo especializado em vida marinha selvagem, foi distinguido em dois importantes concursos internacionais com fotos de tubarões azuis tiradas ao largo do Faial, no mar dos Açores.
“O facto de ter, em simultâneo, duas imagens expostas no London Natural History Museum e no Smithsonian Natural History Museum, dois dos maiores museus de história natural do mundo, é um valioso contributo para a divulgação dos Açores como destino de ecoturismo”, afirmou Nuno Sá em declarações à Lusa.
No Museu de História Natural de Londres estará patente, entre 21 de Outubro e 11 de  Março, a fotografia “Blue in the blue”, com a qual o fotógrafo português, que vive há vários anos nos Açores, foi distinguido no “Wildlife Photographer of the Year”, o maior concurso de fotografia de natureza a nível mundial.
“Foi com grande satisfação que recebi a notícia de que tinha sido premiado neste concurso, um feito que todos os fotógrafos de natureza aspiram um dia alcançar”, frisou Nuno Sá à Lusa, salientando a “enorme visibilidade” deste concurso.
A fotografia de um tubarão azul ao largo do Faial, foi “Highly Commended” na categoria de Imagem Subaquática, estimando-se que possa ser vista por cerca de 2,5 milhões de pessoas durante a exposição, que inclui as 108 fotos escolhidas pelo júri das quase 41 mil enviadas a concurso, oriundas de 95 países.
Esta é a segunda vez que Nuno Sá é distinguido neste concurso, promovido em conjunto pelo Museu de História Natural de Londres e a BBC Wildlife.
Nos EUA, também com uma fotografia de um tubarão azul tirada ao largo do Faial, Nuno Sá venceu a categoria Oceanos do “Natures Best Photography”, o maior concurso de fotografia de natureza que se realiza naquele país.
A foto premiada estará em exposição no Smithsonian Natural History Museum, em Washington, entre Abril e Setembro de 2012.
“A coincidência de, num espaço de alguns dias, ter sido informado da distinção das minhas imagens de tubarões azuis torna este ano o mais importante na minha carreira de fotógrafo de natureza”, salientou Nuno Sá.
Nuno Sá, nasce em Montreal, Canadá no ano de 1977. Em 1988 regressa, com a sua família, para Portugal quando tem a idade de onze anos. O seu contacto com o mundo subaquático inicia-se em 1997, quando tira o seu primeiro curso de mergulho.
Licencia-se em Direito na Universidade Católica Portuguesa de Lisboa no ano de 2001. Em 2002 muda-se para os Açores, ilha de São Miguel para seguir o seu sonho de uma vida em contacto directo com o mar.
Fotógrafo profissional desde 2004, especializou-se em fotografia de vida selvagem de temas marinhos. Conta com 3 livros publicados, bem como várias dezenas de artigos publicados a nível nacional e Internacional. É co-autor do “Guia de Mergulho dos Açores” o primeiro guia de mergulho a ser editado em Portugal e colaborador regular de várias revistas, entre elas a National Geographic portugal.
Conta com distinções em alguns dos principais concursos Internacionais de Fotografia de natureza, entre eles uma imagem “Highly Commended” no Wildlife Photographer of the Year, o maior e mais prestigiante concurso de fotografia de vida selvagem a nível mundial, e duas nomeações no Asferico International Nature Photography Competition, em ambos os certames foi primeiro Português a ser distinguido na história destes concursos.
Nuno Sá faz presentemente parte da equipa do Wild Wonders of Europe, a maior iniciativa de fotografia de natureza alguma vez realizada a nível mundial e que pretende em 2010 atingir um público alvo de mais de 100 milhões de Europeus e tendo como parceiro previligiado a National Geographic Society.

Governo promove acções de sensibilização sobre violência doméstica e maus-tratos infantis

violnciaA Direcção Regional da Solidariedade e Segurança Social, através de um protocolo de cooperação com o Núcleo de Iniciativas de Prevenção e Combate à Violência Doméstica da Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória, vai promover, nos dias 21 e 24 deste mês, no Centro de Saúde de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, duas acções de sensibilização sobre as problemáticas da violência doméstica e maus-tratos infantis, destinadas a técnicos e profissionais da área da saúde.
A iniciativa insere-se no âmbito do Plano Regional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e visa sensibilizar os técnicos da área da saúde para a identificação e encaminhamento de situações de violência doméstica.
Ainda recentemente, o Governo dos Açores promoveu outras duas acções de sensibilização, no Centro de Saúde da Praia da Vitória, uma iniciativa que contou com a colaboração de profissionais e instituições de várias áreas de prevenção e intervenção da violência doméstica.

Pais “apanhados” no envio de tabaco para os filhos, recebem multas de 85 euros por volume...

fumar1_180_180A notícia de que tinham sido apreendidos 123 mil cigarros das regiões autónomas no continente, divulgada pela Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo há cerca de 3 semanas, deixou a maior parte dos leitores com a ideia que se tratava de uma rede de tráfico bem montada. A realidade, no entanto, pode ser ligeiramente diferente.
É verdade que foi uma quantidade significativa, tendo em conta que a acção de fiscalização durou apenas dois dias. A média para cada região autónoma foi de cerca de 300 volumes por dia. A essa média, é previsível que o total anual atinja os 80 mil volumes de tabaco por ano, o que é significativo.
Mas se bem que as entidades tenham conhecimento de existirem algumas tabacarias locais que fornecem clientes no continente, o que é ilegal, a realidade parece ser que uma série de pais foram apanhados nesta operação. É que muitos dos açorianos que têm filhos a estudar no continente, e se eles são fumadores, têm por costume enviar uns volumes de tabaco para lhes atenuar a despesa. Num caso a que o Diário dos Açores teve acesso, o resultado pelo envio de 2 volumes serão 170 euros de multa…
Neste caso, para além do tabaco perdido (o filho teria de pagar mais de 66 euros para os recuperar) e da multa, outros bens alimentares que também foram enviados ficaram perdidos. Aliás, este pai apenas soube da apreensão quando reclamou que a sua encomenda, que tinha sido enviada com aviso de recepção, não tinha sido entregue. Foi nessa altura notificado pelos CTT que “a Alfândega do Aeroporto de Lisboa apreendeu a encomenda, de acordo com o Regime Geral de Infracções Tributárias”. A carta sugeria que a Alfândega fosse contactada, o que na prática fez com que a multa chegasse mais cedo.
Porque a verdade é que em breve todos os restantes pais que também tinham enviado tabaco para os filhos nesses dias receberão as suas multas, a uma média de 85 euros por volume de tabaco enviado. E não devem ser poucos.
Aliás, o envio de tabaco parece ser quase normal. Muitas pessoas chegam a comprar as caixas nas próprias estações de Correios e é lá mesmo que colocam os volumes de tabaco, à frente de toda a gente. Não existe qualquer consciência de ser um crime punível com este tipo de multas. Mas é.
Fonte da Alfândega de Ponta Delgada garantiu ao Diário dos Açores que é a simples circulação do tabaco que implica o não cumprimento da lei. O tabaco açoriano, destinado ao consumo local, tem uma estampilha que refere claramente “RAA” (o da Madeira e do continente têm estampilhas diferentes). E mesmo oferecido, é crime, pois é o local do seu consumo que está em causa.
Há apenas uma excepção: o transporte em viagem. Qualquer pessoa que vá para fora da Região pode levar consigo até 4 volumes, desde que tenha a idade legal para ser fumador. Mas terá de levar o tabaco consigo.
Em causa está o montante dos impostos que são aplicados sobre os cigarros. Aos do continente, é aplicado um imposto fixo de 6,7 cêntimos, mais 23% sobre o valor de venda ao público. Isso significa um imposto fixo de 1,35 euros por maço, mais a percentagem sobre a venda.
Nos Açores o imposto é de apenas 0,9 cêntimos por cigarro, mais 36,5% sobre o preço de venda ao público. Isso representa apenas 18,5 cêntimos de imposto fixo, e mesmo com o maior peso da percentagem, o seu preço final fica muito mais barato.
É por isso que a Alfândega, tendo em conta estas apreensões, pode estimar estar a perder cerca de 800 mil euros de impostos sobre o tabaco por ano. Mas a realidade é que haveria, no mínimo, uma falta de conhecimento por parte dos pais açorianos que usam este sistema. Ao ponto de um alto responsável por uma tabaqueira local, ter declarado a um diário de S. Miguel que a oferta de cigarros nestas condições não era crime! Há claramente um défice de comunicação!
A verdade é que não é apenas o tabaco que é beneficiado em termos de impostos nos Açores – sem que exista qualquer problema de comercialização no resto do território nacional. Mas a realidade é que não é o único a constituir crime: as bebidas alcoólicas também estão abrangidas pela proibição de envio sem que sejam cumpridas determinadas formalidades.
No caso das bebidas alcoólicas o processo legal é quase caricato. A Alfândega nos Açores tem de ser notificada do envio das garrafas, que passam a ser acompanhadas por um documento especial de “suspensão de imposto”. No acto de recepção no continente, por exemplo, quem levantar as garrafas tem de pagar o imposto que está em vigor no continente. E quem enviou as garrafas, levanta cá o imposto açoriano.
No caso dos viajantes, podem ser transportados até 10 litros de bebidas espirituosas, 20 litros vinhos espirituosos, até 90 litros vinhos e até 110 litros de cerveja.