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Detido homem suspeito de violar jovem de 14 anos

PJA Polícia Judiciária (PJ), através do Departamento de Investigação Criminal de Ponta Delgada, deteve ontem um homem, com 24 anos de idade, indiciado pela alegada prática de crimes de violação e coacção sexual.
Segundo avança a PJ em comunicado, os factos ocorreram recentemente, em dois momentos distintos, na ilha de São Miguel, e vitimaram uma menor, de 14 anos de idade, quando se encontrava no interior da sua habitação. A jovem foi “surpreendida” de ambas as vezes pela “entrada sub-reptícia” do arguido consumou os actos delituosos, “através da sua força física e violência”.
O detido, trabalhador da construção civil, foi presente ao tribunal competente para efeitos de primeiro interrogatório judicial, tendo-lhe sido aplicada a medida de coacção  de prisão preventiva.

PSP recupera bens
furtados de café
Na sequência de acções de investigação de ilícitos criminais decorrentes na cidade de Angra do Heroísmo, foram constituídos arguidos dois indivíduos do sexo masculino, na passada segunda-feira, pelo crime de furto no interior de estabelecimento comercial de restauração e bebidas.
Após a denúncia do furto, ocorrido na madrugada de segunda-feira, num conhecido “café-bar” de Angra, a Polícia de Segurança Pública (PSP) iniciou as investigações e, na sequência de informações recolhidas, um dos perpetrantes foi interceptado e o segundo foi identificado, por “forte suspeita de coautoria”.
Segundo a PSP, foi recuperada “uma parte do produto do furto”, tendo sido ainda apreendida uma quantia monetária correspondente ao produto da venda de parte dos itens furtados.
Por sua vez, a PSP da Esquadra da Ribeira Grande apreendeu a dois homens, ambos maiores de idade, 7.5 e 0.7 doses de haxixe, tendo sido elaborados os correspondentes autos de notícia por contraordenação e notificados para comparecerem na comissão para a dissuasão da toxicodependência local.
Segundo o relatório de actividade policial da PSP, relativo à passada segunda-feira, na Praia da Vitória, foi detido um homem, de 46 anos de idade, por condução de um veículo automóvel, sob a influência de álcool, com uma TAS de 3.1 g/l.
Já na Madalena do Pico, na sequência da apreensão de 603 doses de “Canábis Sativa-L” a um homem de 27 anos de idade, efectuada a 19 de Setembro, foram apreendidas mais 13.5 doses de “Liamba” no âmbito do mesmo processo.
Em Santa Cruz das Flores, a PSP deteve um homem, de 17 anos de idade, por condução de um veículo automóvel, sem habilitação legal.
Quanto à sinistralidade rodoviária, na segunda-feira, a PSP registou a ocorrência de quatro acidentes de viação, dos quais resultaram apenas danos materiais.

2013 pode vir a ser o ano com menos acidentes nos últimos 10 anos...

acidente de carroO número de acidentes nos Açores atingiu os 1.770 de Janeiro a Agosto, mas trata-se do mais baixo valor médio para dados homólogos desde pelo menos o ano de 2003. A continuar a este ritmo, 2013 poderá terminar como o ano com menos acidentes da última década.
Já o mesmo não se pode dizer do número de mortos, feridos graves e feridos ligeiros, o que sugere que, embora com menos acidentes, a perigosidade de cada um está a aumentar.
Este ano registaram-se até Agosto 11 mortos, o que representa um aumento de 2 casos em relação ao total do ano passado. Com a média até Agosto (não são os dados concretos, mas apenas uma simulação com base nos resultados do final do ano), para serem atingidos os valores de 2012 não poderia ter havido mais de 6 mortos. E os valores de 2013 estão acima das médias de 2010, 2009 e 2008.
Em relação aos feridos graves, o seu número atingiu os 66 este ano, o que está acima dos valores médios nos anos de 2010 a 2012; ou seja, a manter este ritmo, o resultado no final do ano poderá ser superior aos últimos 3 anos.
Em relação aos feridos ligeiros, o seu número vai nos 417, o que está abaixo de todos os anos desde 2003.
Até Agosto, há a registar algum tipo de feridos ou mortos em cerca de 1 em cada 4 acidentes (0,279 por acidente), o que é o valor mais elevado desde 2003.

Cerca de 500 novos doentes surgem por ano na Unidade de Dor do Hospital de Ponta Delgada

Teresa Flor de Lima - Gestora Programa Regional da DorA Unidade de Dor, no centro hospitalar de Ponta Delgada, acompanha actualmente perto de 1500 doentes. Um número que tende a aumentar, face ao constante surgimento de novas doenças. Em entrevista ao Diário dos Açores, a gestora do Programa Regional de Controlo da Dor afirma  que a dor crónica é uma “epidemia silenciosa”, que “quanto mais cedo se tratar melhor”.
A especialista em medicina da Dor garante que os Açores são a zona do país onde se regista mais dor crónica e alerta para o impacto da patologia na vida do doente, na família e na própria sociedade.

 

São cerca de meia centena os novos doentes de dor crónica que chegam, anualmente, à unidade de dor do Hospital do Divino Espírito Santo em Ponta Delgada.
Segundo a gestora do programa Regional do Controlo da Dor e responsável por aquela unidade, Teresa Flor de Lima, o aumento deve-se ao facto de estarem sempre a surgir novas doenças. “Sabemos que os casos de cancro aumentam, sabemos que as pessoas com mais idade têm mais doenças, sobretudo osteoarticulares e outras. Portanto, sabemos que as doenças estão aumentar”.
Actualmente, o número de doentes acompanhados pela Unidade da Dor ultrapassa os 1500. Um estudo de prevalência realizado a nível nacional, que incluiu o arquipélago açoriano, indica que cerca de 30% da população adulta, maior de 18 anos, sofre de dor crónica. Não existem dados específicos sobre a sua prevalência nos Açores, mas o mesmo estudo revelou que a região é das zonas do país que tem mais dor.
Definida por Teresa Flor de Lima como uma “sensação desagradável”, a dor causa “muito prejuízo” ao doente. Hoje em dia, tem um grande impacto na vida do doente, na família e na própria sociedade.
“Os doentes com dor são pessoas que têm dificuldades em trabalhar e que, por vezes, se reformam antecipadamente. Têm custos muito exagerados com a doença”, afirmou a médica especialista na área da Dor. Em termos nacionais, estudos demonstram que Portugal gasta quase 2% do PIB em doentes com dor crónica, pelo que Teresa Flor de Lima salientou tratar-se de uma preocupação que afecta toda a população, com ou sem dor.
A dor é já considerada uma doença pelos sintomas que apresenta, como a incapacidade de movimento, de mexer articulações, de ir trabalhar. Estas inaptidões geram ansiedade, depressão, dificuldades para dormir, havendo até casos que acabam em suicídio.
O Programa Regional de Controlo da Dor, que existe na região desde 2004, faz referência a três tipos de dor, nomeadamente, a dor aguda, a analgia de parto e a dor crónica. Mas é a dor crónica que pode levantar mais preocupações, no sentido de ser uma “epidemia silenciosa se o doente não se queixar”.
“A dor manifesta-se por uma percepção do cérebro e está demonstrado que há alterações a nível do sistema nervoso central sempre que há uma dor crónica”, refere Teresa Flor de Lima, que defende que “quanto mais cedo se tratar e quanto mais intensamente se tratar melhor”. “Porque a partir de certa altura as alterações que existem no cérebro são irreversíveis e por muito que façam os medicamentos, não há volta a dar”, explica.
Além disso, a especialista alerta para a necessidade de se realizar um “tratamento contínuo”. “É esta a maior batalha para nós, especialistas: fazer as pessoas compreenderem que não se trata a dor só quando ela aparece”. “Nós dizemos que a dor não se deve curar. Deve-se controlar ou aliviar, pois nunca se consegue tirar uma dor cem por centro”, acrescentou.
A unidade de dor do Hospital do Divino Espírito Santo existe há 12 anos e, em Angra do Heroísmo e na Horta, têm sido promovidas consultas da dor nos últimos dois anos. Estas unidades são constituídas por equipas multidisciplinares, que integram médicos, enfermeiros, psicólogos e outros especialistas, nomeadamente, neurologistas, fisiatras, fisioterapeutas, internistas, terapeutas ocupacionais, entre outros.
Em Ponta Delgada, a unidade liderada por Teresa Flor de Lima tem um serviço de consultas telefónicas, que possibilita ao utente não se deslocar frequentemente à consulta da dor, permitindo ainda avaliar e monitorizar o doente.
“Precisamos de saber se o doente está a cumprir o tratamento, se a dor está menos intensa, se os medicamentos têm efeitos secundários (tonturas, náuseas, obstipação). Queremos saber se o doente cumpre a medicação certa ou se tem medicamentos suficiente para o período que falta para a consulta”, explica a médica. “Isto é muito importante, porque dá uma certa confiança ao doente por se sentir sempre acompanhado”, acrescenta.
As consultas telefónicas, a par das consultas internas e urgentes, “contribuem para uma boa capacidade de resposta” da unidade de dor. “O objectivo é fazer com que haja menos doente e menos dor”, afirma Teresa Flor de Lima.

Falta de profissionais
No entanto, a especialista lamentou que existe falta de meios humanos para colaborar com a unidade. “A formação dos profissionais não tem sido fácil. Há instituições que têm um número de profissionais mais reduzido e que não os podem disponibilizar”, referiu.
Por outro lado, existem dificuldades no que toca à formação. Teresa Flor de Lima apela ao Governo Regional, nomeadamente à Direcção Regional da Saúde, para que dê continuidade ao Programa Regional de Controlo da Dor e para que “melhore as condições na formação dos profissionais”. A gestora do programa, única especialista na medicina da dor na região, pede mais profissionais da mesma área para os Açores.
O programa está em vigor há mais de quatro anos no arquipélago. Fez parte do Plano Regional de Saúde e tem como objectivos “divulgar o que é a dor crónica, tratar o mais possível os doentes, quer na área da dor crónica, quer na área da dor aguda” e “promover a formação dos médicos e enfermeiros e de outros profissionais para tratar melhor a dor”.
Teresa Flor de Lima explica que “o Programa Regional de Controlo da Dor não está implicado com a Associação de Doentes da Dor Crónica dos Açores, na medida em que o funcionamento desta associação não está dentro dos parâmetros estipulados no início e que não tem qualquer apoio de profissionais de saúde especializados”.

Agricultores dizem que “investimento no sector para 2014 é insuficiente”

Jorge RitaA Federação Agrícola dos Açores (FAA) considera que o investimento para o sector previsto na ante-proposta do Plano para 2004 do Governo Regional “não corresponde às expectativas” e é “insuficiente”.
A tomada de posição dos agricultores dos Açores consta do parecer da FAA sobre a ante-proposta do Plano para 2014, solicitado pelo Conselho Regional de Concertação Estratégica, e a que a agência Lusa teve acesso.
O Governo Regional anunciou ontem em sede de concertação social que o investimento público na região será de 656 milhões de euros em 2014, ligeiramente superior ao previsto para este ano.
A FAA sublinha que o investimento no sector agrícola “é por todos reconhecido”, designadamente pelo Governo Regional, como “gerador de retorno na economia” de forma transversal.
“Por isso, sabendo a boa situação económica das contas públicas regionais, a FAA entende que as verbas para a agricultura nesta ante-proposta do Plano para 2014 não correspondem às expectativas e são insuficientes, atendendo à conjuntura complexa e problemática que a agricultura atravessa”, declara o organismo no seu parecer.
A FAA defende que a componente regional da ante-proposta do Plano para 2014 do Governo Regional “deve ser reforçada” em áreas como o leite, carne, diversificação agrícola, formação profissional, sanidade animal, apoio às organizações de produtores e reestruturação financeira das explorações.
Os agricultores açorianos querem também ver reforçada a comparticipação regional dos fundos comunitários, infra-estruturas agrícolas ou os transportes entre as ilhas e o exterior, considerando que “só assim” o futuro pode ser “devidamente defendido”.
O parecer da FAA considera que a agricultura tem sido alvo de um “desinvestimento” nos últimos anos, o que tem sido um “óbice” ao seu desenvolvimento e crescimento nas “circunstâncias complicadas” que se vive e face à reformação da Política Agrícola Comum (PAC), cujos impactos poderão ser “significativos” nos Açores devido ao desmantelamento das quotas leiteiras. A FAA aponta que no sector agrícola se regista uma diminuição de 11,3% no investimento regional, passando-se de 51,9 milhões de euros em 2013 para 46 milhões de euros em 2014, enquanto o volume financeiro de outros fundos passa de 88,6 milhões de euros para 95,1 milhões de euros, o que representa um crescimento de 7,3%.
“Embora o valor global do investimento público no sector agrícola seja ligeiramente superior ao do ano passado devido ao impacto dos fundos comunitários, a componente regional tem sofrido um decréscimo acentuado nos últimos anos, já que em 2010 o volume aprovado foi de 75,2 milhões de euros. Em 2011 foi de 73,6 milhões de euros e, em 2012, de 64,5 milhões de euros, enquanto as execuções foram de 79,6%, 73,9% e 75,9%, respectivamente, o que representou, na prática, uma diminuição significativa do investimento na agricultura regional”, conclui o parecer da FAA.

Associação Agrícola
de S. Miguel critica cortes no apoio ao gasóleo
O presidente da Associação Agrícola de S. Miguel criticou ontem o corte de dois milhões de euros nos apoios ao gasóleo agrícola, alegando que a medida vai contribuir para a descapitalização do sector.
“Este é um corte muito acentuado. Podemos perceber as razões que o Governo queira apresentar, mas obviamente que a nós compete-nos como defensores do sector mostrar a nossa indignação”, afirmou Jorge Rita aos jornalistas, após uma reunião com o secretário regional dos Recursos Naturais.
Segundo a agência Lusa, para o representante dos agricultores micaelenses, todos os cortes feitos nos custos de produção “têm sempre efeito negativo no rendimento”, alegando que esta decisão do Governo açoriano “vai criar um problema grande” e “merece outras medidas de apoio”.
“As ajudas que estão sendo dadas pelo Governo Regional neste momento são inferiores aquilo que o Governo Regional já nos tirou este ano”, disse Jorge Rita, acrescentando que além deste corte de dois milhões de euros no gasóleo acresce a retirada de mais um milhão de euros para a importação de cereais.

Especialistas discutem em Ponta Delgada doenças como a diabetes e a obesidade

Hospital PdlO Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, acolhe até sexta-feira,  no seu auditório, o XIII Congresso de Endocrinologia e Nutrição dos Açores, bem como as XIV Jornadas de Diabetologia e o V Simpósio Satélite.
De acordo com o médico Rui César, da comissão organizadora, “mais de metade da população nos Açores tem excesso de peso”, e, por isso, é premente a organização desses eventos, pois a obesidade infantil e adulta “é um dos maiores problemas da nossa região e de todo o país ocidental”, salienta, acrescentando, no entanto, que “o último estudo do professor Luís Sardinha diz que nós, nos Açores, não pioramos, mas também não melhoramos”, estabilização esta, que  poderá estar relacionada com “alguma sensibilização que as pessoas vão tendo”.
Rui César considera, por outro lado, que a família é fundamental para mudar os hábitos alimentares que resultam em excesso de peso. “É bom que nós todos comecemos a pensar seriamente de que a escola não tem de substituir a família. É na família que começa o primeiro passo para que as nossas crianças comecem a ter uma alimentação mais saudável. É evidente que há muitas famílias desestruturadas e que não estão preocupadas com esse aspecto, mas há que preparar o futuro dos nossos filhos, pois o que fizemos na nossa infância e adolescência tem repercussões na vida inteira”, enfatiza.
Os Serviços de Endocrinologia e Nutrição do hospital de Ponta Delgada e de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do Hospital Egas Moniz organizam estes encontros, com periodicidade bienal, há vários anos, e continuam “apostados em manter a dinâmica que os têm norteado, desde a já distante era de 1987, ano das primeiras Jornadas de Diabetologia dos Açores, o que perfaz 26 anos de actividade”. Outro motivo de orgulho, são os 30 anos que já passaram desde que foi fundada, por Rui César, a consulta de Endocrinologia e Nutrição, no antigo hospital de Ponta Delgada, especialidade médica que passou a ter estatuto próprio.
O programa “fantástico”, debruçado sobre uma área médica, cujo peso, em termos de morbilidade e mortalidade nos Açores “é por todos reconhecida”, e a  importante presença dos mais destacados Endocrinologistas, Diabetologistas e Nutricionistas nacionais, incluindo o Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, garantem, nas palavras de Rui César, a “qualidade técnica e científica” dos trabalhos que irão ser apresentados.