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Ordem dos Enfermeiros vai premiar investigação feita nos Açores

enfermeiraA secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros lançou o prémio Explora Research para “distinguir investigação” feita por estes profissionais na região.
“Primeiro porque vai premiar e distinguir o que de melhor se faz em termos de investigação em ciências de enfermagem e depois pelo exemplo que é, vai fomentar o desenvolvimento de investigação futura”, disse hoje à Lusa Luís Furtado, do Conselho Directivo da Ordem dos Enfermeiros.
Segundo Luís Furtado, são muitos os trabalhos de investigação que têm sido feitos por profissionais açorianos.
“Nos últimos anos, provavelmente, o grupo profissional de enfermagem foi dos que mais investiu na formação pós-graduada. Estamos a falar de pós-graduações, de cursos de pós-licenciaturas de especialização, que também têm uma componente de investigação e de intervenção. Estamos a falar de cursos de mestrado e de doutoramento tanto de enfermeiros que exercem no ensino superior como de enfermeiros que estão na prática”, disse Luís Furtado.
Para a secção regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, este “é o momento certo para a criação deste prémio”, tendo em conta “a crescente importância da investigação científica na área da saúde e mais concretamente nas ciências de enfermagem” e porque pode servir para “incentivar e distinguir investigações na melhoria da enfermagem em todos os contextos”.
“Viver na Região Autónoma dos Açores, ou em qualquer outra realidade arquipelágica, faz com que aceder-se ao ensino mais diferenciado seja extremamente oneroso, de modo que o prémio de investigação tem também a pretensão de ajudar a investigação que se desenvolva ou pelo menos fazer face às despesas que o investigador teve no desenvolvimento do seu trabalho”, disse.
As inscrições para o Prémio de Investigação Explora Research decorrem até ao final deste mês.
O prémio destina-se em exclusivo aos enfermeiros inscritos na Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros há pelo menos cinco anos, consistindo num prémio monetário de quatro mil euros.
Os resultados serão divulgados no final de julho.

Delegação da China visita os Açores com intenção de criar um “Centro luso-chinês de Ciências do Mar”

china-flag1Dois elementos da embaixada da China em Portugal estão de visita aos Açores para contactos com vista à eventual criação de um centro de investigação luso-chinês ligado às Ciências do Mar, segundo um responsável da Universidade açoriana.
Yong Ning Chen, conselheiro científico, e Li Bin, secretário da embaixada da China, visitaram na segunda-feira as instalações do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, na cidade da Horta, bem como a antiga fábrica da baleia de Porto Pim e o navio de investigação “Arquipélago”.
Ricardo Serrão Santos, pró-reitor da Universidade dos Açores para os Assuntos do Mar, disse à Lusa que “há uma vontade de estender e desenvolver uma cooperação com a China, no âmbito das Ciências do Mar”, em áreas como a aquacultura, as biotecnologias e as energias renováveis.
“Este é um princípio de cooperação internacional que é sempre benéfico”, explicou Ricardo Serrão Santos, acrescentando que actualmente “a investigação exige, de facto, grandes parcerias”.
O projeto de criação de um centro de investigação luso-chinês poderá passar pela criação de espaços dentro dos centros já existentes nas universidades portuguesas que estejam interessadas nesta cooperação, disse à Lusa fonte conhecedora deste processo.
Estão envolvidas nesta parceria com a Universidade de Xangai várias universidades portuguesas, incluindo a dos Açores.
A comitiva chinesa esteve ontem no Pico, para visitar a central de energia das ondas e a paisagem protegida da vinha do Pico, e parte depois para Ponta Delgada, onde deverá ser recebida, na quarta-feira, pelo reitor da Universidade os Açores, Jorge Medeiros, e pelo subsecretário regional da Presidência do Governo, Rodrigo Oliveira.

Associação de Mergulho quer “regras mais apertadas para evitar massificação”

mergulhadorA recém-criada Associação dos Operadores de Mergulho dos Açores (AOMA) defendeu sábado a criação “urgente de regras mais apertadas” que impeçam a massificação do turismo subaquático no arquipélago, preservando “os poucos, mas bons” locais para mergulho.
“Temos de tomar medidas e têm de ser tomadas com urgência, porque senão corremos o risco de massificar tudo o que temos. Não queremos ser um mar vermelho, mas sim ter um turismo sustentável, com regras”, afirmou à agência Lusa Jorge Botelho, da comissão instaladora da associação, acrescentando que se houver “100 a 120 pessoas a mergulhar os animais vão estranhar”.
A Associação de Operadores de Mergulho dos Açores, cuja escritura foi feita a 14 de Março, é composta, neste momento, por operadores de Santa Maria, Terceira e Pico, sendo que o objectivo passa por reunir associados das nove ilhas açorianas e “contribuir activamente” para a definição de políticas para a área do mergulho.
Para Jorge Botelho, a criação de quotas para limitar a instalação nas ilhas de mais operadores de mergulho não seria um disparate, apontando como exemplo Santa Maria, onde já existem cinco operadores em actividade, cada um com dois barcos, com capacidade para 12 pessoas, “se surgiram mais seria complicado de gerir e ambientalmente preocupante”.
O membro da comissão instaladora da AOMA, conjuntamente com Paulo Reis, Luis Feiteirona e Pedro Alves, adiantou que está agora a ser enviada documentação e fichas de inscrição para todos os operadores de mergulho licenciados nos Açores para que se associem, sendo que até final de Abril deverá ser eleita a primeira direcção, assembleia e conselho fiscal.
“Cada um tinha o seu problema e era sempre isoladamente que o resolvia. Neste momento, o objectivo é representar os sócios e assim falar todos a uma só voz”, disse Jorge Botelho, gerente de uma empresa marítimo-turística em Santa Maria, que em 2012, conjuntamente com outra empresa, foi responsável por trazer à ilha em três meses cerca de 500 pessoas para mergulhar.
Segundo disse, o mergulho ganhou grande impulso nos Açores nos últimos anos e são cada vez mais as pessoas de vários países que procuram o arquipélago para mergulhar devido à riqueza e diversidade dos fundos marinhos em redor das ilhas.
Existem na região cerca de duas dezenas de empresas que desenvolvem actividades nas diferentes modalidades relacionadas com o mergulho, estando referenciados em todo o arquipélago cerca de meia centena de locais com potencialidades para essa actividade.
Santa Maria e Graciosa são duas das ilhas mais procuradas pelos mergulhadores, sendo que nesta última decorre desde 2007 a Bienal de Turismo Subaquático dos Açores, que tem como objectivos principais a afirmação do arquipélago como destino de mergulho e o debate de temáticas relevantes para o sector.

Detida em Lisboa ex-subgerente de banco em Rabo de Peixe por alegada burla

BanifO Departamento de Investigação Criminal de Ponta Delgada da Polícia Judiciária (PJ) deteve hoje uma mulher de 42 anos pela presumível autoria do crime de burla qualificada, cometida numa instituição de crédito com representação nos Açores.
Trata-se da ex-subgerente do balcão do Banif de Rabo de Peixe, ilha de São Miguel, confirmou à Lusa fonte da instituição de crédito, que ressalvou que todos os casos relacionados com a presumível burla “estão resolvidos”, há excepção de um que conhecerá o seu desfecho “nos próximos dias”.
De acordo com o que publicou o diário Correio dos Açores na altura, a ex-funcionária do balcão do Banif de Rabo de Peixe terá desviado em finais de 2012, das contas de clientes, cerca de 100 mil euros e foi apanhada após a realização de uma auditoria interna iniciada pela queixa de um cliente que foi confrontado com a falta de valores na sua conta.
Um comunicado da PJ hoje divulgado revela ainda que a detenção foi efectuada no Seixal, residência actual da detida, e contou com a colaboração da PSP local.
A arguida, natural de Lisboa e atualmente desempregada, vai ser agora sujeita a um interrogatório judicial, para aplicação de medidas de coacção.

Aumentam pedidos de ajuda de licenciados à Cáritas de São Miguel

sopa 1A crise na Europa tem deixado muitas famílias no limiar da pobreza. Em entrevista ao Diário dos Açores, a direcção da Cáritas da Ilha de São Miguel, juntamente com a Assistente Social Luísa Gonçalves, alerta para o crescimento de pedidos de ajuda de pessoas com formação profissional e académica superior. No entanto, a instituição defende que o problema da pobreza pode ser solucionado, apostando na educação e formação.

Tendo em conta a actual conjuntura económico-financeira, presumo que as solicitações à vossa instituição têm aumentado. Como traça o perfil das pessoas que pedem ajuda?
O nosso público-alvo é bastante diversificado. Apoiamos desde isolados em situação de exclusão social grave (sem-abrigo e dependentes) a agregados familiares cujos principais problemas são o desemprego (longa duração, primeiro emprego), que desencadeia a precaridade económica/ insuficiência de rendimentos; sobreendividamento; dependência dos serviços existentes (subsídios sociais) e, principalmente, as pessoas que vivem em situação de pobreza envergonhada.
Em termos de faixas etárias abrange todas as idades. Ao nível das habilitações literárias também é transversal, com incidência na baixa escolaridade, contudo com um crescimento de pessoas com formação profissional e académica superior.

Esse perfil tem mudado nos últimos anos?
Indubitavelmente em função da conjuntura económico-financeira, como referi, tem havido um maior número de cidadãos a solicitar apoio, outrora independentes e autónomos, que nunca se tinham deparado numa situação de pobreza, cujo desemprego conduziu a uma vivência de precaridade económica, levando, até mesmo algumas pessoas, sem rede de suporte familiar, terem-se encontrado na condição de sem-abrigo.

Como enfrenta a Cáritas aos constantes pedidos de ajuda?
Obviamente que não conseguimos dar resposta a todas as pessoas que nos procuram. Tentamos com a boa vontade e “amor à camisola” das pessoas que connosco trabalham desenvolver algumas actividades, como ocorreu no fim-de-semana de 2 e 3 de Março de 2013, em que se procedeu a uma Recolha de Géneros Alimentares que ocorreu na Loja do Continente em Ponta Delgada, nas quais vamos encontrando respostas para as necessidades emergentes. É um caminho que se trilha com muito esforço, dedicação, solidariedade, como também muitas adversidades. O Governo apoia-nos no que concerne ao nosso funcionamento, contudo temos de encontrar toda uma série de alternativas. Estas passam pelos donativos, quer de pessoas quer de empresas, sejam em vestuário, calçado, alimentação ou financeiros. Importa referenciar ainda que nos disponibilizamos para trabalhar com qualquer entidade ou instituição que connosco queira e possa colaborar, uma vez que o nosso trabalho se desenvolve em parceria, numa rede de sinergias com e para a comunidade.

Em Março de 2011 a Cáritas nos Açores avançava que estava sem verba para o Fundo Social de Emergência, e, por isso, procurava donativos. Passados dois anos, qual é a situação financeira da instituição?
Face à situação actual tudo o que recebemos é pouco para fazer face às necessidades das pessoas.

Têm recebido donativos?
Diariamente as pessoas realizam donativos em vestuário. Pontualmente, e cada vez em menor número, o fazem em termos monetários.
No âmbito empresarial temos vindo a contar ao longo do ano com o Grupo Bensaúde, bem como de outras empresas. 
Aceitamos todo o tipo de apoio. Apesar de este não ser suficiente para fazer face à realidade social existente, estamos conscientes que é difícil satisfazer todas as nossas necessidades.

Actualmente, quantas famílias e pessoas particulares ajuda a Cáritas?
Desde Janeiro de 2013 até agora cerca de 585 pessoas. O número cresceu devido à resposta de alimentação que conseguimos através da iniciativa da Recolha de Géneros Alimentares.

Em 2012, quantas famílias e pessoas particulares procuraram ajuda na Cáritas de S. Miguel?
Tivemos um total de 1760 pessoas e agregados, dos quais 450 são casos novos que surgiram em 2012.

Qual é a prioridade actual da Cáritas?
Os objectivos a atingir são vários, todavia e, face à situação actual, temos de nos centrar nas necessidades mais básicas (alimentação; pagamento de água ou luz).

Quais são as principais causas que contribuem para a pobreza na região?
Actualmente podemos identificar duas causas essenciais: o desemprego e outra de cariz mais estrutural que se prende com uma estrutura social muito precária (baixo nível de educação, de competências).

Como se resolve o problema da pobreza?
Apostando, fundamentalmente, na Educação e na Formação.

O que a Cáritas tem feito para combater o isolamento dos idosos?
Através dos núcleos de cáritas paroquiais, temos como objectivo que as pessoas que desenvolvem este trabalho voluntário ao nível local, acompanhem esta população, através de algumas visitas domiciliárias para conversar, acompanhar e conviver.

Há ou não há crianças a passarem fome nos Açores?
Temos consciência de que existem famílias que estão a ter carências no âmbito alimentar, embora cientes que estas mesmas famílias esforçam-se para que as crianças sejam as menos penalizadas. Obviamente que os desequilíbrios alimentares existem.

Como vê o futuro e a evolução da solidariedade?
Face às circunstâncias em que se vive o futuro tem que assentar fundamentalmente na solidariedade civil e não, apenas, institucional.

Que balanço faz até ao momento da sua passagem por esta instituição? É gratificante?
Luísa Gonçalves: Sob o ponto de vista humano, profissional e pessoal cresci e amadureci, pois são muitos os desafios que me são diariamente colocados, embora seja frustrante cada vez ter menos respostas para as necessidades que encontro. É, de facto, um trabalho que me completa, pois, por pouco que seja pode contribuir para a vivência condigna e, até, feliz, de algumas pessoas, mas extremamente desgastante, porque é na minha dimensão humana que também encontro fragilidades, as quais tento ultrapassar com muita esperança e fé, muita dedicação, muito trabalho e sofrimento, com o ideal que o Mundo amanhã poderá ser um pouco melhor do que hoje, embora com a consciência de que nem sempre é possível consegui-lo.

A Cáritas promoveu alguma iniciativa para essa Páscoa?
Não temos nenhuma iniciativa em particular agendada. Trabalhamos todos os dias e todo o ano com e para as pessoas e não apenas em determinadas épocas festivas.

Quer deixar alguma mensagem para quem está a passar dificuldades nessa Páscoa?

Luísa Gonçalves: Fé, Esperança e Caridade.