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Luís Silveira desafia liderança de Artur Lima no Congresso do CDS

Luis silveira - cds

Tal como o nosso jornal tinha previsto, Luís Silveira, Presidente da Câmara Municipal de Velas, S. Jorge, anunciou ontem em Ponta Delgada que será candidato à liderança do CDS-PP nos Açores, desafiando assim Artur Lima.

Numa conferência de imprensa realizada nesta cidade, Luís Silveira começou por dizer que anunciava a sua candidatura em Ponta Delgada porque entende que “o CDS só pode crescer se tivermos as 9 ilhas dentro do partido e em que S. Miguel faz parte”.

O autarca centrista criticou duramente a acção política de Artur Lima nos últimos anos, dizendo mesmo que os órgãos dirigentes do partido não reúnem há vários meses e que não concorda com a linha política imposta pelo actual líder.

“Artur Lima vai perdendo votos, eleições após eleições, na sua própria ilha”, sublinhou Luís Silveira, para dizer a seguir que pretende um partido “organizado e coeso, sobretudo com S. Miguel”.

Luís Silveira tem o apoio da deputada regional Graça Silveira, que confirmou nos últimos dias ter sido proibida de falar no parlamento por Artur Lima e de participar nas comissões parlamentares.

 

Congresso será em Dezembro

 

A Comissão Política do CDS-Açores, reunida no passado fim-de-semana, aprovou, por unanimidade, a realização do X Congresso do CDS Açores, na ilha Terceira, nos dias 7 e 8 de Dezembro de 2019.

Conforme se pode ler na nota enviada à comunicação social, “o X Congresso do CDS será o maior congresso de sempre do partido na Região, permitindo uma efectiva representatividade de todos os militantes num grande momento de afirmação do partido como alternativa política na Região”.

Para o Presidente do CDS e Presidente da Comissão Política Regional, Artur Lima, “os partidos têm de ter a capacidade de crescer e agregar e isso vê-se no CDS. O X Congresso será o maior congresso de sempre do CDS nos Açores. Somos um partido a crescer e o número de congressistas ao nosso congresso vai reflectir esse crescimento. Teremos um congresso de grande representatividade e participação que vai afirmar, ainda mais, o CDS como um grande partido regional e como a verdadeira alternativa ao socialismo nos Açores. Estou certo de que, todos juntos, num congresso que demonstrará a nossa capacidade de definirmos as prioridades de governação para o futuro, construiremos um novo ciclo político de progresso e desenvolvimento que projete a nossa Autonomia e contribua para a qualidade de vida de todos os açorianos”, disse.

 

Andreia Vasconcelos na lista ao Parlamento Europeu

 

Andreia Tatiana Mendes Vasconcelos, assistente social e Diretora Técnica Social do Lar D. Pedro V, é a candidata indicada pelo CDS/Açores às eleições europeias, ocupando a sexta posição da lista. 

O nome de Andreia Vasconcelos foi aprovado na reunião da Comissão Política Regional do CDS/Açores, que se realizou no fim-de-semana na ilha Terceira. 

Andreia Vasconcelos, actual Presidente da Comissão Política Concelhia da Praia da Vitória, foi, nas últimas eleições autárquicas, candidata à Câmara Municipal da Praia da Vitória. 

A candidata indicada pelo CDS/Açores integrou ainda as listas do partido nas eleições legislativas regionais de 2012. 

Para o Presidente do CDS/Açores, Artur Lima, Andreia Vasconcelos “faz parte dos novos quadros que o CDS/Açores tem nas suas fileiras”, revelando, que esta é “uma escolha na juventude, que não abdica de ser feliz na sua terra e que quer contribuir com as suas ideias para o futuro da sua Região e do seu País”. 

“Ser a candidata indicada pelo CDS/Açores às eleições europeias, foi um desafio colocado pelo Presidente do CDS/Açores, Dr. Artur lima, que prontamente aceitei. Este é um desafio que exige uma avaliação consciente das dificuldades que a Europa atravessa, e ao mesmo tempo a necessidade de um diagnóstico do estado da Região e a consequente prospecção de soluções e melhorias, de forma a permitir que os Açores e os Açorianos tenham voz activa na Europa e que as suas especificidades sejam tidas em conta”, considerou Andreia Vasconcelos. 

Andreia Vasconcelos assumiu o compromisso de exigir o reforço de políticas de coesão ao nível da agricultura e das pescas, com medidas de reforço no POSEI, bem como defendeu a necessidade de uma Europa mais justa, mais solidária e mais social, com melhores respostas para o envelhecimento demográfico e para o desemprego jovem, que esteja do lado das pessoas e que tenha as regiões ultraperiféricas na agenda, assim como uma Europa que assuma a sua vocação atlântica e tenha o mar como desígnio estratégico da sua acção.

 

Açores dizem que prioridade na Macaronésia é a economia do mar e transportes marítimos

rui bett macaronésiaO Secretário Regional Adjunto da Presidência para as Relações Externas afirmou, em Corfu, na Grécia, que os Açores têm “dois grandes espaços de cooperação” no próximo quadro financeiro plurianual a partir de 2020, nomeadamente a Macaronésia e as Regiões UItraperiféricas.

Rui Bettencourt, que participou no painel ‘Que futuro para a cooperação marítima no novo programa de cooperação territorial europeu’, no âmbito do seminário ‘Política de Coesão pós 2020: programação e implementação dos fundos estruturais nas ilhas da União Europeia’, sublinhou que, relativamente à Macaronésia, “a questão mais importante é a questão dos transportes marítimos e da economia do mar”.

“Estamos numa situação muito relevante porque somos muito complementares - os Açores, as Canárias, a Madeira -, estamos numa situação em que nos complementamos quer na economia, quer nos desafios que temos para a gestão deste espaço“, salientou o governante neste seminário, que integrou a Assembleia Geral da Comissão das Ilhas da Conferência das Regiões Periféricas Marítimas da Europa (CRPM).

Para o titular da pasta das Relações Externas, o mar e a economia do mar na Macaronésia são questões muito relevantes na medida em que o mar da Macaronésia representa mais de um terço do mar europeu, pelo que considerou que a questão dos transportes e dos transportes marítimos, em particular, assume fundamental importância “para que muitos pontos da economia, muitos sectores económicos possam vir a ser viáveis e possam ser ainda mais competitivos”.

Ainda em relação à Macaronésia, Rui Bettencourt referiu o facto de este ser um assunto que desperta “grande interesse” entre os parceiros da Comissão das Ilhas e entre as várias ilhas europeias, que querem saber mais sobre o que se passa na cooperação dos Açores naquele espaço.

Relativamente às Regiões Ultraperiféricas, o Secretário Regional considerou que é outra das áreas “muitíssimo relevantes” que se colocam no próximo quadro financeiro plurianual, sublinhando o facto de, na proposta de programa que regulamenta a nova cooperação territorial, existir “uma referência e uma linha específica para as ultraperiféricas”, o que significa que “terão um quadro financeiro próprio, como tem agora a Macaronésia, para poderem cooperar”.

“Evidentemente que os grandes desafios da cooperação colocam sinergias precisamente nas ultraperiféricas, para além daqueles que existem actualmente de articulação política da nossa actuação”, referiu Rui Bettencourt, frisando que, através deste programa de cooperação territorial europeu, as Regiões Ultraperiféricas terão um instrumento financeiro para que possam desenvolver as suas áreas de actuação “em sinergia”, como é o caso dos transportes, da economia e da inovação.

“Temos aqui áreas de cooperação bastante relevantes e que podem transformar a nossa cooperação de uma maneira muito aprofundada” afirmou.

Nesta deslocação a Corfu para participar na Assembleia Geral da Comissão das Ilhas da CRPM, o Secretário Regional teve ainda oportunidade de se reunir com a deputada europeia Isabel Thomas, relatora no Parlamento Europeu do Quadro Financeiro Plurianual e uma das aliadas da posição açoriana nesta instituição europeia.

“Fizemos o ponto de situação e vimos que muitas coisas ainda vão acontecer até que o quadro financeiro definitivo seja aprovado”, frisou Rui Bettencourt, acrescentando que “os Açores estão atentos e continuarão atentos para que este quadro financeiro plurianual seja o mais próximo possível daquilo que os Açores pretendem”.

 

Os Açores de Portugal: Ditames internacionais e evasivas nacionais cruzam-se novamente sobre as Lajes

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Entrevista com Eduardo Ferraz da Rosa

 

O Ministro dos Negócios Estrangeiros português referiu-se há dias, em termos controversos, a várias situações envolvendo a Base das Lajes. Como analisa essas afirmações?

Eduardo Ferraz da Rosa - Não é a primeira vez que Augusto Santos Silva – enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros (e recordo que foi igualmente Ministro da Defesa do famigerado José Sócrates...) – teve ocasião de se pronunciar sobre as Lajes, “dossier” que lhe deverá ou deveria ser bem familiar por várias e compreensíveis razões; umas de ordem estritamente governativa e político-partidária (quando não solidariamente patriótica), outras de superior calibre intelectual, epistemológico, ético e social. 

Porém, ainda pela proximidade indeclinável de mais exigentes razões, argumentos e discursos de fundo, outrossim subentendidos ou pressupostos, devo salientar que Santos Silva é um bom sociólogo de carreira universitária, cujo obra conheço bem e que de resto aprecio, especialmente pelos seus contributos metodológico-científicos e cujas categorias críticas seriam aliás muito úteis para aplicação à desmontagem dos seus desempenhos mediáticos e retóricas governativas como governante de Lisboa, tais aqueles que acaba de tornar a consumar...

Quanto às suas afirmações na última audição da Comissão de Negócios Estrangeiros da AR, onde foi abordado o teor dos assuntos debatidos, a 18 de Dezembro passado, na então 40.ª reunião da Comissão Bilateral Permanente, nada de muito novo ou surpreendente há a registar, excepção feita talvez à vivacidade, um pouco arriscada e imperativa, determinante (ou dogmática?) com que assegurou (garantiu ou subscreveu?) a suposta não existência (comprovada, mesmo sem o precaucional falsificacionismo da exclusão popperiana!?) de significativa relação etiológica, patogénica e epidemiológica entre a poluição/contaminação geradas (potenciadas?) pela profunda implantação estrutural e pela prolongada e vasta fixação, temporal e historicamente situáveis, do tão inter-nacionalmente e regionalmente consentido rasto do camuflado, semi-encoberto e desprezado complexo logístico-militar, materialmente bélico e letal, orgânico, físico-químico e radiológico norte-americano na Terceira durante meio século, com os paradigmáticos riscos, respectivas influências e suspeitosas repercussões eco-ambientais na Saúde Pública (sobretudo no pluri-factorial e pluridimensional campo das doenças oncológicas...). 

 

A questão da contaminação/descontaminação dos solos terceirenses tem marcado recentemente as agendas políticas locais, nacionais e internacionais. Neste domínio, como caracteriza o presente estado de coisas?

Desde logo, vale a pena salientar que aquelas afirmações de Santos Silva, em tom variável mas praticamente quase com dobrado conteúdo, haviam já sido proferidas anteriormente, tirando os lapsos sobre a inserção de verbas específicas no Orçamento americano, mas reincidindo sobre o horizonte e o andamento, alegadamente consensual e concertado, entre os governos de Lisboa e de Washington, no respeitante a mecanismos e acções saneadoras da comprovada e assente (des)contaminação ambiental! 

– De igual modo constata-se ali o recurso evocativo, contudo para impeditiva reserva ou omissão, porque em segredo diplomático, do enquadramento de complementares informações sobre o corrente processo da descontaminação e suas suplementares (compensatórias?) contrapartidas nacionais e regionais.

Todavia há a registar agora uma mais detalhada referência, nos Pontos 14 a 21 da Declaração Conjunta desta 40.ª Reunião da referida Comissão, às contendas localizadas como alvo de estudos (do Governo Regional/LNEC) identificações e intervenções conjuntas na limpeza ou encerramento (simples?) de diversos locais poluídos ou contaminados (caso dos Locais 2008, 2009, 3005, 3006, 3009 e 3012), na expectativa de outros possíveis ou pendentes (“possible closure of sites”), nos Locais 3001, 5013,5011 e 5012, e bem assim do curso do derrame de combustível no pit 18 do oleoduto do Cabrito, “a ser submetido ao 65th ABG [Air Base Group] através do mecanismo de reclamações previsto no Acordo sobre o Estatuto das Forças da NATO (SOFA) [Status of Forces Agreement]”.

De seguida, a dita Declaração (44 Pontos em Acta), numa evidente progressão narrativa e precisiva relativamente à sua 49.ª edição, para além das questões ambientais terceirenses, deixa ainda genericamente perceptível ou insinuado um crescente interesse das partes, com detectável inclinação portuguesa, como se esperava, para ancestrais e novas áreas da Defesa e Segurança Nacional, Ciência e Tecnologia Aeroespacial, Cibersegurança, Combate a Fogos Florestais, Clima e Oceanos, Comércio e Investimentos e Energia (GNL-Gás Natural Liquefeito).

– Resta dizer que foi mais precisamente sobre os conteúdos dos citados Pontos que incidiram as inquirições dos Deputados açorianos (terceirenses) Lara Martinho (PS) e António Ventura (PSD), ambos reclamando uma maior transparência na informação concreta e específica sobre os respectivos objectos, enquanto os parlamentares do BE e do CDS/PP fizeram perquiriram sobre o cumprimento da Legislação laboral e sobre quais os declarados “futuros usos adicionais para as Lajes”.

 

Ao longo de anos, em muitas intervenções públicas e em ensaios académicos, tem-se pronunciado criticamente e estudado várias das vertentes da presença norte-americana na Terceira, na Base das Lajes e no concelho da Praia da Vitória. Face ao que analisou, como encara hoje essa problemática?

Como é sabido, o que tenho procurado reflectir foi efectivamente mais conduzido a partir de uma perspectiva crítica, filosófico-política, teorética e antropológico-cultural, prendendo-se também com a chamada recepção da presença norte-americana entre nós, no que aí está presente de uma vasta problemática envolvendo representações sociais, modelos simbólicos e discursos identitários, para além naturalmente de uma atenção ao papel das elites e actores histórico-institucionais, socioculturais e políticos locais, no Arquipélago e fora dele, face, durante e após a chegada dos contingentes militares estrangeiros, com os seus densos impactos no exercício do Poder nacional/regional/local, na soberania, na economia produtiva tradicional, no comércio, no consumo de produtos e nos serviços, na estrutura patrimonial, laboral e fundiária (mormente na zona do Ramo Grande), nos hábitos e produtos de alimentação e vestuário, enfim, nos valores inculturados, usos, costumes, linguagens, imaginários e memórias comunitárias localmente vivenciadas, etc.

 – Assim, conferências como Estrangeiros “At Home”: Leituras de uma Recepção Histórica, apresentada no Colóquio Internacional sobre Terrorismo e Ordem Mundial (2002) ou Identidade, Diplomacia e História: Recepção, Representações e Heranças da Presença Aliada nos Açores, no Colóquio Internacional sobre Portugal e o Atlântico (Fundação Humberto Delgado/Assembleia da República, 2003) inseriram-se nessas leituras. 

Finalmente, tenho procurado atender ao confronto e rupturas mundividenciais que se verificaram neste frágil e dependente microcosmos insular, com os seus custos e cíclicos desafios (para retomarmos o título de uma pequena mas muito marcante e ainda actual obra, que tive o gosto de prefaciar em 1990, O Desafio Insular – do tão respeitável político português, governante açoriano e meu estimado amigo Mota Amaral), mas não à margem das grandes crises portuguesas, europeias e do Ocidente no seu todo (v.g. fragmentação dos Impérios Coloniais e do próprio projecto imperial lusíada, reconfiguração dos Blocos, hegemonias e polaridades, sobretudo desde o Estado Novo ao 25 de Abril de 74 e até hoje), sendo que o que se passa neste nosso tempo e à nossa volta é ainda reflexo e mutação acelerada de tudo isso, para o bem e para o mal... 

– Um outro projecto, sobre o qual conversámos e cuja fase de investigação empírica, articulada com o acompanhamento dos trabalhos clínicos e científicos de Jácome Armas no HSEIT e no SEEBMO, e que foi originalmente perspectivado academicamente para Doutoramento em Antropologia Médica e Psicossociologia da Saúde na Universidade do Porto (ICBAS), sobre o campo oncológico (uso aqui o conceito de campo tal como Bourdieu o tratou), devo acentuar a propósito, de facto nunca se debruçou especificamente sobre eventuais conexões geo-etiológicas à Base das Lajes. 

 

É sabido que tem proposto diferentes abordagens a todas estas situações. Como e em que medida lhe parece poderem as mesmas ser concretizadas?

Esta é uma complexa, conquanto muito apelativa, área multidisciplinar que vejo, com satisfação, ir merecendo lentamente, na sequência dos pioneiros trabalhos da Universidade dos Açores (v.g. CERIE) e respectivos parceiros, renovados e inovadores contributos e horizontes de abordagem académica, científica, ensaística e literária, alguns acolhidos pelos nossos Institutos açorianos e apoiados por Autarquias e mecenas ocasionais, para além de outros preciosos contributos, levantamentos e divulgação de fontes e pistas documentais, de relevo nacional (e assim se espera que sejam mesmo merecidamente lidos e potenciados!), como é o caso da recente e notável Tese de Doutoramento, orientada por António José Telo, de Armando Mendes. 

– Porém, infelizmente, o que não vejo, da parte da quase totalidade das instâncias políticas e aí individualmente também rotinadas, para além de uns pontuais balbucios irrelevantes, parlamentares ou mais ou menos mediocremente comissariados, é significativos empenhos sólidos, procura e aquisição de competências intelectuais, técnicas e decisórias, com afirmação de rigor institucional e confluente formação e mobilização de uma opinião pública esclarecida, credenciada, atendível, e só desse modo, ambas, respeitáveis e respeitadas... E receio mesmo que tenhamos perdido já grandes oportunidades geracionais e conjunturais, que a Autonomia poderia ter gerado e que estavam vivas na nossa esperança, quiçá utópica, de ver consolidadas nos nossos fatídicos dias... E depois, tentativas censórias ou coercivas, arriscadas e imponderadas, não só políticas quanto técnicas e mesmo de investigação científica, até ética e epistemologicamente retrógradas, a nada ajudam! 

Porém devo dizer o mesmo de certas arremetidas eivadas de um tentador anti-americanismo destemperado, de abusivas exigências de intromissão regional ou autárquica em áreas reservadas a representações nacionais soberanas, quando não a esboços de arregimentação popular municipal, com fixação de cartazes, palavras de ordem e megafones às portas e ouvidos da Base das Lajes (Base Aérea 4) e dos centros de decisão e tutela da Defesa e das Forças Armadas Portuguesas, como num famoso e contraproducente “relambório” praiense de 2003 (ver “Diário dos Açores” de 30.01.2003), que igualmente não propiciaram a abertura de canais de comunicação serenos, construtivos e adequados, diplomaticamente exequíveis e até constitucional e estatutariamente garantidos... 

É claro que tudo isto é tanto mais penoso e confrangedor quando se constata, desde há dezenas de anos, que as delegações negociais de Portugal (com ou sem o devido e atempado acompanhamento dos nossos amiúde e escusadamente chamados “seus” Açores...) nem sempre se apresentam no mais acreditado e reconhecido estatuto de preparação jurídico-política, diplomática, económica, cultural e argumentativa, como os próprios participantes nas mesmas têm sobejamente testemunhado para memória futura!

– Mas veja-se lá, voltando à questão principal desta Entrevista, que nunca fomos sequer capazes de organizar, para reflectir e melhor agir, uma verdadeiramente grande Conferência Internacional sobre a Base das Lajes e seus impactos! Mesmo no caso do downsizing, das contaminações eco-ambientais e seus diversos antecedentes, consequências e processos alternativos de enfrentamento, resistência e tentativa de superação, bastaria olhar para a Ásia e para o Pacífico, para a América Latina e para a Europa (Alemanha, Espanha e Itália), para vislumbrar o que temos ignorado... E não se trata só de uma questão envolvendo bases militares fora dos EUA – país aliado, nação amiga, sociedade livre e aberta à qual nos ligam muitos laços modelares de diáspora destinal e solidários antecedentes de acolhimento e até de miméticas sugestões de alternativa societária (quando não de protectorado...), a par de algumas ingratidões, desvinculações e sobrancerias ultrajantes... –, porquanto similares problemas tem-se colocado analogamente em muitas comunidades locais e estaduais no próprio território interno dos USA, como noutra ocasião poderei desenvolver.

De resto, no coração da Europa, na Polónia, por exemplo, a questão da penosa herança neste domínio é com a Rússia (antiga URSS), onde casos como o de Borne Sulinowo, talvez sejam muitíssimo mais dramáticos, apesar dos OCS russos, que pressurosamente visaram Portugal, os Açores e os Estados Unidos, deles se terem inocentemente esquecido ou deliberadamente deles tenham omitido as levianas mãos... 

– E nisto Santos Silva terá razão, ao menos sociologicamente (mas com mais teoria crítica e melhor filosofia social e política!) falando, pois, parafraseando o que ele escreveu em “Agir na Globalização”, a análise sociológica ao menos ajudaria a identificar problemas e a definir um quadro para discussão científica, longe dos sensos ou sentidos meramente comuns ou vulgares (também eles urdindo preconceitos, inócuas ideologias e falsas propagandas), porquanto, se respostas políticas “são certa e felizmente variáveis”, haveríamos, ao menos aí, de tentar entendermo-nos sobre “eixos temáticos” fundamentais, em torno dos quais poderíamos ainda reconstruir uma meta-narrativa séria, cívica, justa e democraticamente legitimada!

 

(*)Entrevista originalmente em parte concedida ao Diário Insular (09.03.2019). Agradecemos ao Dr. Eduardo Ferraz da Rosa, Professor Universitário e nosso estimado colaborador, a especial cedência desta versão, revista e muito aumentada do seu texto, para o nosso jornal.

 

Na padaria Flora “quero marcar a diferença e fazer diferente nos Açores”

padaria flora

Milton Oliveira é o novo rosto da padaria/pastelaria Flora localizada no Cabouco, concelho de Lagoa. Desde muito novo que este jovem empresário sempre se viu envolvido, como que em jeito de brincadeira, na azáfama desta empresa que, na altura, tinha outra proprietária. Milton Oliveira foi ganhando gosto por esta área e acabou por ser dedicar por inteiro a este ramo. Quando estava de malas feitas para ir abraçar um novo projecto em Londres, Milton Oliveira foi surpreendido com a ideia de ficar com a padaria Flora. Depois de duas semanas de ponderação, este jovem optou por desfazer as malas e agarrar este desafio desde Dezembro do ano passado. Ao Diário dos Açores o empresário de 28 anos conta quais os seus sonhos e novos projectos.

 

Diário dos Açores - Como nasceu a Padaria Flora?

Milton Oliveira – A padaria Flora já conta com cerca de 30 anos de existência e tudo começou por iniciativa de Iria Flora que, na altura, tinha um forno a lenha onde cozia pão de milho, massa sovada e biscoitos. Ainda antes de ter o edifício da padaria, a antiga proprietária fazia a distribuição porta-a-porta destes produtos, a pé, e que iam em cestas. Como cada vez mais iam surgindo mais solicitações, a produção foi aumentando e foi então que a Sra. Iria decidiu abrir o espaço físico da padaria Flora, sendo que a produção em forno de lenha manteve-se. Aliás, este forno ainda hoje existe e é utilizado actualmente, embora que muito pouco, uma vez que é necessário produzir também em formos eléctricos para termos uma melhor capacidade de resposta.

A minha ligação à Padaria Flora começou naquela altura quase que por uma brincadeira. Costumava ir ajudar a colocar lenha no forno, ajudava também na distribuição e ficava pela padaria a ver o que faziam e como se produzia o pão de milho e a massa sovada. Ainda hoje fazemos estes dois produtos de modo convencional.

Curiosamente eu queria ser polícia, mas o facto de ter ficado entre os 8 e os 16 anos de idade a ajudar na padaria fez-me gostar desta área. Quando cheguei ao 11º de escolaridade, sentia que o meu lugar era na padaria e foi quando decidi ir trabalhar a tempo inteiro para a empresa e, passados 4 anos, já era chefe do pessoal aos 21 anos de idade.

Mas também fiz outras coisas que me deram mais experiência; trabalhei no Mc Donald’s e, posteriormente, recebi uma proposta para ir trabalhar durante um ano e meio, em Portugal Continental, na Puratos Portugal. Esta experiência deu-me muita formação e fez-me crescer e evoluir muito ao nível profissional. Passado este tempo regressei aos Açores como técnico daquela empresa. Também fui a Paris fazer outra formação na área. Entretanto, acabei por sair da Puratos e passei por algumas pastelarias em Ponta Delgada, como o Paraíso das Delícias, o hotel Azor, local onde trabalhava muito a pastelaria fina, e também passei pela pastelaria Hintze 48 onde trabalhei uma pastelaria mais delicada.

Com isso, ao longo dos anos, a padaria Flora foi crescendo, com as vendas a aumentarem cada vez mais, mas uma doença fez estagnar o negócio. Como a antiga proprietária ficou muito doente, no final do ano passado, foi-me feito o convite para ficar a explorar a padaria. Fiquei num impasse, sem saber o que fazer, porque tinha acabado de receber uma outra proposta para ir para Londres. Até já tinha viagem marcada para 5 de Janeiro deste ano. Durante duas semanas pensei muito e estava muito indeciso. Foi uma decisão difícil pois Londres era também um sonho que gostava de concretizar. No entanto, depois de ponderar muito, acabei por aceitar a proposta de ficar a explorar a padaria/pastelaria Flora, até porque foi aqui que dei os primeiros passos e aprendi muito. Se sou hoje quem sou, devo-o, em parte, à Sra. Iria que sempre lutou muito. A antiga proprietária é uma pessoa de muita garra e toda a sua vida trabalhou muito no seu negócio. A força que ela sempre mostrou ter, é a força que tenho neste momento para levar este negócio e o nome da empresa para a frente. Quero daqui a uns anos poder entregar esta casa aos filhos da antiga proprietária com o sentimento de dever cumprido. Com trabalho tudo se consegue.

 

Que balanço faz destes meses?

MO – Um balanço muito positivo. Está a correr bem. É claro que há alterações que têm que ser feitas, principalmente voltar a dar a conhecer a padaria e dar mais visibilidade à empresa. Como já conheço um pouco do mercado, fruto da minha experiência como técnico, e como sei o que os clientes procuram, já tenho novidades para apresentar a curto prazo. Estou à espera de material que encomendei para poder aumentar a minha oferta em particular no que diz respeito a pastelaria. Actualmente ainda não tenho a variedade de produtos que desejo, tendo em conta as limitações de laboração, mas não estamos parados. Estamos a produzir o que já era hábito e vou introduzindo algumas novidades. Temos tido uma grande saída com as fofas, sendo um produto criado totalmente por mim e que já é uma referência na padaria. Os clientes estão a pedir cada vez mais produtos e tem sido um trabalho muito exigente para mim. O meu objectivo é passar a trabalhar com pão 100% natural e, para isso, quero fazer uma outra formação só para poder trabalhar com massas mães que têm uma fermentação a longo prazo. Isto quer dizer que para poder fazer, por exemplo, um pão, não se consegue fazer em apenas um dia, serão necessários entre dois a três dias.

Quero com isso marcar a diferença e fazer diferente nos Açores. Não quero ser só mais uma empresa aberta.

 

É um grande desafio que tem pela frente?

MO – Está a ser um grande desafio. A equipa está a crescer e vou continuar a trabalhar para poder crescer ainda mais e levar o mais longe possível o nome da Padaria Flora.

Não está a ser fácil, estou a trabalhar muitas horas por dia. Tem alturas que entro às 04h30 e só saio pelas 23h30, e isso está a ser muito complicado.

Actualmente a padaria conta com cinco colaboradores e já estou a equacionar a hipótese de colocar mais funcionários. Ao nível da equipa, estou a apostar em jovens sem formação, mas que têm gosto pela área e que querem aprender. Nos Açores há ainda muita falta de formação ao nível de padaria/pastelaria. Os turistas procuram cada vez mais produtos diferentes e inovadores e considero que seria uma boa aposta as escolas profissionais da Região abrirem cursos só nestas áreas. Já existem cursos de cozinha, onde se inclui a pastelaria, mas não se tem dado tanta importância à pastelaria.

 

Quais os seus projectos a curto e longo prazo?

MO – Já estou a pensar abrir um outro estabelecimento, de preferência na cidade de Lagoa, porque no edifício actual não tenho espaço para criar tudo o que ambiciono. Quero trabalhar outro tipo de pastelaria, onde os clientes, ao entrarem, fiquem a namorar com a montra. Quero avançar com este projecto. Sei que é um grande investimento e que não será fácil, mas quero dar um passo de cada vez, tendo como objectivo final concretizar este projecto que quero que seja diferenciador no mundo da pastelaria. A minha intenção passa por trabalhar a pastelaria fina. Também sei trabalhar com gelados e tenho ainda formação em chocolate. Ao nível das mentalidades, ainda não se vê por cá uma grande abertura relativamente a este tipo de pastelaria, mas com o tempo chegamos lá.

 

A ideia é ter uma padaria e uma pastelaria em dois espaços distintos?

MO – Sim, quero ter um espaço com fabrico só de pastelaria e outro só para padaria. Para já, vou ficar neste espaço durante cinco anos, onde também irei manter a pastelaria.

Gostava muito de poder ter este espaço no centro da cidade de Lagoa, porque é uma cidade que está a crescer e gostava de fazer esta aposta. Contudo, as exigências nesta cidade ainda não estão tão facilitadas como em Ponta Delgada, mas veremos quais são os desafios que me esperam.

 

Actualmente o que tem a padaria/pastelaria Flora para oferecer?

MO – Temos uma grande variedade de biscoitos, massa sovada, que é feita às Quinta-feiras e aos Sábados, e o pão caseiro que só era fabricado aos Sábados, e actualmente também estamos a cozer aos Domingos. Ao nível de padaria, também é preciso inovar porque estamos a receber muitas solicitações de clientes e é necessário ir ao encontro das necessidades dos nossos clientes. Já me pedem pão de água, de cereais ou outras variedades de pão de saúde e é preciso caminhar para alcançar este objectivo. Também ambiciono começar a trabalhar durante o dia com pão quente.

Mas quero ir devagar, trabalhando com a minha equipa que me tem ajudado muito a levar este desafio em diante.

 

É um ramo difícil?

MO – Não é difícil quando se ama o que se faz, e eu amo esta área e dou tudo por ela. Às vezes sinto que deixei muito de parte para poder prosseguir com este sonho. Já podia ter constituído família, e não o fiz ainda para me dedicar à minha vida profissional. É uma área fascinante e que nos envolve. Vou continuar a lutar para chegar mais longe na minha vida profissional. Obviamente que já penso em constituir família, até para ter alguém em quem me apoiar nestes meus projectos. Agora o que quero é que os materiais que encomendei que cheguem o quanto antes para eu poder oferecer mais e melhores produtos aos meus clientes.

 

Sente que esta é uma aposta que vai ser ganha?

MO – Sim, já está a ser ganha a avaliar pelos comentários que temos recebido dos nossos clientes. As pessoas estão satisfeitas e a gostar das inovações que temos introduzido. Ainda não estou no patamar que desejo, mas estou com força e vontade de lá chegar.

 

Eleições regionais vão ter novas regras para publicidade institucional

urna de votoAs eleições regionais nos Açores do próximo ano vão ter novas regras para publicidade política, caso avance a proposta apresentada pelo PS na Assembleia da República e que poderá gerar consenso com o PSD.

Com efeito, o Presidente do PSD defende que a proposta do PS com vista a clarificar as regras da publicidade institucional em tempo de eleições “é trabalhável”, mas Rui Rio quer negociar com os socialistas para que seja antecipada a data de entrada em vigor das novas regras, de forma a que sejam aplicadas nas eleições legislativas, marcadas para Outubro. 

“Se entra em vigor em 1 de Julho ou em 1 de Janeiro, podemos debater com o PS e com os outros partidos, sendo certo que se não entrar em vigor em 1 de Julho as normas ainda são mais apertadas e suscetíveis de terem leitura mais radical”, alertou.

O jornal i avança que, de acordo com a proposta entregue na Terça-feira no Parlamento, o PS quer aplicar as novas normas a partir de 1 de Janeiro de 2020. 

Desta forma, só terão efeitos nas eleições regionais dos Açores, que irão decorrer entre Setembro e Outubro de 2020 e nas presidenciais, em Janeiro de 2021.

Caso cheguem a consenso com os socialistas, o PSD admite não apresentar nenhum diploma. 

“Se o PS aceitar, não vale a apenas estar a duplicar para dizer ‘eu também apresento’”, afirmou, considerando que o mais importante é o país ficar com “o problema resolvido”.

São três as alterações que o PS quer fazer à lei eleitoral, em vigor desde 2015.

Os socialistas querem aplicar as restrições às iniciativas de propaganda política apenas durante o período de campanha eleitoral, duas semanas antes da data de cada eleição. 

Além disso, querem aplicar as restrições de forma “inequívoca” apenas às entidades envolvidas na eleição em causa. 

A proposta dos socialistas quer ainda ressalvar que a “actividade corrente dos serviços” fique fora dos “actos” que a lei proíbe por considerar propaganda política, revela ainda o jornal i.