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Açores são últimos em coesão e penúltimos no desenvolvimento regional

Ponta Delgada2Os Açores figuram em penúltimo lugar no Índice Sintético de Desenvolvimento Regional relativo a 2017, divulgado ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

 Para além de sermos das piores regiões desenvolvidas do país, só ultrapassada pelo Alto Tâmega, somos a pior de todas em Coesão, figurando em último lugar.

No Índice de Competitividade também figuramos no fundo da tabela, havendo apenas quatro piores do que nós.

De acordo com o estudo do INE, os Açores obtêm a sua melhor classificação apenas em Qualidade Ambiental, figurando em quinto lugar entre as 25 sub-regiões. 

O Índice Sintético de Desenvolvimento Regional (ISDR) baseia-se num modelo conceptual que privilegia uma visão multidimensional do desenvolvimento regional, estruturando-o em três componentes: competitividade, coesão e qualidade ambiental.

Com a divulgação dos resultados relativos a 2017, o INE dá continuidade ao ciclo de produção da versão 2 do ISDR, contemplando uma série de dados relativos ao período 2011-2017, correspondentes ao referencial da organização das NUTS III instituído pelo Regulamento (UE) n.º 868/2014 da Comissão, de 8 de Agosto (NUTS-2013).

 

Índice de Competitividade

 

Este índice pretende captar o potencial (em termos de recursos humanos e de infraestruturas físicas) de cada região em termos de competitividade, assim como o grau de eficiência na trajectória seguida (medido pelos perfis educacional, profissional, empresarial e produtivo) e, ainda, a eficácia na criação de riqueza e na capacidade demonstrada pelo tecido empresarial para competir no contexto internacional.

Os resultados de 2017 revelam que as sub-regiões com um índice de competitividade mais elevado se concentram no Litoral do Continente. A Área Metropolitana de Lisboa (113,18) apresentava o índice mais elevado destacando-se das restantes sub-regiões com valores superiores à média nacional: Região de Aveiro (105,75), Área Metropolitana do Porto (105,21) e Alentejo Litoral (101,90). 

O Interior continental e as regiões autónomas apresentavam um índice de competitividade mais reduzido em comparação com o Litoral continental.

Entre as três componentes do desenvolvimento regional, o índice de competitividade nas NUTS III portuguesas apresentava a maior disparidade regional, aferido pelo coeficiente de variação.

 

Índice de Coesão

 

O índice de coesão procura reflectir o acesso potencial da população a equipamentos e serviços colectivos básicos (saúde, educação, cultura), bem como perfis associados a uma maior inclusão social e a eficácia das políticas públicas traduzida no aumento da qualidade de vida e na redução das disparidades territoriais.

No índice de coesão, os resultados refletem um retrato territorial mais equilibrado que o observado para a competitividade na medida em que oito sub-regiões superavam a média nacional.

As NUTS III do litoral do Continente apresentaram os valores mais elevados: Área Metropolitana de Lisboa (106,78), Cávado (105,00), Região de Coimbra (104,66), Região de Aveiro (101,77) e Área Metropolitana do Porto (101,67).

As duas regiões autónomas, o território da região Norte, constituído pelo Tâmega e Sousa e pelo Douro e, a sul, o Baixo Alentejo apresentavam os índices de coesão mais baixos.

 

Qualidade Ambiental

 

A qualidade ambiental está associada às pressões exercidas sobre o meio ambiente e território, mas também aos respectivos efeitos sobre o estado ambiental (qualidade da água, do ar e utilização eficiente de energia) e às respostas em termos de comportamentos individuais e de implementação de políticas públicas.

Os resultados de 2017 refletem uma imagem territorial tendencialmente simétrica à da competitividade, verificando-se uma concentração de sub-regiões com índices de qualidade ambiental mais elevados no Interior continental e nas regiões autónomas, com o padrão territorial dos resultados desta componente a sugerir um aumento progressivo da qualidade ambiental do Litoral para o Interior continental. 

 

Desenvolvimento Regional

 

Em 2017, as quatro sub-regiões que se situavam acima da média nacional no índice sintético de desenvolvimento regional partilhavam a característica de estarem aquém daquele referencial em, pelo menos, um dos três índices parciais: por um lado, a Região de Aveiro e as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto não superavam a média nacional na qualidade ambiental; por outro lado, o Cávado não atingia a média nacional na competitividade.

No extremo oposto, com desempenhos abaixo da média nacional nos quatro índices, encontravam-se as NUTS III Algarve, Alto Tâmega, Médio Tejo, Oeste e Viseu Dão-Lafões.

O perfil regional mais comum, abrangendo 11 NUTS III, consistia num desempenho no índice de qualidade ambiental acima da média nacional e resultados nos índices de competitividade e de coesão inferiores ao valor nacional.

Este estudo e respectiva metodologia podem ser consultados no site do INE.

Pode haver “interrupção brusca” no dinamismo do mercado imobiliário

banco de portugalO Banco de Portugal (BdP) alertou ontem para uma possível “interrupção brusca” do dinamismo do mercado imobiliário, considerando que “eventuais alterações no quadro regulamentar nacional”, juntamente com outros factores, podem fazer baixar os preços.

“O abrandamento mais acentuado da actividade económica a nível global, decorrente em particular da materialização de eventos de tensão geopolítica, aumentos dos prémios de risco e eventuais alterações no quadro regulamentar nacional sobre o mercado imobiliário poderão vir a traduzir-se numa interrupção brusca do dinamismo do imobiliário e, consequentemente, num ajustamento em baixa dos preços”, segundo o comunicado do Banco de Portugal que acompanha o relatório.

O supervisor considera que “o mercado imobiliário português continua a estar particularmente dependente da intervenção de não residentes, seja por via do turismo, seja por via do investimento directo”.

Esta situação constitui um potencial risco para a estabilidade financeira no caso de haver “uma eventual redução acentuada e brusca da procura de imóveis por não residentes”, de acordo com Banco de Portugal.

“No último ano, o mercado imobiliário português manteve um dinamismo elevado, com um reflexo directo no volume de transacções e crescimento dos preços. Esta dinâmica tem sido justificada pelo crescimento económico, (...) mas também pelo ambiente de baixas taxas de juro e elevada liquidez, o qual induz comportamentos de procura por rendibilidade por parte dos agentes económicos”, pode ler-se no relatório.

Neste sentido, o Banco de Portugal adverte que “os bancos portugueses continuam a concentrar uma parte significativa das suas exposições no mercado imobiliário - essencialmente por via do crédito à habitação -, apesar da ligeira redução observada desde 2016”.

“A dinâmica dos preços pode representar um risco para a estabilidade financeira se introduzir prociclicidade no crescimento do crédito, nomeadamente num contexto de valorização excessiva dos preços”, reforça o supervisor no relatório.

O Banco de Portugal considera ainda que “continua a existir evidência de alguma sobrevalorização dos preços da habitação a nível agregado”.

O dia em que a ilha desceu à cidade…

6 de JunhoPassam hoje 44 anos sobre “a maior manifestação popular da história política dos Açores”, que invadiu a cidade de Ponta Delgada a 6 de junho de 1975. Vale a pena recordar aqui a revolta da lavoura e o desejo da independência, a ocupação do emissor e o encerramento do aeroporto, os presos para a Terceira e as promessas de Lisboa.

 

“A Lavoura açoriana está a ser explorada”

 

Este “Alerta da Associação Agrícola do Distrito de Ponta Delgada” fizera a manchete de capa do jornal Correio dos Açores, de 25 de maio de 1975, com “Alguns porquês que a Lavoura precisa conhecer”.

As razões de descontentamento da discriminação da lavoura açoriana foram colocadas, preto no branco, em comunicado de véspera da entidade representativa dos lavradores micaelenses, então dirigida por António Maria Correia do Carmo, Ezequiel de Melo Moreira da Silva, Miguel de Sousa Cordeiro Amarelo, Tibério Fernandes Vasconcelos Pereira e Duarte Miguel da Silveira do Canto Tavares:

“Foi dado conhecimento público de uma exposição que dirigimos a Sua Excelência o Ministro da Agricultura, em 28 de abril findo, sobre a situação da Lavoura Distrital e em que se referia o tratamento de exceção que a Lavoura açoriana vem sofrendo de longa data, com graves prejuízos para as atividades agropecuárias e onde se afirmou que “a Lavoura Açoriana continua a ser preterida em relação à do Continente, porquanto tudo o que produz obtém preços inferiores aos auferidos pela congénere do Continente e com a agravante dos elementos que adquire para fomentar a produção terem aqui preços muito mais elevados.” (Correio dos Açores, 25 de maio de 1975)

Estava feita a denúncia e demonstrada a discriminação – a Lavoura açoriana paga mais e ganha menos. Por isso estava a preparar-se uma manifestação de protesto: “Relacionada com a situação da lavoura, está programada para a próxima 6ª feira uma grande manifestação em Ponta Delgada promovida por lavradores.” (Açores, 4 de junho de 1975)

Faltavam dois dias para o 6 de junho…

 

NATO adia o 6 de junho para sexta-feira 13

 

Quando foi conhecida a intenção da lavoura micaelense organizar uma manifestação de protesto pelas ruas da cidade, o governador civil do Distrito de Ponta Delgada, António Borges Coutinho, faz chegar aos jornais micaelenses um comunicado conjunto com o Comando-Chefe dos Açores anunciando o adiamento da manifestação para não perturbar a escala de uma Esquadra da NATO no porto de Ponta Delgada:

“Estando preparada uma manifestação de lavradores na cidade de Ponta Delgada, para a próxima 6ª feira, dia 6, e tendo-se gerado à volta desta manifestação um clima de desassossego de que podem resultar perturbações tendentes a criar uma imagem destorcida do nosso país na presença das guarnições da Esquadra da NATO que nos visita nesse mesmo dia, o Governador Militar dos Açores e o Governador do Distrito Autónomo de Ponta Delgada determinam que tal manifestação não seja realizada. Pode, contudo, a manifestação pretendida pelos lavradores ter lugar na 6ª feira seguinte, dia 13 do corrente mês de junho, se assim for do seu interesse.” (Açores, 5 de junho de 1975)

 

“Marco histórico da vida dos Açores”

 

Mas a “grandiosa manifestação” saiu mesmo à rua no dia 6 de junho de 1975 e foi prontamente considerada um “marco histórico da vida dos Açores”, registando, como primeira consequência, que “o dr. Borges Coutinho pediu a demissão do cargo de Governador Civil do Distrito”, conforme reportagem da imprensa local:

“Apesar do comunicado conjunto do Comandante-Chefe dos Açores, General Pinto de Magalhães, e do sr. dr. Borges Coutinho, Governador do Distrito, a manifestação que a Lavoura decidiu organizar foi uma realidade. Muito se falou de medidas preventivas, mas a verdade é que houve sempre a sensação de que a manifestação iria por diante prosseguindo em febril atividade os preparativos. A FLA que tanto tem dado que falar, que tanta inscrição fez por esta ilha fora, algumas exigindo muita audácia, movimentou todos os seus recursos e cedo se concluiu que a manifestação só poderia ser travada por uma ação de violência que todos confiavam não estava na vontade de ninguém desenvolver.

“O ambiente de ontem de manhã por toda a ilha era tenso, especialmente na cidade. Ao começo da tarde começou a movimentação e cerca das 14 horas centenas de manifestantes começaram a desfilar. Concentrada no Campo de São Francisco a multidão foi engrossando e ao chegar à Rua Conselheiro Luís Bettencourt em frente ao Palácio da Justiça era impressionante o cortejo que se encaminhava para o centro da cidade. Surgiram dezenas de cartazes com alusões às dificuldades da Lavoura e aos desejos de “Independência” do povo açoriano erguidos por gente de todas as idades e das mais variadas classes sociais. Lavradores dos mais importantes desta ilha aos mais modestos alinhavam ombro a ombro gritando frases de incitamento. Havia senhoras e homens, crianças de todas as idades, gente de todos os setores de atividade. Entretanto, os estabelecimentos comerciais encerravam. Outros à passagem dos manifestantes também interromperam as suas atividades e os empregados tomaram parte no desfile. 

“A manifestação já com muitos milhares de pessoas subiu a Rua dos Mercadores, a Rua dos Clérigos, desceu a Rua Dr. Caetano de Andrade, subiu a Travessa da Graça, desceu a Rua de São João e ao passar na Rua da Misericórdia vaiou o Partido Comunista e os seus dirigentes. Poucos polícias se viam e todos desarmados. Nenhum militar apareceu a intervir. A manifestação decorria aliás na melhor ordem. Prosseguiu sempre juntando cada vez mais gente pela Rua António Joaquim Nunes da Silva, Rua Machado dos Santos e Rua Marquês da Praia e Monforte. 

“Depois foi a concentração final frente ao Palácio da Conceição. Milhares de pessoas enchiam por completo as ruas e jardins envolventes ao Governo Civil. Os gritos de demissão não cessavam. A certa altura surgiu à varanda o sr. dr. Borges Coutinho. Tremendamente pálido enfrentou a multidão (que o apupava violentamente) com grande dignidade. A muito custo conseguiu proferir as seguintes palavras: “Tenho para vos dizer que acabo de pedir a minha demissão”. (Açores, 7 de junho de 1975)

 

A ocupação do Emissor e do Aeroporto

 

Confirmada a demissão do Governador, “a multidão começou a dispersar, mas muito lentamente”. Ainda assim, o dia não estaria terminado.

“Grande grupo dirigiu-se para o Emissor Regional dos Açores cujas instalações invadiu, exigindo a demissão do locutor João Coelho e a entrada de locutores micaelenses. Os nomes de Victor Cruz, Furtado Costa e Aguinaldo de Medeiros foram repetidamente gritados. Estabeleceu-se grande confusão quando surgiu uma força da marinha de guerra armada, acompanhando o comodoro Emanuel Ricou. Apupos e gritos de desacordo pela presença da força armada atingiram grande violência até que os marinheiros se retiraram.

“Cerca das 19 horas um grande grupo de manifestantes dirigiu-se ao Aeroporto de Ponta Delgada. Perante a surpresa dos guardas e pessoal de serviço, sete grandes camiões entraram no aeroporto, atravessando-se na pista para evitar o movimento de aviões. Os populares que ocuparam o Aeroporto alegavam que pretendiam evitar a saída de dinheiro das filiais desta cidade dos bancos com sede em Lisboa e o controle da entrada e saída de pessoas. Às 3 horas da madrugada, centenas de pessoas ainda se mantinham no aeroporto.” (Açores, 7 de junho de 1975)

 

General põe “água na fervura” 

 

Decididamente, era preciso acalmar os ânimos da população micaelense. Foi isso que fez Altino Pinto Magalhães, aos microfones do Emissor Regional dos Açores, já com recurso a generosos compromissos concretos:

“Medidas urgentes em cuja execução se vai empenhar o General Comandante-Chefe dos Açores: (1) Nomear novo Governador; (2) Prorrogar por 3 meses o vencimento das letras em processo; (3) Preços nacionais para materiais básicos de construção, ferro e cimento; (4) Abaixamento dos custos de fretes marítimos para o nível internacional, nos sentidos Açores-Lisboa-Açores; (5) Fabrico das rações no arquipélago, com importação direta dos seus componentes; (6) Abrir a exportação de carnes; (7) Abrir a exportação de madeiras; (8) Estudar com prontidão o justo preço do leite; (9) Difundir normas sobre o processamento do crédito; (10) Estudo do problema de definição de um estatuto de autonomia administrativa para o Arquipélago dos Açores.” (Açores, 8 de junho de 1975)

Mas o pior ainda estava para vir…

 

Os presos do 6 de junho

 

O dia 10 de junho amanheceu em Ponta Delgada com o estrondo de uma notícia surpreendente – dezenas de micaelenses, de reconhecimento social, foram presos por causa da manifestação popular e transportados “para averiguações” em Angra do Heroísmo.

“O Comando-Chefe dos Açores dá conhecimento de que foram detidos para averiguações os indivíduos que a seguir se mencionam, por recaírem sobre eles suspeitas de terem promovido ou participado ativamente na manifestação realizada no passado dia 6JUN75, em Ponta Delgada, que havia sido proibida, e no decurso da qual foi incitada a população para a independência do Arquipélago e foram promovidas ações de tentativa de ocupação do aeroporto e do Emissor Regional dos Açores desta cidade.” (Açores, 10 de junho de 1975)

Totalizavam 35 as detenções para averiguações realizadas em três operações nas ilhas de São Miguel e Terceira: Abel da Câmara Carreiro, Aguinaldo da Silva Almeida Carneiro, Álvaro Pereira Branco Moreira, António Brum de Sousa Dourado, António Clemente Pereira da Costa Santos, António José de Amaral, António Manuel Gomes de Meneses, António Nuno Alves da Câmara, Armando Guilherme Goyanes Machado, Bruno Tavares Carreiro, Carlos Eduardo da Silva Melo Bento, Eduardo José Pereira de Almeida Pavão, Fernando Manuel Mont’Alverne de Sequeira, Gualberto Borges Cabral, Gustavo Manuel Soares Moura, João Gago da Câmara, João Luís Soares dos Reis Índio, João Manuel Furtado Rodrigues, José Joaquim Vaz Monteiro de Vasconcelos Franco, José Manuel Duarte Domingues, José Nuno de Almeida e Sousa, Luís dos Reis Índio, Luís Manuel Duarte Domingues, Luís Maria Duarte Moreira, Luís Octávio dos Reis Índio, Luís Ricardo Vaz Monteiro de Vasconcelos, Manuel da Ponte Tavares de Brum, Manuel Oliveira da Ponte, Tomaz Faria Caetano, Valdemar de Lima Oliveira e Victor do Carmo Cruz, todos na ilha de São Miguel, bem como José Manuel Rodrigues dos Santos, José Silvério Bispo, Luís Soares Guido de Castro e Paulo Tadeu Mendes Brum Pacheco, na ilha Terceira.

 

Ponta Delgada volta à normalidade (?)

 

“Depois dos lamentáveis incidentes dos últimos dias, iniciados com a manifestação do dia 6, Ponta Delgada voltou à normalidade” – escreve o jornal Açores do dia 12 de junho: “Terminaram os dispositivos de segurança no Emissor Regional dos Açores e no Aeroporto de Ponta Delgada durante o dia. Os militares regressaram aos quarteis e empenham-se agora, ativamente, coadjuvados pela população, em limpar as paredes da cidade.”

Apesar da limpeza de fachada, ainda iria correr muita tinta…

 

Por: José Andrade (Baseado no seu livro 1975 | INDEPENDÊNCIA? - O ‘Verão Quente’ nos Açores, Volume II da Trilogia “Anos Decisivos”, editado em 2015 por Letras Lavadas)

Judiciária detém suspeito de ter abusado sexualmente de duas crianças

PJ cracháA Polícia Judiciária (PJ), através do Departamento de Investigação Criminal de Ponta Delgada, identificou e deteve um indivíduo do sexo masculino, pela presumível prática de múltiplos crimes de abuso sexual de criança, de que foram vitimas dois meninos, irmãos entre si, que actualmente têm 8 e 12 anos de idade.

Conforme se pode ler na nota enviada pela PJ, “os abusos, tiveram o seu início aproximadamente há dois anos, quando as crianças tinham apenas 6 e 10 anos e ocorreram reiteradamente ao longo desse período de tempo, no concelho de Ponta Delgada, num espaço rural propriedade dos pais”.

A mesma nota dá conta que “o suspeito tirou vantagem do facto de ser vizinho dos pais das crianças e ter ainda um certo grau de parentesco com elas, sendo frequentador habitual da casa, para as ter sujeitado a agressões sexuais de vária índole.

O detido, com 19 anos de idade, irá ser presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coacção tidas por adequadas.

Terapias de Medicina Tradicional Chinesa e Japonesa ganham força em São Miguel

reflexologia podal

Paulo Pacheco, formou-se em Reflexologia Podal pelo Instituto de Medicina Tradicional – Delegação do Porto, entidade que se assume como um dos mais conceituados estabelecimentos de ensino no campo das Medicinas Tradicionais em Portugal. Pelo mesmo instituto frequentou um workshop de protocolos de Shiatsu para patologias musculo-esqueléticas No seu percurso académico possui, ainda, uma Licenciatura e um Mestrado na área das Relações Internacionais e uma Pós-Graduação no campo das Ciências da Informação e Documentação.

O terapeuta explicou ao Diário dos Açores em que consistem as terapias que aplica actualmente na ilha de São Miguel, revelando que se tratam de procedimentos de autocura cujos benefícios estão já comprovados.

 

Diário dos Açores - O que é a reflexologia?

Paulo Pacheco - A Reflexologia é uma terapia de Medicina Tradicional Chinesa cujos primeiros registos datam de 5.000 a.C. A palavra “reflexologia” pode ser definida de várias formas diferentes, embora derive da palavra “reflexo”. Enquanto terapia, reflexologia significa que os nossos órgãos se encontram reflectidos (como uma imagem de espelho) nalgumas partes do corpo e assenta no desencadear de uma resposta nervosa inconsciente. Assim, podemos dizer que reflexologia significa estimular as zonas do corpo onde os nossos órgãos se encontram reflectidos, de modo a repor o equilíbrio e/ou a estimular o poder de autocura do organismo. Cada parte do corpo contém a informação do todo. Neste sentido, a Reflexologia é uma verdadeira terapia holística (do grego holos: inteiro), ou seja, que trata o indivíduo no seu todo. Tenta, assim, harmonizar as dimensões emocionais, mentais, espirituais, sociais e físicas da pessoa, sendo ao mesmo tempo, preventiva, curativa e fonte de bem-estar, devido ao relaxamento que induz.

 De notar que não substitui qualquer tratamento médico. A reflexologia é, sim, uma forma de completar um tratamento, dinamizando a sua acção e favorecendo uma recuperação mais rápida do estado geral. 

A reflexologia podal continua a ser a mais utilizada das reflexoterapias, uma vez que os pontos de tratamento são de fácil acesso no pé facultando um profundo bem-estar. 

 

Quais as vantagens e benefícios desta terapia?

PP - As vantagens e os benefícios são inúmeros, desde já por ser uma Terapia Natural, pelo que não trabalha com químicos. É uma terapia holística que trata o nosso corpo como um todo e que induz um relaxamento profundo o que, nos dias de hoje, é cada vez mais importante uma vez que segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) 90% da população mundial sofre de stress e esta patologia é reconhecidamente um factor desencadeador de inúmeras patologias físicas, para além das mentais. Para além disso tem a capacidade de normalizar funções corporais e melhorar a circulação sanguínea.

A Reflexologia apresenta inúmeras indicações terapêuticas começando desde logo pelos desequilíbrios emocionais, stress, depressão, ansiedade mas actuando igualmente em algias, ou seja dores, obstipações, cistites, recuperação pós operatória, cuidados paliativos e obstetrícia (excepto gravidez de risco). 

 

Em concreto como se aplica e a quem?

PP - O toque e a pressão são recebidos por determinado tipo de receptores existentes na pele que são, na realidade, terminações de neurónios aferentes, ou sensitivos, que enviam mensagens ao cérebro através dos gânglios nervosos e da medula espinhal. No cérebro, é elaborada uma resposta que viaja através dos neurónios eferentes, ou motores, de novo pela medula espinhal, sendo, então, trazida ao órgão correspondente onde exerce um efeito positivo, corrigindo qualquer anomalia eventualmente existente. A Reflexologia trabalha assim através de estímulos nervosos.

No que respeita à sua aplicabilidade a Reflexologia pode ser aplicada em todas as idades e as únicas restrições são a grávidas de risco, quem apresente processos infecciosos, febre ou sob efeito de substâncias que alterem o estado de consciência do indivíduo.

 

Quais os princípios da Reflexologia?

PP - Sendo uma Terapia Natural a Reflexologia assume os sete princípios da Medicina Natural que se baseiam primeiro no facto de não causar dano ao paciente; segundo, o Terapeuta é um professor, ou seja, explica toda a estratégia terapêutica, que tem que ser validada pelo paciente. Após explicarmos a estratégia, o paciente decide se a quer fazer ou não. Em terceiro, e como já referi anteriormente, trata o paciente como um todo, em quarto identifica a causa do problema, o que significa que se um paciente tem uma patologia que se manifesta de uma determinada forma devemos ir à raiz do problema, na maioria dos casos a medicação serve apenas para camuflar a situação, muitas das vezes trata-se apenas o sintoma ao invés de se ir à causa do problema.

O quinto princípio assume que a prevenção é a melhor cura, um organismo saudável é mais resistente como é óbvio, o sexto princípio assenta na promoção e estabelecimento da saúde e bem-estar.

Por último e um dos mais importantes fundamenta-se no poder curativo da natureza e na capacidade de autocura do nosso organismo. Princípio este que foi consubstanciado pela teoria de autopoiese dos investigadores chilenos Varela e Maturana em 1974. Poiesis é um termo grego que significa produção. Autopoiese quer dizer autoprodução. Os seres vivos são sistemas que se produzem continuamente. Somos autopoiéticos por definição, porque temos capacidade de recompor continuamente os nossos componentes desgastados. 

Desta forma, sendo detentores desta capacidade de autoprodução e sendo o papel do terapeuta a de estimulação da capacidade da autocura de desiquilíbrios energéticos, é fundamental a obtenção de um compromisso por parte do paciente pois a cura cabe ao paciente e não ao Terapeuta. O Terapeuta é apenas um meio.

 

Que tipo de problemas cura? Físicos, mental ou ambos?

PP - A Reflexologia tem larga aplicabilidade tanto para problemas físicos como mentais/emocionais no entanto é importante salientar que também apresenta limitações. Após a recolha dos dados do paciente e da patologia em causa e antes de iniciar um tratamento explico ao paciente o que é expectável que aconteça e nos casos em que a Reflexologia é “curta” ou não tão eficaz quanto outros tratamentos explico isso, esse é um dever ético. Já tive pacientes em que confrontado com determinadas patologias recomendei que recorresse à Medicina Convencional quer para apurar o diagnóstico quer para um tratamento mais eficaz. A Medicina Tradicional só vai até onde pode.

 

Há procedimentos a ter antes de uma sessão?

PP - Sim, antes de se passar para aplicação dos estímulos o terapeuta deverá certificar-se que o paciente não deve estar de barriga cheia, deve proceder à recolha dos dados do paciente e consequentes queixas e hábitos de vida. Posteriormente há uma explicação de toda a estratégia que é validada, ou não pelo paciente. No caso de ser aceite o paciente assina uma ficha de consentimento informado e passamos então para a aplicação dos estímulos após ser efectuada uma higienização dos pés, por parte do terapeuta.

 

As sessões são contínuas?

PP - Cada caso é um caso mas a intenção primária é alcançar a homeostasia (equilíbrio do organismo) o mais rapidamente possível de modo a libertar o paciente das sessões.

No caso de uma patologia se apresentar numa fase aguda, as sessões são menos espaçadas para se poder intervir rapidamente, aumentando este espaçamento com as melhorias demonstradas. Numa fase posterior, após alcançar a homeostasia ou equilíbrio o paciente pode, ou não, fazer uma sessão pontualmente para ir estimulando a capacidade curativa e de autorregeneração.

 

Também desenvolve terapias Shiatsu. Em que consistem?

PP - O shiatsu é uma terapia japonesa que consiste na massagem de determinados pontos no corpo através da pressão exercida pelas mãos e dedos (a própria palavra “shiatsu” pode ser traduzida literalmente por “pressão com os dedos”). Tal como a acupuntura, assenta no princípio da existência de canais energéticos no organismo (designados por meridianos) e de fluxos de energia vital (ki) responsáveis pelo equilíbrio e saúde. De acordo com a filosofia do shiatsu, quando estes fluxos são afectados, o organismo começa a revelar sintomas como dores musculares ligeiras, dores de cabeça ou problemas digestivos. Esta terapia permite restabelecer a harmonia no organismo. É uma das principais terapias manuais praticadas no Japão, e tem sido alvo de um interesse crescente na Europa e nos Estados Unidos, estando integrado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no grupo da Medicina Complementar e Alternativa. Os seus efeitos, sobretudo no alívio da tensão muscular, contribuem para que seja considerada uma terapia não invasiva que promove o bem-estar geral e ajuda a combater o stress e a dor. É, por isso, indicada como tratamento complementar em doenças reumatológicas – fibromialgia, artrose ou artrite reumatoide.

 

Qual a formação que fez para se dedicar a esta área?

PP - Presentemente detenho o curso profissional em Reflexologia Podal, que é a base da minha formação, frequentei um workshop em Shiatsu para lesões musculo-esqueléticas que me permitem, apenas, intervir em determinadas patologias e mediante protocolos terapêuticos previamente estipulados. Neste momento encontro-me a tirar o curso profissional em Auriculoterapia ou seja acunpuntura na orelha. O curso profissional que tenho, o que estou a tirar bem como o workshop foram todos tirados em regime presencial no IMT, Instituto de Medicina Tradicional, no Porto e em Lisboa. Este é um dos Institutos mais conceituados em Portugal no ensino das Terapêuticas não convencionais. 

O IMT é acreditado pela DGERT - Direcção-Geral do Emprego e das Relações do Trabalho consequentemente toda a formação que detenho é certificada pela DGERT que confere um Certificado de Formação Profissional emitido como previsto no SNQ – Sistema Nacional de Qualificações.

 

Era uma lacuna existente em São Miguel?

PP - Se era uma lacuna ou não, é muito relativo, independentemente do que existia e existe eu prefiro encarar-me como uma possível mais-valia, à semelhança de todas as outras valências e áreas de intervenção.

 

Como lhe surgiu o gosto por estas terapias?

PP - Comecei a entrar em contacto com a Medicina Natural ou Terapêuticas Não Convencionais em 2016 numa fase conturbada da minha vida e de grande convulsão interior e a verdade é que esse contacto permitiu-me não só ultrapassar essa fase como encarar de uma forma diferente a situação e a própria vida. Eu acredito que nós não crescemos na prosperidade e sim na adversidade, é a dificuldade e a insatisfação que nos compelem a mudar a nossa situação, a lutar pelo que queremos e achamos melhor. Eu aproveitei para tentar crescer na adversidade, hoje olho para trás e, inclusive, agradeço essa fase que, na altura,  me pareceu menos boa. Após perceber o potencial destas terapêuticas decidi dedicar-me a elas porque tal como elas me ajudaram eu poderia ajudar muitas outras pessoas.

 

Por cá, a sociedade está familiarizada com estas terapias?

PP - Por cá quando se fala em Medicina Natural, Tradicional Chinesa ou Técnicas Não Convencionais associa-se imediatamente à acunpuntura e é natural que assim seja pois esta está enraizada há muito tempo aqui na ilha. Tenho notado uma grande curiosidade em relação à Reflexologia e o feedback tem sido interessante pois normalmente quem experimenta recomenda, reconhece e volta.

É engraçado ver no fim da sessão a cara de admiração dos pacientes quando nos referem ter sentido calor numa zona do corpo, terem sentido os movimentos peristálticos ou simplesmente um relaxamento profundo quando estimulamos determinadas zonas nos seus pés. Ficam curiosos e perguntam a que órgão ou zona corresponde a área reflexa em determinada parte do pé e quando lhes respondo ficam estupefactos pois afirmam ter sentido, por exemplo calor no ombro quando estimulava precisamente a área reflexa do ombro nos seus pés.

 

Como se pode fazer para marcar uma consulta?

PP - As sessões são realizadas no SP Fitness Boutique na Rua São Francisco Xavier, 24 e as marcações podem ser efectuadas através do número 917 333 208, do e-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. ou da página do facebook @terapeutapaulopacheco.