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Número de hóspedes estrangeiros muito superior ao número de passageiros desembarcados

turismo aeroportoOs dados estatísticos disponíveis sobre hóspedes e passageiros nos Açores continuam a não bater certo. Este ano (como em outros), o Serviço Regional de Estatística (SREA) refere que nas unidades hoteleiras regionais houve cerca de 126 mil hóspedes estrangeiros, mas as estatísticas sobre transportes apenas referem 91 mil estrangeiros desembarcados. Trata-se de uma diferença de 38%.  No mês de Agosto, a diferença é ainda maior: quase 33 mil hóspedes quando apenas desembarcaram menos de 22 mil estrangeiros, o que é uma diferença de 50%.
O conceito estatístico de “hóspede” é “um indivíduo que efectua pelo menos uma dormida num estabelecimento turístico”. Ou seja, um turista que durma uma noite num hotel em Ponta Delgada e no dia seguinte decida instalar-se noutro nas Furnas, será contabilizado como dois hóspedes. Num cenário ainda mais verosímil, um turista que durma em Ponta Delgada e faça um périplo por outras ilhas, será considerado “hóspede” em cada unidade hoteleira em que pernoite. O problema é que os dados não sugerem esse cenário.
Desde logo porque a média de noites por hóspede, que de Janeiro a Agosto deste ano é de 3,16, se bem que pequena, está ligeiramente acima da média nacional, que é de 2,95, e apenas abaixo da Madeira, com 5,5, e do Algarve, com 4,7. Contabilizando apenas os estrangeiros, a média açoriana aumenta para 3,93.
Por outro lado, o número de passageiros estrangeiros em trânsito também não parece revelar esses turistas. Refira-se que esse dado estatístico não parece destinado a compreender o fenómeno do turismo. Em 2013, os valores oscilam entre 7915 em Janeiro e 2.094 em Agosto. Uma grande parte desses valores diz respeito às Lajes. O SREA, contactado pelo DA, refere que “quanto ao n.º relativamente elevado de passageiros em trânsito no tráfego internacional, principalmente no aeroporto das Lajes, tal situação deve-se sobretudo a escalas técnicas (abastecimento de combustível / outros). Relativamente ao conceito de passageiros em trânsito, existem dois:  - Passageiro em trânsito direto: Passageiro que, após uma breve paragem, continue a sua viagem na mesma ou outra aeronave, mas com o mesmo número de voo (caso da Travel Service); -  Passageiro em trânsito indireto ou em transferência: Passageiro que chega à infraestrutura aeroportuária considerada, numa aeronave com um determinado número de voo e parte num lapso de tempo determinado nessa aeronave ou noutra, mas com diferente número de voo”.
Refira-se que os dados apresentados pelo SREA não têm esses dados desagregados. O SREA reconhece essa limitação: “nós não conseguimos obter essa desagregação, uma vez que a informação recolhida não permite fazer esse tipo de apuramento. Só junto dos respectivos aeródromos/aeroportos é que poderá obter essa informação, sendo certo que pelo conhecimento que temos, será muito difícil, senão mesmo impossível”.
O facto, no entanto, é que no mês de Agosto os eventuais turistas em trânsito para outra ilha estão incluídos num total de 2.094 desembarques. Mesmo que se finja que as escalas técnicas não existem neste mês, a soma dos passageiros estrangeiros desembarcados com os passageiros internacionais em trânsito, representaria 72,7% do número de hóspedes registado! Onde estão os restantes quase 9 mil hóspedes?

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“Oficina agro-alimentar” quer rentabilizar produtos excedentários em S. Miguel

LegumesUma quinta em Rabo de Peixe, verá surgir em 2014 uma “oficina agro-alimentar” dirigida a públicos de diversas idades, sendo o objectivo rentabilizar produtos excedentários.
“Vai ser um espaço que nos vai permitir abrir a quinta ao público de forma organizada”, afirmou à agência Lusa Paulo Decq, proprietário do espaço, acrescentando que o projecto, apoiado com fundos comunitários, deverá começar a funcionar em 2014.
Paulo Decq, a mulher Inês e os três filhos trocaram em 2001 “uma vida de stress” em Lisboa pela “calma e qualidade de vida” de S. Miguel, tendo definido como objectivo de vida a recuperação de uma quinta de família, “que estava em decadência” e onde hoje produzem e vendem de forma personalizada diversos legumes, cuja existência na ilha estava dependente da importação.
Além de uma parte pedagógica, direccionada para a visita de grupos de alunos das escolas, a oficina pretende também atrair turistas, tornando-se ponto de paragem nos roteiros da costa norte da ilha de S. Miguel enquanto espaço agrícola, proporcionando diferentes experiências e aprendizagens.
Segundo Paulo Decq, o projecto da oficina vai permitir criar postos de trabalho e vender o excedente da produção agrícola da quinta na loja e no restaurante.
O proprietário da Quinta dos Sabores explicou, também, que a oficina agro-alimentar já esteve licenciada como restaurante, mas por falta de capacidade financeira o projecto teve de ser adiado e dada primazia à produção e trabalho agrícola.
Apesar de não ter certificação de produção biológica, a produção de alface, rúcula, mostarda, couves, tomate cereja e ervas aromáticas é feita de forma natural e sem recurso a químicos, o que “garante a qualidade e durabilidade dos produtos”, que são consumidos localmente.
Todas as semanas entregam em casa de 40 a 50 clientes, de várias idades e condições sociais, cestas personalizadas, com legumes cultivados em seis estufas e apanhados no próprio dia, cujo preço varia entre os sete e os 22 euros.
“Temos uma relação muito directa com os clientes, a nível de telemóveis. De segunda a sexta fazemos a distribuição”, disse à Lusa Inês Sá da Bandeira, acrescentando que é um “imenso gozo, até numa altura de crise em que as pessoas estão com alguma dificuldade, poder servir bem os clientes e encher bem os cabazes”.
“Começamos a trabalhar muito vocacionados para a hotelaria, restauração e começamos por brincadeira com a questão das cestas, que se fazia e faz lá fora. Hoje em dia, passados estes cinco/seis anos, 90% do nosso trabalho é dedicado aos cabazes”, revelou Paulo Decq.
A Quinta dos Sabores, localizada em Rabo de Peixe, já foi dedicada à laranja, depois ao maracujá e agora está vocacionada para a produção de legumes diversificados.

Número de dormidas aumenta com contenção dos proveitos da hotelaria

turistasO número de dormidas na hotelaria açoriana atingiu em Agosto as 184 mil, o que representa um crescimento de 5% em relação a igual mês do ano passado. Este valor é semelhante ao registado em 2008 e poderá marcar uma inversão significativa. De Janeiro a Agosto, o número de dormidas registou um aumento de 7,6%.
A recuperação dos proveitos é mais humilde, com um aumento de 2,75% em Agosto e de 3,11% de Janeiro a Agosto. O sector facturou até ao momento 31,9 milhões de euros, um montante que só é superior ao do ano passado (desde 2007). Em média, cada dormida representou 41,8 euros de proveitos, o que é o mais baixo valor do país (a média nacional é de 46,6 euros.
No mês de Agosto, a média foi de 43,3 euros por dormida, o que ficou igualmente bastante abaixo da média nacional de 48,6 euros, embora não seja o mais baixo do país. Em termos dos proveitos de aposento (que reflectem o preço do quarto) a média foi de 33,36 euros em Agosto que está abaixo da média nacional de 36,8 euros, e de Janeiro a agosto 30,9 euros, contra a média nacional de 33,14 euros.
Houve uma variação de -10,6% nos turistas nacionais e de 20,7% nos estrangeiros. Com um aumento de 26,9%, os alemães são neste momento a nacionalidade mais importante, com 20,73% de todos os estrangeiros.
O mercado espanhol, que no início do ano tinha registado crescimentos significativos, de Janeiro a Agosto apenas cresceu 2,14%, sendo neste momento responsável por 10,2% do total de estrangeiros. O que é muito próximo dos 9,4% dos holandeses, que cresceram 7,5%.
Os Países Nórdicos, com uma recuperação de 13,1%, são responsáveis por 20% do turismo estrangeiro. Destaque para um aumento de 102% dos noruegueses, embora sejam os dinamarqueses, com 6,7% e os finlandeses, com 5,2%, os mais significativos.
É de salientar igualmente um aumento de 65% no número de franceses (que neste momento representam 5,7%). O mercado norte-americano também cresceu 31,6%, sendo responsável por 6,6% dos estrangeiros.

Vasco Cordeiro diz que “processo das pensões de sobrevivência foi uma salgalhada”...

Vasco Cordeiro3O presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, referiu ontem que “toda a gente percebeu” a “salgalhada que foi” o processo relacionado com a definição das pensões de sobrevivência.
O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, revelou domingo que a “condição de recurso” para as pensões de sobrevivência será prestada por quem receba pensões acima de 2.000 euros.
Segundo a Lusa, Vasco Cordeiro, que falava aos jornalistas na sequência de uma audiência concedida em Ponta Delgada, ao presidente da Federação Agrícola dos Açores, remeteu para o Governo da República qualquer questão sobre eventuais alterações que entretanto tiveram lugar no âmbito deste processo.
O presidente do Governo Regional considera, por outro lado, que a proposta com que o PPM/Açores pretende avançar no Parlamento açoriano, que visa pôr termos às pensões vitalícias da classe política açoriana, só pode ser vista como o “apanhar boleia” de um “clima de demagogia” que impera “por estes tempos”.
“Certamente que na Assembleia Legislativa Regional dos Açores haverá oportunidade de explicitar todos os argumentos que se colocam a este propósito”, considera Vasco Cordeiro.
O presidente do executivo açoriano reitera que se pretende manter na região o actual sistema de comunicações que serve a protecção civil açoriana em detrimento do SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal), que não se “contesta”.
“O Governo dos Açores tomou a opção de manter do ponto de vista de protecção civil o modelo que temos na região porque serve melhor os requisitos que ela necessita em termos de comunicações”, frisa Vasco Cordeiro.
O presidente do Governo Regional revelou que já se disponibilizou para “auxiliar” e dar a “colaboração necessária” visando a instalação do SIRESP nos Açores para uso por parte de outras entidades.
Vasco Cordeiro sublinhou que se vai investir dois milhões de euros na actualização do sistema de comunicações regional porque ambos os sistemas (nacional e açoriano) “são diferentes” e, mantendo-se, o actual modelo, a população açoriana fica “melhor servida”.
“O sistema nacional, por muitas virtualidades que tenha, não responde da mesma forma que o sistema regional. Os Açores estão particularmente sujeitos e com frequência à necessidade de utilizar este tipo de sistema de comunicações decidimos investir num sistema próprio”, conclui.

Fortes quebras nas pescas em 2013

pescaA quantidade e o valor do peixe capturado este ano até 1 de Outubro, excluindo as variedades de Atum, baixaram significativamente em relação a igual período do ano passado.
No total, incluindo os atuns, houve um aumento de 7,94% no peso total, mas uma quebra de 9% do valor total. Incluindo os atuns, o sector das pescas facturou 28,4 milhões de euros, o que representa uma perda de 2,8 milhões de euros em relação aos 31,3 milhões do ano passado.
Excluindo os atuns, o sector facturou 14,7 milhões de euros, o que representa uma perda de 2,7 milhões em relação ao ano anterior. Os atuns, que no ano passado representaram 58% do total das capturas, este ano atingiram os 66%, enquanto que em valor, os atuns passaram de 44,15% do total para 48%.
Mesmo ao nível dos atuns, o aumento é sobretudo devido ao Bonito, que é a espécie mais usada pela indústria, e que teve um aumento de 213%. Mas no Atum-patudo, que é o mais capturado (representou 33,5% de todo peixe apanhado, enquanto que o Bonito representou 29,8%), houve uma redução de 8,6%. E no Atum-Voador a descida foi muito acentuada: -62,5% do que em 2012, passando de 929 toneladas para apenas 348 toneladas (2,88% do total das pescas).
Há uma descida simpática: a Tintureira, um tubarão, registou uma descida de 61%, passando de 259 toneladas para 100 toneladas. Mas outras descidas podem ser menos interessantes.
Entre as 20 espécies mais capturadas, houve uma variação de -52% no Peixe-espada preto, -37% na Veja, -30% na Cavala, -24% na Abrótea e -20% no Alfonsim. O Cherne perdeu 7,8%.
Estre as 20 espécies mais importantes, houve aumentos no Goraz, com 18,4%, no Boca-negra, com 37%, e no Safio, com 16,5%.
O Goraz manteve-se como o peixe mais valorizado, com um preço médio de 11,8 euros por quilo, apesar de ter perdido 8,5% do seu valor em relação ao ano passado (era 12,87 euros). Segue-se o Imperador (11,5 euros), o Rocaz (11,3 euros) e o Cherne (10,45 euros). Todos os outros peixes ficam abaixo dos 10 euros por quilo.