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Mais de 5 mil desempregados açorianos em programas de ocupação temporária

centro emprego - desempregadosO número de “ocupados” nos Açores voltou a aumentar no mês de Dezembro, atingindo pela primeira vez a barreira dos 5 mil inscritos. Com mais 1,77%, existem neste momento 5.086 pessoas nestes programas, definidos pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional como “trabalhadores integrados em programas de emprego ou formação profissional, com exceção dos programas que visem a integração direta no mercado de trabalho”.
O seu peso equivale a 38,5% do número de inscritos como desempregados, o que significa que caso fossem contabilizados nessa categoria, o número de desempregados inscritos aumentaria 38,5%, atingindo um total de 18.294 casos. Ao todo, os centros de emprego têm 19.762 inscritos neste momento com pedidos de emprego.
Não há qualquer comparação com o que se passa no resto do país, onde o número até baixou e representa apenas 11,4% dos desempregados inscritos (os Açores representam 1,91% dos desempregados do país, mas 6,5% dos ocupados).
Não se pense que é propriamente algo comum, pois os dados dispararam no último ano: entre Dezembro de 2012 e 2013, o número de ocupados aumentou 192%, o que é praticamente um aumento para o triplo. Em 2012 havia apenas 1.738.
A explicação é simples: trata-se da grande aposta do Governo Regional para reduzir os dados do desemprego, que têm vindo a disparar no último ano, atingindo no 3º trimestre de 2013 um total de 21.545 pessoas, o que representa 17,7% da população activa regional – um valor que é superior aos 15,6% nacionais, ficando apenas abaixo dos 17,9% de Lisboa.
Não que as coisas tenham melhorado grande coisa neste ano. Entre Dezembro de 2012 e 2013, o número de desempregados inscritos nos Açores aumentou 15,4%, embora o número total de pedidos de emprego, onde se incluem os ocupados, aumentou 27,4%, de valores já historicamente altos.
Neste momento existem 19.387 pedidos de emprego nos Açores, um valor que também nunca tinha sido alcançado e que já abeira os 20 mil. S. Miguel é responsável por cerca de 66% do total de pedidos de emprego e por 67% dos ocupados.
Um dos sinais do alargamento dos programas ocupacionais é perceptível através do género. É que até Abril de 2012, os Açores seguiam a “normalidade”, ainda sentida no resto do país, dos programas de ocupação serem sobretudo uma estratégia para a manutenção de quadros superiores, em que predomina claramente o sexo feminino. Mas desde então o número de homens nos programas ocupacionais tem sido superior ao das mulheres, e neste momento o seu peso é já de 58,2% do total (no país é de apenas 41,5%).
Dos inscritos como desempregados, que por alguma razão não têm acesso aos programas ocupacionais, cerca de 69% estão inscritos há menos de um ano, o que tem sido uma característica regional – a nível nacional, esse valor baixa para os 53%.
Também há uma preponderância maior de jovens do que no país. Nos Açores, 47,3% dos inscritos como desempregados têm menos de 34 anos, e 19,3% têm menos de 25, o que é bastante diferente dos valores nacionais (34,4% de pessoas com menos de 34 anos e 12,9% com menos de 25 anos).

Turismo rural com crescimento de 23% ultrapassa pela 1ª vez 1 milhão de euros

turismo rural2O segmento do turismo rural nos Açores registou um crescimento de 23,2% no número de dormidas no período de Janeiro a Setembro, que tradicionalmente representa mais de 90% do total do ano.
Pela primeira vez este segmento conseguiu ultrapassar uma receita total de 1 milhão de euros, atingindo 1,177 milhão, o que representa um aumento de 19,14% em relação ao ano de 2012.
Tal como no ano passado, os estrangeiros representaram a maior fatia de dormidas, este ano com 79,3% do total.
O crescimento, no entanto, foi semelhante, com 21% nos portugueses e 24,6% nos estrangeiros.
A principal nacionalidade continua a ser a alemã, que aumentou 4,5%, embora tenha baixado de 37,7% do total de estrangeiros no ano passado para 31,6% este ano. Há mais alemães do que portugueses.
A ilha de S. Miguel registou um aumento de 25,8%, mas o seu peso não passou dos 34,2% do total de dormidas. O Faial é a 2ª maior ilha, com 26,2%, enquanto que a Terceira se fica pelos 16,6%.
Segundo o SREA, este sector empregou apenas um máximo de 94 pessoas no mês de Julho e 93 no mês de Agosto, com um custo de menos de 400 euros por funcionário. Trata-se de uma diferença significativa em relação à hotelaria tradicional, em que a média é de 980 euros por funcionário.
Existem neste momento 101 estabelecimentos em actividade, com um total de 994 camas. No entanto, apenas responderam 61 estabelecimentos, responsáveis por 598 camas, e esse deverá ser o universo real em actividade.
A taxa de ocupação atingiu o pico máximo em Julho e Agosto, com 49%, baixando para 20% em Setembro e tendo como mínimo os menos de 3% nos meses de Janeiro e Agosto. 

Artur Sá retém mercadoria e Melo Abreu responde com providência cautelar

Melo AbreuA primeira decisão significativa tomada pela Fábrica de Cervejas Melo Abreu depois da entrada do Governo Regional no seu capital social através da Sinaga, foi o cancelamento do contrato de distribuição que tinha há muitos anos com a empresa Artur Sá (Abelheira – Fajã de Baixo), o que poderá levar ao despedimento colectivo de cerca de 17 trabalhadores.
O fim do acordo foi comunicado unilateralmente pela Melo Abreu no dia 20 de Janeiro, para ter efeito a partir de 1 de Fevereiro. Ontem a Artur Sá comunicou à administração da Sinaga que iria reter nos seus armazéns uma quantidade não divulgada de vasilhame e bebidas já engarrafadas até que a Melo Abreu saldasse verbas que alegadamente deve de vários anos. 
Ontem de manhã o ambiente era nitidamente tenso, o que terá mesmo levado uma equipa da PSP a deslocar-se à Abelheira, onde a Artur Sá tem as suas instalações. Quando os trabalhadores da Melo Abreu se preparavam para orientar as distribuições do dia, foi-lhes comunicado que a mercadoria estava retida e não poderia sair das instalações. Tudo indica que se trata de uma quantidade significativa e que a cervejeira poderá não conseguir reabastecer os seus postos de venda pelo menos nos próximos dias, sendo praticamente garantido que haverá interrupção no abastecimento.
Apesar de um email da Artur Sá ter sido enviado à Melo Abreu cerca das 6h30 de segunda-feira, só cerca das 11 horas é que duas chefias intermédias tomaram oficialmente conhecimento da ocorrência. E quando contactaram a administração não conseguiram qualquer informação adicional. A situação manteve-se sem qualquer desenvolvimento até ao fim do dia, quando os trabalhadores da Melo Abreu foram transportados de novo para Ponta Delgada.

Providência Cautelar

Segundo Leite Gomes, gerente da Melo Abreu, a empresa estava ontem à tarde a preparar uma providência cautelar, que deverá hoje fazer chegar ao Tribunal de Ponta Delgada, no sentido da Artur Sá “reabrir os armazéns” e permitir que a Melo Abreu retire de lá o que considera ser seu.
Segundo Leite Gomes, “em causa estão dívidas de parte a parte e já em Dezembro a Melo Abreu propôs uma solução para o problema que não foi aceite pela Artur Sá”. Quanto à estratégia que esteve na base do rompimento do contrato, “tem a ver com questões económicas, de poupança, que é urgente” e referiu que “a Melo Abreu irá passar a assegurar a sua própria distribuição”.
O Governo Regional tinha autorizado no dia 2 de Julho do ano passado a Sinaga (Sociedade de Indústrias Agrícolas Açorianas) a proceder à aquisição de 5% do capital social da Fábrica de Cervejas e Refrigerantes João Melo Abreu e a subscrever, através do aumento do capital social desta fábrica, uma quota que lhe garanta uma participação total de até 15% do capital social. O comunicado do Governo referia que “a concretização da participação da Sinaga no capital social da Melo Abreu fica dependente da prévia aprovação pelas instituições financeiras do plano de reestruturação da empresa, que assegurará uma redução de cinco milhões de euros do seu endividamento bancário” – na realidade, tudo indica que a entrada do Governo no capital social da Melo Abreu foi uma condição da banca para perdoar uma parte do passivo da empresa, num montante próximo dos 45%.
Na altura, o Governo Regional referiu que “esta decisão permitirá reforçar o estabelecimento de parcerias entre a Sinaga e a Melo Abreu, aumentando assim a competitividade das duas empresas” o que parece explicar parcialmente a presente decisão.
Artur Sá admite que não tem outra hipótese se não avançar para um despedimento colectivo caso não consiga manter a Melo Abreu. A empresa nos últimos foi-se adaptando às necessidades da Melo Abreu e tem toda a sua frota dependente em exclusivo deste cliente não sendo previsível que consiga diversificar em tempo útil, especialmente tendo em conta a forte baixa de actividade comercial que se regista no arquipélago.

Avaliação bancária da habitação baixou em 2013 pelo 4º ano consecutivo

habitaçãoDesde pelo menos 2009 que o valor médio de avaliação bancária da habitação tem vindo a descer em todo o país, incluindo os Açores. E não tem havido diferenças significativas entre a realidade insular e a nacional, se bem que o ano de 2013 termina com descidas bem menores na Região do que no país. Em 2013 a média da habitação nos Açores caiu  1,42% em relação à média de 2012, enquanto que no país a quebra foi de 3,6%.
O pior ano nos Açores terá sido 2012, enquanto que no país os dados do INE dão impressão que, se bem que o ano pior no país foi também 2012, as quebras foram mais uniformizadas. Em 2012, os Açores registaram uma quebra do valor da habitação de 9,97%, enquanto que no país a queda foi de 7,25%. Mas na média global dos apartamentos a quebra nos Açores foi se 13,5%, enquanto que no país foi de 8,7%. E nas moradias a quebra foi de 9,19% nos Açores e de 5,14% no país.
Mas as quebras dos anos anterior e posterior fazem com que entre 2009 e 2013, as quebras sejam ligeiramente menores nos Açores. Na habitação geral, uma quebra de 10,13% nos Açores e de 11,8% no país; nos apartamentos, de 6,9% nos Açores e 14% no país; e nas moradias de 9,4% nos Açores e de 7,9% no país.
Assim, a média de 2013 indica que o valor da avaliação bancária sobre o total da habitação nos Açores está nos 964 euros por metro quadrado, contra uma média nacional de 1.006 euros (os Açores são mais caros que o Alentejo, Norte e Centro). Nos Apartamentos, o valor é de 1.110 euros, o que está acima da média nacional de 1.074 euros (e mais que as mesmas 3 regiões). E nas moradias, o valor é de 944 euros, ligeiramente abaixo dos 946 de média nacional e acima das mesmas 3 regiões. 

Inscritos nas listas para cirurgia atingem o maior valor de sempre

Hospital PdlO número de pessoas inscritas nas listas de espera para cirurgía nos açores atingiu no mês de Outubro de 2013 um total de 3.328, o que é o maior valor de sempre. No espaço de um ano, o número de casos aumentou 44%, com um total de mais 994 casos, que é também o maior aumento em termos nominais de que há memória.
A situação no Hospital de Ponta Delgada parece estar a deteriorar-se mais que nos restantes hospitais, uma vez que o seu número já atingiu os 2.340 casos, que representam 72,3% do total regional. Segue-se o Hospital da Horta, com 461 casos, e 14,2% do total, e o de Angra do Heroísmo com 437 casos, representando 13,5% dos casos.
O Hospital da Horta é também o que revela maiores atrasos, com casos de inscrição de 2004. Fora esses dois casos, existem 25 casos com inscrições de 2008 – portanto, esperas de cerca de 5 anos. Na Terceira há apenas 1 caso de 2008, e em Ponta Delgada 7. A esse nível a Horta está pior.
Mesmo a publicação destas listas, que está regulamentada em legislação própria, não parece estar a ser cumprida.  No site da Direcção Regional de Saúde, onde há dados desde Abril de 2010, faltam 7 meses do ano de 2012 que nunca foram repostos.
Haverá a possibilidade de serem atingidos no próximo ano um total de 10 mil utentes em lista de espera, como anunciou um partido político? Tendo em conta os valores existentes, tudo indica que não. No entanto, os 3.238 casos actuais constituem um valor quase impressionante, tendo em conta o seu historial: em 2010 quando os números começaram a disparar, o Governo fez um investimento que reduziu as listas de espera em cerca de 30%, a que não foi alheia a pressão pública. Desde Abril de 2011 que os números não param de crescer.
Mas a resposta oficial parece ter ido no sentido de colocar em causa estes números.

Sistema informático “para gerir listas de espera”

O secretário Regional da Saúde disse sexta-feira que os Açores implementam “até final de março” o sistema informático nacional de gestão de listas de espera, que permitirá “de forma mais fidedigna” fazer comparações e conhecer a realidade.
“O que estamos a trabalhar nesse momento é na adaptação a nível regional daquilo que é o programa de gestão de listas de espera utilizado a nível nacional. Já temos um funcionário do Serviço Regional de Saúde a fazer formação nessa área”, afirmou à Lusa Luís Cabral, acrescentando que espera “até final de março ter já implementado na região esse sistema”.
O presidente do PSD/Açores propôs, na quinta-feira, a criação de um registo integrado de listas de espera para cirurgia na região para uma otimização de recursos, alertando que no final do ano haverá dez mil açorianos a aguardar uma operação.
Segundo os dados actuais, os Açores terão cerca de 2% do total de casos do país
Segundo a Lusa, “o governante açoriano com a pasta da Saúde agradeceu a proposta social-democrata, mas lembrou que tal iniciativa já havia sido anunciada pelo executivo regional na semana passada, no sentido de proceder a uma maior sistematização, controlo e rigor na informação dessas listas de espera”.
“Os números que nós temos em cima da mesa são inferiores. Temos noção muito clara da forma como devemos contabilizar as listas de espera. O deputado Duarte Freitas e as contas que faz são com base no número de todos os doentes a partir do dia um que entra na lista de espera. Existem tempos minimamente aceitáveis para cirurgias e esses tempos devem ser considerados”, sustentou.
Luís Cabral explicou que o número de doentes em lista de espera para cirurgias nos três hospitais da região, que são publicados “regularmente” no portal do Governo Regional na internet, referem-se apenas a doentes que aguardam há 18 meses, um critério que admite possa vir a ser revisto, diminuindo para seis ou três meses. O governante precisou que os números oficiais de doentes em lista de espera, nos hospitais de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta, rondam os seis mil e que a tutela tem trabalhado “de várias formas” para baixar esses números.
Segundo disse, a aplicação do sistema informático de gestão das listas de espera permitirá aos próprios doentes consultarem e saberem qual o seu lugar na lista.

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