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Açorianos recebem menos subsídios que a média nacional

notasCerca de 35% da população açoriana recebe algum tipo de subsídio do Estado, mas a verdade é que o seu peso é muito inferior ao nacional, em que 39,4% da população é apoiada pelo Estado.
Ao todo nos Açores são 85.602 açorianos com subsídios processados pela Segurança Social, enquanto que no país existem 4.093.703 pensionistas. O segredo desta diferença, no entanto, tem sobretudo a ver com um factor que está a mudar rapidamente: a juventude da nossa população.
Tanto nos Açores como no resto do país, a maior fatia de pensionistas é composta pelas pensões de velhice. Nos Açores são 25.669, enquanto que no país são 1.995.323. A questão é que os pensionistas de velhice nos Açores representam apenas 1,3% do total do país, o que está claramente muito abaixo da nossa taxa populacional, que é de cerca de 2,3%.  E enquanto que no país os idosos representam quase metade de todas as pensões (mais precisamente 48,8%), nos Açores o seu peso fica-se pelos 30% do total de pensões. Em termos de capitação, nos Açores apenas 10,52% dos açorianos aufere este tipo de pensão, enquanto que no resto do país esse valor sobe para 19,2% da população.
O futuro, no entanto, não é promissor, pois quando a percentagem de idosos atingir a média do país, os Açores poder-se-ão tornar a região mais subsidiada do país. Porque em muitos outros subsídios a Região ultrapassa claramente a sua taxa populacional.
É o caso do Rendimento Social de Inserção, que nos Açores representa 21,7% do total de subsídios, enquanto que no resto do país o seu peso não passa dos 6,7%. Nos Açores, 7,6% da população recebe esse subsídio, enquanto que no país não passa dos 2,64%. Trata-se da maior diferença, apesar de serem valores inferiores aos das pensões de velhice.
Nesta comparação, destaca-se igualmente o número de pensionistas por invalidez, que nos Açores representa 10,2% do total de pensões, mas no resto do país se fica pelos 6,8%. É um indicador complicado: 3,6% dos açorianos têm algum tipo de invalidez que os impede de trabalhar, enquanto que a média nacional é de 2,66%.
Cerca de 3,4% da população açoriana recebe subsídio de desemprego, valor esse que é inferior ao nacional, que atinge os 4%.

Taxista que matou a mulher condenado a 20 anos de prisão

lagoa do fogoO Tribunal de Ponta Delgada condenou ontem a 20 anos de prisão o taxista de 47 anos acusado de matar a mulher em Fevereiro do ano passado e de lançar o corpo na Lagoa do Fogo, em São Miguel.
De acordo com a agência Lusa, o arguido foi condenado a 18 anos pelo crime de homicídio qualificado, a três anos e quatro meses pelo crime de violência doméstica e a oito meses de prisão pelo crime de ameaça agravada, numa pena única fixada em 20 anos de prisão.
Em tribunal ficou provado que a vítima foi morta em casa, com uma agressão na cabeça provocada por um objecto contundente, e depois transportada já cadáver para a zona do Pico da Barrosa, na Lagoa do Fogo, local onde foi encontrada quatro meses depois já em avançado estado de decomposição.
Ficou também provado que era recorrente o cenário de violência doméstica e que o taxista aproveitou a primeira oportunidade de estar sozinho com a esposa para concretizar um homicídio premeditado, “no primeiro dia em que a irmã da falecida já não estava em sua casa, onde passou a quadra carnavalesca, sendo que a sua presença o impediria de actuar”, refere o acórdão.
O arguido foi apenas absolvido da acusação do crime de sequestro, por ter ficado assente que “só depois de tirar a vida à sua mulher é que confinou o cadáver ao espaço da bagageira da sua viatura, onde a transportou até ao miradouro do Pico da Barrosa”.
O homicida, com antecedentes criminais e condenado anteriormente por nove vezes por crimes de diversa natureza, foi ainda condenado a pagar 100.000 euros a cada uma das duas filhas do casal por danos não patrimoniais.

Nova cadeia de Angra do Heroísmo “ainda sem data de inauguração”...

cadeia de  angraO novo Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo deveria ter sido inaugurado há nove meses, mas a Direcção Geral da Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) ainda não avança com uma data para a transferência de reclusos.
Segundo a agência Lusa, a construção da nova cadeia de Angra do Heroísmo, nos terrenos da antiga Casa do Gaiato, na freguesia da Terra Chã, foi anunciada “há cerca de 14 anos, mas só avançou em Julho de 2010, com um prazo de construção de dois anos e um orçamento estimado em 25,5 milhões de euros”.
Nove meses depois da data em que deveria estar concluída, a cadeia ainda não foi inaugurada e seis dezenas de reclusos permanecem no antigo estabelecimento prisional de Angra do Heroísmo, que tem lotação para 31.
A agência Lusa perguntou quando entraria em funcionamento o novo estabelecimento à DGRSP, que respondeu apenas que as obras se encontram “em fase final de execução”.
A DGRSP também não adiantou o número de reclusos que serão transferidos para o novo edifício, mas no lançamento da primeira pedra o então ministro da Justiça, Alberto Martins, revelou que a cadeia acolheria também os reclusos açorianos que estão em estabelecimentos prisionais do continente, estimados, na época, entre 150 a 200.
Em 2010, Alberto Martins disse que a nova cadeia teria capacidade para acolher 216 reclusos, no entanto, em Março deste ano, a actual ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, disse, em comissão parlamentar, na Assembleia da República, que a capacidade do novo estabelecimento é de 260 reclusos.
A DGRSP disse apenas à agência Lusa que “a definição da lotação do estabelecimento prisional só poderá ocorrer após a sua conclusão e supõe uma avaliação, assente em critérios previamente definidos, determinando uma proposta a homologar superiormente”.
Por outro lado, também não confirmou a possibilidade de serem transferidos para Angra do Heroísmo reclusos de outras ilhas, atendendo ainda a que os restantes estabelecimentos prisionais dos Açores, em Ponta Delgada e na Horta, estão sobrelotados.
“A afectação de reclusos a este estabelecimento prisional tomará em consideração as variáveis que são igualmente tidas em linha de conta nos outros, como sejam a dimensão da pena, a natureza do crime e a proximidade aos espaços sócio familiares de pertença”, referiu, numa resposta enviada por correio electrónico.
A possibilidade da transferência de reclusos para uma ilha em que não têm apoio familiar está também a preocupar a população da freguesia da Terra Chã.
A DGRSP adiantou, contudo, que estão previstos programas de reintegração na nova cadeia de Angra do Heroísmo, tal como no resto do país.
“A definição dos programas de formação escolar e profissional, bem como os dirigidos a problemáticas específicas e as actividades de trabalho, integram-se na política de reinserção desenvolvida pelos serviços e serão, naturalmente, postos em prática no novo estabelecimento”, adiantou.

Cadeia questionável

De acordo com os dados finais de 2012 da Direcção Geral dos Serviços Prisionais, os Açores tinham a 31 de Dezembro nos seus dois estabelecimentos regionais um total de 272 detidos, para uma lotação de 180 lugares, o que revela uma sobrelotação de 51%, que é superior à nacional, que era de 39%. Os reclusos açorianos nos estabelecimentos regionais representa quase 6% do total nacional, o que está muito acima da nossa taxa populacional.
O Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo registava uma sobrelotação de 61,5%, superior à de Ponta Delgada, que era de 48%, mas em termos absolutos não há qualquer comparação: S. Miguel, com 209 reclusos, tinha 77% do total dos Açores, enquanto que Angra apenas tinha 63 reclusos, representando apenas 33% do total. Registe-se que recentemente o estabelecimento de Ponta Delgada chegou a atingir 230 reclusos e a transferência para estabelecimentos centrais, no continente e na Madeira, é feita de forma quase semanal.
Por outras palavras, a maior parte dos reclusos açorianos que estão fora do arquipélago são de S. Miguel. Neste momento estima-se que cerca de 300 reclusos de S. Miguel estão em estabelecimentos centrais. Ou seja, o estabelecimento prisional de Angra do Heroísmo, se for para encher, receberá reclusos de S. Miguel, sejam eles os que já se encontram a cumprir penas na ilha, ou que estejam fora do arquipélago. Portanto, sem encaixarem no perfil da reinserção social prevista pelo Ministério.
Os dados objectivos são claros em apontar que a realização de um investimento prisional nos Açores nunca deveria ter sido feito na Terceira, mas em S. Miguel. Até porque o total de reclusos neste momento, na ordem dos 500, revela uma taxa de reclusão assustadora: cerca de 360 reclusos por habitante, o que é uma das mais elevadas de todo o mundo.
Segundo a “Pew Research Center”, a taxa mais elevada é nos EUA, com 750 reclusos por 100 mil habitantes, seguindo-se a Rússia com 628, a Bielorrússia com 426 e a Georgia com 401. S. Miguel não aparece nesta listagem estatística, mas de acordo com os valores existentes, ocuparia o 5º lugar mundial!
Apesar destes dados, o governo Regional nunca se opôs a que a cadeia de Angra fosse construída antes da de S. Miguel e neste momento, como não parece verosímel que existam investimentos neste sector, pode dizer-se que que o problema dos reclusos nos Açores continua por resolver apesar deste investimento.
Curiosamente, a Cadeia de Ponta Delgada é considerada uma prioridade desde 1976 e a sua sobrelotação crónica está presente desde 1995. Significativo é também que aquele estabelecimento foi construído em meados do século XIX, marcando o início da modernização do parque penitenciário do país. Mas hoje oferece apenas alojamento colectivo, o que contraria os princípios defendidos no “Código de Execução de Medidas Privativas da Liberdade”, que apontam para a individualização do tratamento. É a única Cadeia do país que oferece apenas este tipo de alojamento.

Moradores na zona da nova cadeia pedem indemnizações

Os moradores na zona envolvente à nova cadeia de Angra do Heroísmo, dizem ter receio da segurança e pedem indeminizações por violação de privacidade.
“Tem janelas de celas viradas para a minha casa, tem câmaras de vigilância e era para ter uma guarita com guarda. A nossa privacidade vai ser afectada”, salientou, em declarações à agência Lusa, João Ventura.
João Ventura e outros oito moradores da freguesia de Terra Chã protestam há mais de 14 anos contra a construção do estabelecimento prisional naquele local, tendo enviado várias petições para autoridades nacionais e regionais, uma delas com “mais de mil assinaturas”.
Agora que a obra já está quase pronta exigem indemnizações por violação de privacidade. O pedido foi enviado ao Ministério da Justiça, responsável pela obra, à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e à Junta de Freguesia da Terra Chã, mas ainda não obtiveram resposta.
Segundo João Ventura, “a lei obrigava a que fosse feito um estudo de impacto ambiental”, tendo em conta que a obra estava orçada em “um milhão de contos”, na altura, e acabou por custar mais 25 milhões de euros, mas “nada foi feito”.
O morador alegou também que a lei previa uma zona de protecção do estabelecimento prisional nos 50 metros envolventes, mas vivem nove pessoas a menos dessa distância.

“Asma brônquica é a doença crónica mais frequente nas crianças”, diz médico Rodrigo Alves

rodrigo alvesAntes de mais, em que consiste concretamente uma alergia? Quais os principais sintomas e como é feito o diagnóstico?
A alergia é uma reacção de hipersensibilidade mediada por anti-corposIgE, ou seja, o organismo reage contra substâncias do meio ambiente que são toleradas pela maior parte das pessoas, montando uma reacção imunológica como se fossem substâncias agressivas para o indivíduo. É essa reacção do próprio organismo que vai desencadear os sintomas. No caso da rinite vai desencadear o nariz tapado e/ou a pingar, a comichão e os espirros que, em 70% dos casos, poderão acompanhar-se de queixas de comichão nos olhos e olhos vermelhos–sintomas de conjuntivite alérgica. No caso da asma brônquica, os doentes irão queixar-se de sensação de falta de ar, pieira, tosse e aperto no peito, que também são consequências da própria reacção do organismo contra os alergénios do meio ambiente. Para efectuar o diagnóstico, para além da história clínica e do exame objectivo pode ser necessário a realização de exames, como por exemplo, os testes cutâneos das alergias, as análises sanguíneas ou o exame funcional respiratório.

Uma vez diagnosticada a alergia, esta é crónica? Não há cura, pois não?
A alergia é, tendencialmente, uma entidade persistente, embora não seja uma doença estática. Ou seja, apesar de na maioria dos casos a alergia não desaparecer por completo, o tipo de manifestações clínicas e a sua gravidade são variáveis ao longo da vida. Do ponto de vista terapêutico, as alergias tratam-se com base em três vectores. Em primeiro lugar, a evicção, isto é, uma vez estabelecido o diagnóstico etiológico o doente adopta medidas específicas para evitar os alergénios a que é alérgico. Em segundo lugar, a terapêutica medicamentosa, que deve ser sempre indicada pelo médico e permite, na esmagadora maioria dos casos, controlar os sintomas e devolver ao doente a sua qualidade de vida. Em terceiro lugar, podemos, em alguns doentes, utilizar as vacinas anti-alérgicas, também designadas de Imunoterapia Específica, que constituem a única terapêutica que interfere na história natural da doença alérgica, ou seja, tem a possibilidade de realmente “curar” as alergias.

As pessoas com alguma alergia poderão controlar a sua doença através do Boletim Polínico. Pode-nos explicar como funciona?
O Boletim Polínico dos Açores resulta de uma profícua colaboração da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) com o Departamento de Biologia da Universidade dos Açores e tem como objectivo informar a população dos Açores sobre os pólenes mais frequentes na atmosfera desta região, para que os doentes possam adoptar as medidas preventivas indicadas pelo seu médico e, dessa forma, melhorar a sua qualidade de vida. Para a sua concretização foi instalado, em 2006, um captador polínico no edifício do Complexo Científico do Campus Universitário de Ponta Delgada. Embora estes dados sejam divulgados, no site da SPAIC (www.spaic.pt), ao longo de todo o ano, a sua divulgação nos órgãos de comunicação social apenas se faz, quer a nível nacional, quer a nível regional, durante a Primavera, a estação do ano onde as alergias a pólenes têm um maior impacto na qualidade de vida da população.

O nosso clima caracterizado pela elevada humidade poderá influenciar o aparecimento ou desenvolvimento/agravamento de alergias?
Sim, a humidade elevada que existe aqui nos Açores tem duas consequências principais nos doentes alérgicos. Por um lado, é mais propiciadora ao desenvolvimento dos ácaros do pó e dos fungos e, por essa via, aumenta muito a prevalência de alergia a estes alergénios. Por outro lado, os níveis muito elevados de humidade dificultam a respiração do doente asmático e, portanto, levam muitas vezes a um agravamento dos sintomas respiratórios independente dos níveis alergénicos.
Quais os agentes alergénicos mais comuns nos Açores?
Qualquer substância do meio ambiente pode, em teoria, ser responsável por uma reacção alérgica. Dentro dos alergénios do ar (aeroalergénios) podemos ter alergia aos ácaros do pó, aos pólenes, aos fungos ou aos epitélios dos animais. Nos Açores, a alergia aos ácaros do pó é de longe a alergia mais frequente, seguida pela alergia aos pólenes, muito característica desta altura do ano–a Primavera. Tal como acontece em relação aos ácaros do pó, também a alergia a fungos ou bolores surge com frequência na nossa Região como consequência dos níveis elevados de humidade. Em relação a outros tipos de alergénios podemos destacar, por exemplo, a alergia a insectos, a alergia alimentar ou a alergia medicamentosa.

O número de pessoas alérgicas na Região tem vindo ao aumentar? Porquê?
Sim, os estudos apontam que a alergia tem vindo a aumentar a nível nacional e nos Açores, tal como acontece na maioria dos países ocidentais. Este facto resulta de vários factores como, por exemplo, da alterações do estilo de vida (maior sedentarismo), das alterações da dieta (ingestão de alimentos processados e com mais conservantes e ingestão de dietas hiper-calóricas com consequente obesidade) e das melhores condições de higiene (menor contacto com os agentes infecciosos). Esse aumento de prevalência faz com que seja cada vez mais importante insistir nas medidas de prevenção, com vista a colmatar esta epidemia do século XXI.

Que tipos de alergias existem e quais são as mais comuns nos açorianos?
A alergia é uma doença sistémica que atinge todo o organismo, embora possa manifestar-se preferencialmente em determinados órgãos.
Nos Açores, a rinite é o quadro clínico mais frequente, atingindo 20 a 25% da população, e caracteriza-se pela presença de sintomas como o nariz tapado ou a pingar, os espirros e a comichão no nariz. Em 70% dos casos a rinite pode acompanhar-se de conjuntivite, caracterizada pela presença de comichão nos olhos, olhos vermelhos ou a chorar, sintomas estes que surgem após o contacto com os alergénios, designadamente os ácaros, os pólenes, os fungos ou os epitélios de animais. A asma brônquica atinge 10% dos açorianos e os seus principais sintomas são a tosse, a falta de ar, a pieira e o aperto no peito. O eczema atópico, por outro lado, afecta cerca de 10% das crianças e caracteriza-se por lesões avermelhadas e descamativas na pele acompanhadas de muita comichão. Adicionalmente existem ainda outros tipos de alergias menos frequentes como, por exemplo, a urticária, o angioedema ou a anafilaxia–uma reacção alérgica grave e potencialmente fatal.

Atingem mais adultos ou crianças? E em termos de distribuição por sexo, qual o mais frequente?
As doenças alérgicas são mais frequentes nas crianças e têm um grande impacto na sua qualidade de vida e na qualidade de vida da restante família. A asma brônquica, por exemplo, constitui a doença crónica mais frequente na criança. Este facto, aliado às possíveis sequelas e às limitações terapêuticas inerentes a esta faixa etária tornam imperativo o diagnóstico o mais precocemente possível. Em relação à distribuição por sexo, embora na faixa etária pediátrica o sexo masculino seja o mais afectado, na população em geral as mulheres têm uma prevalência de doenças alérgicas ligeiramente superior à dos homens.

As alergias podem passar de pais para filhos?
A alergia é uma doença multi-factorial, resultando da interacção de factores hereditários com factores ambientais. É sabido que, uma criança filha de um casal em que um dos pais tem alergia tem um terço de probabilidade de vir a ter alergias. Se ambos os pais têm doenças alérgicas, a criança tem dois terços de probabilidade de vir a desenvolver alergias.

A obesidade aumenta a gravidade das alergias?
Sim, está demonstrado que a obesidade está intimamente relacionada com as alergias, quer em termos de prevalência, quer em relação ao aumento da gravidade. Sabemos, por exemplo, que um doente asmático obeso, em virtude das alterações hormonais que dai advêm e da menor capacidade respiratória, tem queixas mais intensas e mais difíceis de tratar do que num doente não obeso.

E, particularmente, no seu caso, tem havido uma maior afluência de pessoas à sua consulta nesta altura do ano?
Sim, neste final de Inverno e início de Primavera houve uma inconstância do tempo. O maior número de infecções respiratórias em virtude desta instabilidade meteorológica fez com que os doentes com alergia respiratória se constipassem, tivessem infecções respiratórias e daí agravassem a sua alergia e precisassem de ir ao médico.

Existe algum plano alimentar mais adequado para prevenir as alergias?
A adopção de um estilo de vida saudável e a prevenção da obesidade, designadamente através da prática de exercício físico, da evicção de dietas hiper-calóricas e evicção de alimentos processados, ricos em conservantes, estão reconhecidamente associados à prevenção das doenças alérgicas.

Pode-nos explicar a principal diferença entre as alergias e as constipações? Por vezes, as pessoas dizem que estão constipadas durante o ano inteiro, quando não é bem assim…
Exacto. A constipação é uma doença infecciosa. É consequência de uma infecção viral das vias respiratórias superiores, originando os sintomas de todos conhecidos, designadamente, nariz tapado, nariz a pingar e espirros, mas estes sintomas são, por definição, auto-limitados, ou seja, ao fim de 3-4 dias o doente tem de estar novamente bem. Na alergia, pelo contrário, o doente vai apresentar sintomas durante mais tempo, enquanto estiver exposto àquilo a que é alérgico. Se for alérgico aos ácaros do pó, por exemplo, vai ter sintomas quase todo o ano, embora de forma mais intensa no Outono e na Primavera. Não existem constipações que durem semanas, meses ou anos. Se a pessoa tem sintomas durante mais do que uma semana, seguramente não é apenas uma constipação e pode muito bem ser uma alergia.

A pessoa com poucas defesas no organismo tem maior probabilidade de sofrer de alergias?
A pessoa que sofre de alergia respiratória tem maior susceptibilidade às infecções respiratórias, mas este facto não significa necessariamente que essa pessoa apresente diminuição global das defesas do organismo. É a inflamação motivada pela alergia que determina uma maior susceptibilidade às infecções no órgão atingido pela doença alérgica. 

As pessoas que vivem na cidade têm mais probabilidade de virem a sofrer de alergias do que as pessoas que habitam no campo, o que não deixa de ser contraditório porque quem vive no meio rural está mais em contacto com a natureza e com os agentes alergénicos…
O que se passa é que os poluentes ambientais como, por exemplo, as partículas de exaustão diesel ou o fumo do tabaco, para além de lesarem a mucosa respiratória, aumentam a agressividade dos alergénios e, desta forma, aumentam a prevalência das alergias. Assim, nos meios urbanos não só há maior prevalência de doenças alérgicas como também os quadros clínicos tendem a ser mais graves e mais difíceis de controlar.

Que recomendações médicas deixa às pessoas alérgicas e à população em geral, agora na Primavera?
A principal recomendação que gostaria de deixar é a de alertar as pessoas para adoptarem estilos de vida saudáveis e serem exigentes com a sua saúde. As doenças alérgicas são muito prevalentes e têm um impacto significativo na qualidade de vida sendo, no entanto, frequentemente sub-diagnosticadas e sub-tratadas. Salienta-se, adicionalmente, que a precocidade no diagnóstico é essencial, pois só assim se poderá prevenir a progressão da doença, evitar o aparecimento de sequelas e restituir a qualidade de vida.
Assim, caso apresentem queixas sugestivas de alergia devem procurar ajuda junto do seu médico assistente, que os encaminhará para um Especialista em Imunoalergologia, caso se justifique.

Rally pode ser responsável por até 8% das dormidas de Abril, que representam 180 mil euros de receitas

rally2Não existem quaisquer dados publicados sobre o impacto do Sata Rally Açores no turismo açoriano, nem em termos de todo o ano e da notoriedade do destino, nem no próprio mês em que ocorre. No entanto, o facto de no ano passado o Rally se ter realizado no mês de Fevereiro, permite analisar o seu efeito , embora de forma algo limitada. Estes dados devem ser lidos apenas como uma abordagem possível sobre o impacto do Rally na hotelaria regional, que não contabiliza outras
A primeira conclusão é que tem algum efeito. A segunda é que pode ser um efeito bem mais modesto do que aquele que tem sido avançado.
O ano de 2012 foi mau, embora apenas mais um numa longa série. No entanto, Janeiro tinha sido positivo, com um crescimento das dormidas de 15,6%, principalmente devido ao aumento de 54,6% dos estrangeiros. Esse dado faz com que o valor do Rally fique mais difícil de apurar, uma vez que o aumento dos estrangeiros voltou a ser grande, na ordem dos 33,4%, e só no mês de Março é que se precipitou com uma quebra de 60%. O resultado foi que em 2012 os estrangeiros registaram uma quebra de 21,4%.
Mas é muito provável que não tenham sido os estrangeiros a cá vir pelo Rally, pelo menos não com grande representação. Por exemplo, este ano está prevista a vinda de uma comitiva de 100 estrangeiros pela Eurosport, e é possível que algumas equipas concorrentes tenham pernoitado nos hoteis. No entanto, basta ter em conta que em Fevereiro de 2012 houve 2.854 hóspedes estrangeiros, percebe-se que o seu peso é muito reduzido nesse universo.
O impacto maior terá sido de residentes nacionais. Os dados dizem que houve uma descida de 1,2% em Janeiro, uma descida de 17,4% em Março, uma descida de 7,9% no primeiro trimestre e de 29% no total do ano! Ou seja, uma tendência claríssima de descida, que apenas foi contrariada exactamente em Fevereiro, com um aumento de 2,12% em relação ao ano anterior. Se tivermos em conta os valores do ano de 2011, houve mais cerca de 300 dormidas de portugueses em Fevereiro. Se imaginarmos que normalmente poderia já ter havido uma quebra de 15%, com menos cerca de 2.100 dormidas, podemos imaginar que o Rally, ao segurar essa descida, terá sido responsável por cerca de 2.400 dormidas. 
Obviamente que estes dados são necessariamente imperfeitos, mas trata-se da abordagem possível, tendo em conta a escassez de dados concretos que existem.
Caso o Rally seja efectivamente responsável por 2.500 dormidas de portugueses, a que se podem acrescentar mais 1900 de estrangeiros (incluindo cálculo sobre as 27 equipas estrangeiras inscritas, com uma média de 10 pessoas por equipa, e 5 dormidas cada, e os 100 da equipa da Eurosport), ele representa perto de 8% do número de dormidas registadas do mês de Abril (com base nos dados de 2012).
Trata-se de cerca de 3,5 pontos percentuais da taxa de ocupação do mês de Abril. Caso em 2013 o número total de dormidas se mantenha, a taxa de ocupação será de 46%, uma vez que o número de camas em S. Miguel baixou de 4.316 para 4.107 na hotelaria tradicional. Caso houvesse uma quebra por via do Rally, passaria para 42,5%.
Em termos de receitas dos hotéis oriundas no Rally, caso se mantenha a média de Fevereiro de 2013, que foi de 41 euros por dormida (proveitos totais), o valor é de cerca de 180 mil euros.