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Navio hidrográfico faz missão nos Açores

Navio Almirante gago coutinhoO navio hidrográfico Almirante Gago Coutinho, da Marinha portuguesa, vai efectuar uma missão científica, entre as 400 e 600 milhas a norte dos Açores, no âmbito do projecto de alargamento da plataforma continental.
“O navio tem embarcado o ROV [um aparelho operado de forma remota] que está a ser utilizado pela estrutura de missão para a extensão da plataforma continental portuguesa, operado pelos seus elementos”, explicou ontem à agência Lusa o comandante da corveta, que está atracada no porto de Ponta Delgada.
O comandante Pinto da Silva afirmou que, com o ROV, serão recolhidos dados científicos, que constam de imagens, rochas, entre outros elementos, para “cimentar” a proposta portuguesa, entregue nas Nações Unidas, para a extensão da plataforma continental.
Com a extensão da plataforma continental, o território português passaria a ser de cerca de quatro milhões de metros quadrados, o que equivale a 91% da área emersa da União Europeia.
Segundo Pinto da Silva, a estrutura de missão a bordo do navio vai desenvolver uma operação de 27 dias, se for contabilizado, entre outros fatores, o tempo de treino de mergulho com o ROV, a 600 metros, a sudoeste do cabo de São Vicente, bem como a paragem logística no porto de Ponta Delgada.
O comandante explicou que só existem no globo quatro ou cinco ROV para operar em grandes profundidades, como aquele que se encontra a bordo do navio hidrográfico português. “O navio, com esta configuração que tem agora, com o ROV, mais os equipamentos científicos como o multifeixes de grandes e médios fundos, perfilhador de correntes, de sedimentos e biomassa, é um dos navios mais bem equipados no mundo inteiro em termos de potencial para a recolha de dados científicos”, afirmou.
O comandante referiu, por outro lado, que o navio, desde que ficou operacional, em 2007, tem saído ao serviço da estrutura de missão da plataforma continental, que conta com presença de 13 elementos, desde os pilotos do ROV a pessoal de apoio, técnico e científico.

Época balnear arranca em algumas zonas da ilha de São Miguel

nadador salvadorAs três zonas balneares da Povoação, a piscina natural das Portas do Mar e a Ponta da Ferraria são os locais que marcaram domingo o arranque da época balnear, na ilha de São Miguel, a par das praias das Milícias e do Pópulo, cuja abertura oficial ocorre hoje, dia 2 de Junho.
Ainda não é conhecido o número de nadadores-salvadores que, este ano, vão vigiar os banhistas, mas, segundo o Comandante Filipe Matos Nogueira, as vistorias aos postos de praia já se encontram a decorrer. O capitão-de-mar-e-guerra realça, ao Diário dos Açores, que os nadadores-salvadores devem possuir uma personalidade “sensata e serena” para as funções que desempenham junto dos banhistas.


A época balnear arranca hoje em alguns locais da ilha de São Miguel e garantir a segurança dos banhistas ganha especial importância numa altura em que as praias já se enchem de pessoas. A preparação do “terreno” começa antes da abertura oficial da época.
Em Maio, vários jovens iniciaram o curso de nadador-salvador, no concelho da Lagoa, promovido pelo Instituto de Socorros a Náufragos (ISN). Entre os 30 que concorreram, 19 passaram nos testes de admissão, todos do sexo masculino e com uma média de 20 anos de idade. A formação, que já se encontra na recta final, abordou temas teóricos e práticos, desde fisiologia, legislação e suporte básico de vida, ao aperfeiçoamento de técnicas de natação em ambiente de salvamento. No entanto, é da aliança entre a preparação física e a psicológica dos nadadores que pode depender o sucesso das suas actuações.
“O nadador-salvador deverá possuir uma personalidade serena e sensata, que saiba lidar com as pessoas, de forma a persuadi-las de tomar comportamentos de risco ou desrespeitadoras das regras de segurança e bom ambiente na relação com o mar e os outros utentes das zonas balneares”, explica o comandante Filipe Matos Nogueira, ao Diário dos Açores.
O capitão-de-mar-e-guerra sublinha que estes profissionais estão sujeitos a situações “mais ou menos complexas para os banhistas e para si próprios”, que impõem avaliações “racionais e ponderadas” sobre a forma de agir. “É evidente que a experiência lhes dará o necessário à vontade para lidar com situações mais gravosas, mas é essencial estar-se predisposto a enfrentar tais situações”, defende.
Em 2013, foram 78 os nadadores-savadores que vigiaram as praias e zonas balneares açorianas, mas, para a presente época, o número ainda não foi definido, uma vez que o processo de vistorias está ainda em curso. As vistorias servem para verificar a “existência e operacionalidade” dos materiais dos postos de praia.
Só em São Miguel, existem, este ano, 23 zonas balneares identificadas, um número superior ao registado no ano passado. Três das quais estão localizadas no concelho da Lagoa, sete em Ponta Delgada, três na Povoação, cinco em Vila Franca do Campo e outras cinco no município da Ribeira Grande. Fora estes locais, há também preocupação por parte das autoridades com as praias não vigiadas.
“Desaconselhámos vivamente o seu uso”, alertou o comandante Matos Nogueira, salientando, no entanto, que o ISN tem vindo a promover um programa de parcerias com outras entidades para promover a assistências nestas zonas.
É o caso do Seawatch com a SIVA Portugal. Trata-se de um projecto que disponibiliza uma viatura, “equipada com material de assistência a banhistas, guarnecida por um condutor com o curso de nadador-salvador da Marinha e um segundo nadador-salvador disponibilizado pela Associação de Municípios da Ilha de São Miguel, para execução de patrulhamentos aleatórios”, explicou.

45 ocorrências em 2013
Durante a época balnear de 2013, o ISN registou um total de 45 ocorrências nas zonas de banho micaelenses. A maioria das situações tiveram origem em lesões ocorridas fora de água, avançou o comandante, nomeadamente, entorses, cortes nas rochas, quedas. Mas as “mais preocupantes”, continuou, foram casos em que os banhistas sentiram dificuldades em regressar a terra “por influência de agueiros e correntes ou por cansaço”. Também o contacto dos banhistas com águas-vivas mereceu várias intervenções dos nadadores-salvadores. Uma ocorrência que o comandante Matos Nogueira prevê que se repita este verão,  “pela enorme quantidade daqueles seres que têm sido avistados ultimamente”.
Para que o número de ocorrências reduza para zero, o comandante sublinhou que será necessário que os banhistas se abstenham de se colocar em situações de risco e que as poucas zonas não vigiadas sejam dotadas de dispositivos de segurança, nomeadamente “a utilização de nadadores-salvadores, os quais, para além de prestarem a assistência em caso de necessidade, servem de certa forma de factor dissuasor de comportamentos de risco por parte dos banhistas, alertando-os para os perigos que podem acorrer”, referiu.

Conselhos aos banhistas
O comandante realçou que, actualmente, há uma “maior consciencialização” da população sobre o papel do nadador-salvador e sobre o modo que devem actuar no meio balnear, mas reconheceu que há ainda um longo caminho a percorrer neste sentido.
Deixou, por isso, alguns conselhos dirigidos aos banhistas. “Em caso de dificuldades no mar, não hesite em pedir ajuda. Se por ventura se sentir apanhado por um agueiro, não contrarie a força da corrente, nade paralelamente à costa onde facilmente encontrará uma zona de corrente contrária que o ajudará a regressar a terra”, aconselhou. Por outro lado, “se vir alguém em dificuldades no mar, chame primeiro por auxílio mesmo que se sinta em condições de prestar assistência, para evitar ter dois acidentes em vez de apenas um”, alertou.
É ainda importante “vigiar constantemente as crianças ou familiares com dificuldades de adaptação ao meio aquático” e “não tomar banho imediatamente após uma refeição, nem entre repentinamente na água após prolongada exposição solar”.
“Respeite sempre as indicações das bandeiras amarela ou vermelha quando hasteadas no posto de praia, a sinalética de advertência de zona de perigo bem como os conselhos e orientações dos nadadores-salvadores”, concluiu o comandante Matos Nogueira.

Por: Alexandra Narciso

Reitor do Santuário apela à fraternidade e à esperança dos cristãos

monsenhor augusto cabral1Monsenhor Augusto Cabral, guardião da Imagem e tesouro do Senhor Santo Cristo, espera que no momento actual em que vivemos a fé e a religiosidade sejam um estímulo para ultrapassar as diversas dificuldades. Neste sentido, para a edição das festas deste ano, avança ao Diário dos Açores que o objectivo é “fazer um encontro de esperança para as pessoas, para as famílias e para as nossas comunidades” porque é preciso “motivar e renovar as energias de toda a gente”

 

 

 

 

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Queijadas de inhame fazem sucesso na diáspora

Queijadas de inhamesOs inhames como ingrediente na doçaria são uma das novidades na gastronomia da ilha de São Miguel. Até agora usado na gastronomia tradicional, este tubérculo dá origem a novas experiências, como as queijadas que têm feito furor nos últimos meses, sobretudo nas comunidades da diáspora. A receita foi criada pelo Chefe Paulo Costa, das Furnas, que em entrevista ao Diário dos Açores, conta que o processo de confecção é moroso e que actualmente, em média, faz cerca de 150 a 200 queijadas por dia

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Luso-descendente retrata emigração açoriana em série documental

Nelson Ponta-GarçaActualmente, cerca de 90% da população portuguesa a viver na Califórnia, nos Estados Unidos da América, é de origem açoriana. Muitos destes emigrantes têm vindo a ocupar papéis de relevo em várias áreas, desde a pesca e a agricultura, à política e negócios. Num documentário de nove episódios, o luso-descendente Nelson Ponta-Garça retrata o contributo destes emigrantes para o estado norte-americano, fazendo uma comparação entre a emigração actual e a que teve início no século XIX.

 

Portuguese in California é como se intitula a série documental produzida pelo luso-descendente Nelson Ponta-Garça, que retrata o contributo da emigração portuguesa, maioritariamente açoriana, para o Estado da Califórnia, nos Estados Unidos da América (EUA).
O povo português chegou à Califórnia há mais de cem anos e, desde então, tem vindo a desempenhar papéis importantes em váriás áreas, como a pesca, agricultura, arte, política e tecnologia, bem como no mundo dos negócios.
Hoje, cerca de 90% da população portuguesa na Califórnia é de descendência açoriana. Foi neste sentido que Nelson Ponta-Garça promoveu a série. O projecto, desenvolvido durante quase três anos, é o resultado final de 130 entrevistas, que narram em detalhe experiências pessoais de emigrantes e descendentes de emigrantes. Em entrevista ao Diário dos Açores, o jovem produtor faz uma comparação entre a emigração do século XX e a de hoje em dia.
“Não há duas emigrações: os ‘pobrezinhos’ - fins do século XIX e princípio do século XX, e décadas de 1960/70/80 - e os novos ‘especializados’, que hoje saem de Portugal.  Para mim, são todos iguais”, defende, realçando que foram os “‘pobrezinhos’ da nossa emigração do século XIX e XX que deram o bom nome que Portugal hoje goza na Califórnia, nos Estados Unidos”.
“O documentário é mais do que claro que a audácia e mostra que a força de vontade destes emigrantes, fez com que hoje a nossa comunidade, embora despercebida, nutra pela parte das entidades americanas um grande respeito”, realça. Ponta-Garça afirma ainda que “numa altura em que Portugal atravessa um momento menos bom, esta será uma forma das audiências acompanharem casos de sucesso na Califórnia e talvez ganharem inspiração para transcender a realidade actual”, sublinha.
O documentário bilingue é constituído por nove episódios, começando com “Coming to America”, seguido do segundo segmento, “The early days in California”, e os restantes seis, a abordar histórias de emigrantes que alcançaram o sucesso naquele estado.
“A título de exemplo, temos intervenções de indivíduos na área da tecnologia, com a Google, Cisco, Skype, Microsoft; na área da agropecuária, com o maior produtor batata doce biológica e o maior produtor de leite do mundo, entre outros comendadores reconhecidos. Em relação a Hollywood, abordamos também estrelas mundiais com descendência portuguesa. Em Sacramento, políticos com poder de movimentar biliões, como Jim Costa e Devin Nunes. Entrevistamos também os produtores de vinho de Napa, pescadores milionários de San Diego, entre outros”, revela o produtor.
Nelson Ponta-Garça dividiu o trabalho em diferentes secções geográficas do estado, onde a presença açoriana “é mais significativa”, como San Diego, Los Angeles, Bay Area, Sacramento, entre outras.
A ideia para a realização do filme surgiu há alguns anos, depois do actual Presidente da Repúplica, Aníbal Cavaco Silva, se ter deslocado em visita ao Estado da Califórnia, nos EUA. A empresa de produção de áudio-visuais de Nelson Ponta-Garça, a NPG, produziu um vídeo, com segmentos sobre a realidade vivida na Califórnia, para ser exibido à comitiva presidencial e as reacções foram positivas. “Todos mostraram muito interesse em que se aprofundasse este trabalho. E assim se fez”, disse o luso-descendente.
O jovem optou por tratar a temática da emigração açoriana ao verificar que existiam registos “extremamente relevantes” da história das comunidades portuguesas na Califórnia em livros, revistas, jornais e também em produções radiofónicas, mas não em formato de documentário. “Pouco se tem feito na produção videográfica, que é, indubitavelmente, uma das mais marcantes para as novas gerações. Mas isto mudou com a apresentação de Portuguese in California”, afirmou.
O documentário, produzido pela Azores TV e pela NPG Productions, já teve a sua estreia em San Jose, no dia 27 de Abril.  “Foi uma noite em ambiente Hollywood, numa noite de Óscares.  Houve música, testemunhos, fraternidade e, acima de tudo, viu-se a estreia do primeiro episódio e excertos de outros. Uma estreia que deu que falar pela positiva e esgotou o salão de San Jose”, relatou Ponta-Garça.
Todo o projecto foi desenvolvido com um orçamento de 100 mil dólares, tendo contado com o apoio de dois “grandes nomes” do meio da produção audiovisual, Fernando Fragata e Sandra Menino.
Portuguese in California será ainda apresentado em outras cidades e, posteriormente, lançado em DVD e em televisões internacionais. Nos Açores, ainda não há data para a sua apresentação.
Nascido em San Jose, na Califórnia, Nelson Ponta Garça cresceu na ilha de São Jorge, voltando depois para os Estados Unidos. onde criou a produtora NPG.

Por: Alexandra Narciso