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Pais preocupam-se cada vez mais com saúde oral dos filhos

Dentista - criançaA ida ao dentista nos Açores era vista, até há pouco tempo, como uma prática interventiva de último caso, associada apenas à dor e à infecção, mas o que se tem verificado nos consultórios é uma preocupação crescente, especialmente por parte dos pais, em procurar um especialista para cuidar da saúde oral dos seus filhos. Apesar de não ser ainda uma atitude reflectida pela maioria das pessoas, as médicas Marta Sousa Lima e Catarina Soares, profissionais na Clínica de São Gonçalo, explicam os cuidados a ter com a higiene oral dos bebés e das crianças, que dizem ser de “extrema importância” para o crescimento do indivíduo

A partir de que idade a criança deve ir ao dentista?
A primeira ida ao dentista deve ser feita mal erupcionem os primeiros dentes decíduos, ou dentes de leite, de modo a que o médico dentista possa estabelecer junto dos pais um plano preventivo de Saúde Oral para o seu filho e interceptar hábitos prejudiciais ao bom desenvolvimento da sua cavidade oral.
Não havendo a possibilidade de ir a esta consulta, deve-se ir pelos dois anos de idade. É uma consulta de extrema importância, que deve e tem de ser desmistificada. Em prol desta desmistificação é fundamental que nós, médicos dentistas, consigamos estabelecer uma relação de cumplicidade e confiança com a criança; por isso, nesta primeira consulta, para além de uma conversa amigável, com palavras adequadas e abordagem tranquila, os procedimentos devem ser ligeiros e completamente indolores, aumentando gradualmente o tratamento nas consultas seguintes, mas sempre num curto espaço de tempo sem cansar a criança. É primordial que a criança sinta prazer em ir ao consultório.

Como prevenir o aparecimento de cáries na infância?
A prevenção de cáries é feita através da manutenção de uma boa higiene oral e de uma alimentação saudável e equilibrada. Uma boa higiene oral depende não só da técnica de escovagem utilizada, mas também da frequência com que esta escovagem é feita. Nas crianças em particular existem as denominadas cáries precoces da infância. Estas devem ser prevenidas através da aplicação de um conjunto de medidas como: incentivar a amamentação materna, mais ou menos, até aos seis meses de idade; colocar apenas leite ou água no biberão e oferecer à criança, sobretudo, durante o dia e nunca quando esteja a dormir; não colocar líquidos açucarados no biberão nem na chupeta; mesmo antes dos primeiros dentinhos erupcionarem devemos promover a sua higiene com gaze humedecida e quando iniciar a erupção usar dedeira ou escova macia, idealmente após as refeições.

Como podem os pais gerir as “guloseimas” que os filhos ingerem?
As goluseimas atraem as crianças como um íman e os pais não conseguem nem devem erradicar por completo o seu consumo. Contudo, este consumo tem de ser feito de forma moderada. Deve ser feito preferencialmente no fim das refeições e restrito a ocasiões festivas. Nunca diariamente.
A frequência de ingestão de alimentos açucarados e a altura em que essa ingestão é feita influenciam directamente o risco de desenvolver cárie dentária.

Como deve ser efectuada a escovagem dentária na criança? Pode usar o fio dentário?
A higiene oral tem início logo ao nascimento, mesmo antes de surgir o primeiro dente. Com o uso de dedeiras, compressa ou uma fralda embebida em água fervida devem-se fazer movimentos delicados, sem pasta dentífrica, nas gengivas, bochechas e língua do bebé de forma a remover a placa bacteriana, duas vezes por dia, sendo uma delas antes de deitar. Desde a erupção dos primeiros dentinhos até aos seis anos devem ser executados suaves movimentos de rotação sobre cada face dentária, dente a dente, utilizando uma pasta fluoretada cuja quantidade não deverá exceder o tamanho do dedo mindinho da criança. No final, pode ser executada a escovagem da língua, desde a base até à ponta. Nesta fase é fundamental a ajuda dos pais.
A partir dos seis anos, a criança já adquiriu alguma destreza e deve começar a adoptar uma técnica de escovagem mais completa, muitas vezes ainda com o auxílio dos pais: deve inclinar a escova em direcção à gengiva num ângulo de 45º e fazer pequenos movimentos horizontais e vibratórios, tipo vaivém ou circulares, de modo a que as cerdas da escova limpem o sulco gengival (espaço que fica entre o dente e a gengiva); deve escovar dois dentes de cada vez e as superfícies da mastigação, fazendo movimentos curtos tipo vaivém; e no final, deve escovar a língua suavemente. A quantidade de pasta de dentes com flúor não deverá exceder o tamanho de uma ervilha. Nunca é de mais reforçar. A escovagem demora dois a três minutos.
Desde que tenha destreza para tal, a criança pode e deve usar fio dentário. Normalmente, a partir dos oito anos a criança já consegue utilizar de forma correcta o fio dentário.

De que forma podemos incentivar as crianças a lavar os dentes?
Efectivamente, a criança tem de ser motivada. Por vezes, é uma tarefa trabalhosa que exige paciência e criatividade. É necessário insistir! Os pais não podem e não devem deixar a criança vencer por uma birra ou crise de choro; até porque, com insistência, a dificuldade acaba por se tornar numa rotina e, muitas vezes, num motivo de festa chegada a hora de ir para a frente do espelho.
O hábito da escovagem pode ser algo divertido.  As escovas de formato de animais e coloridas ajudam bastante, pois para além de atraírem pela aparência, têm um formato mais pequeno, sendo mais adequadas pelo tamanho e pelas cerdas macias.
A leitura de livros de histórias sobre a Saúde Oral também motiva muitas crianças.
Brincar com a Fada dos Dentes pode, de igual modo, ser engraçado. Os dentes começam a abanar pelos cinco/seis anos, podendo esta ser uma fase excitante, pois têm a esperada Fada dos Dentes que ao encontrar o dentinho debaixo da almofada deixa uma recompensa mágica pela perda do mesmo. Aí os pais podem brincar e dizer que só haverá recompensa mágica se os dentinhos estiverem sempre muito bem lavados.
Poderá ser um momento de família. Poderão escovar os dentes juntos, os filhos podem escovar os dentes dos pais e vice-versa. Nesta hora, os pais podem também verificar se os filhos estão a executar bem as técnicas de escovagem e, sempre que possível, terminada a escovagem, devem elogiá-los pelo feito.
É importante referir que os pais têm de dar o exemplo. É mais fácil para a criança tornar a escovagem rotina se esta observar que a restante família, após as refeições, escova os dentes, usa fio dentário e escova a língua. Os pais tornam-se o exemplo, o espelho para os filhos!

Quais as causas para a ocorrência de alterações da cor dentária nas crianças?
São várias as causas que podem levar à alteração da cor dentária. Entre elas, uma higiene oral deficitária, a existência de pigmentos extrínsecos de origem bacteriana ou alimentar, lesões de cárie, traumatismos e perturbações que afectem a formação do esmalte e da dentina.

Uma boa Saúde Oral durante a gravidez é importante?
Claro que sim! As grávidas constituem um grupo de pacientes que requer atenção e cuidados específicos no que respeita ao tratamento dentário. Muitas vezes esses cuidados são negligenciados devido à baixa percepção de necessidades e à falta de informação.
Durante a gravidez, a mulher está propensa a um maior risco de desenvolver cáries devido ao aumento do consumo de substâncias ricas em hidratos de carbono e açucares, bem como o aumento da frequência e da quantidade da dieta, sem, contudo, alterar a frequência com que faz a sua higiene oral.
A grávida tem as suas preocupações centradas na própria gravidez e amamentação, ficando vários meses sem se dirigir ao médico dentista para controlo e/ou tratamento adequado. Frequentemente há mesmo défice nos cuidados com a higiene oral. Estas situações, a par com a susceptibilidade que referi, podem levar a um aumento da actividade cariogénica e da incidência de doenças periodontais. Efectivamente, é comum neste grupo de pacientes o aparecimento de uma patologia oral denominada de gengivite gravídica. Apesar de ser uma patologia reversível, quando não tratada pode evoluir para estádios mais avançados, podendo mesmo ocorrer um aumento da mobilidade dentária.
Por todas estas razões, a grávida deve manter sempre uma boa Saúde Oral, reforçando os seus hábitos de higiene oral.

Qual é a altura mais oportuna para a grávida se dirigir a uma consulta de medicina dentária?
Durante a gravidez, a grávida pode, ao contrário do que os mitos ditam, ser submetida a tratamento dentário. Contudo, nos casos de tratamentos mais complexos ou extensos e demorados, e não sendo de total urgência, poder-se-á agendá-los para um período pós-parto.
Os tratamentos invasivos devem ser evitados, se possível, no primeiro trimestre da gravidez por ser um período onde poderá haver um maior risco de prejudicar o normal desenvolvimento do feto, assim como na segunda metade do terceiro trimestre, onde existe um maior desconforto por parte da grávida e maior risco de parto prematuro. A melhor fase para o tratamento dentário é o segundo trimestre da gravidez, no qual a organogénese está completa, o feto já desenvolvido e a grávida sente-se mais confortável.
É aconselhável uma consulta de higiene oral no final do último trimestre.

Os cuidados devem ser redobrados numa criança que pratica desporto, na eventualidade de haver lesões nos dentes ou nos tecidos orais?
Sim. As crianças que praticam desporto, principalmente modalidades de contacto como o judo, boxe, karaté, futebol, andebol, entre outros, devem ter cuidados redobrados de forma a prevenirem traumatismos faciais e dentários. Os traumas desportivos são mesmo a terceira maior causa de traumatismos faciais.
A melhor forma de prevenir este tipo de trauma é através do uso de protectores bucais. São dispositivos que funcionam como almofadas, distribuindo forças durante o golpe e prevenindo, não só a laceração e equimose dos lábios e bochechas durante o impacto, como também a fractura e avulsão dos dentes. Existem três tipos de protectores bucais; os pré-fabricados de tamanhos pré-definidos, os pré-fabricados termoplásticos e os produzidos pelo médico dentista. Os dois primeiros são de difícil adaptação à arcada dentária, interferindo na fala, respiração e tensão dos músculos faciais, ao passo que o produzido pelo médico dentista é de melhor adaptação, uma vez que previamente é feito um molde com a impressão exacta da arcada dentária a receber o protector bucal.

Como analisam a Saúde Oral na região?
Se falarmos em termos concretos, provavelmente não seremos as pessoas mais indicadas para analisar esta questão. Contudo, de um modo geral, podemos afirmar que a região tem lutado e tem conseguido, com sucesso, promover a Saúde Oral dos seus habitantes. Temos Centros de Saúde bem equipados e com médicos dentistas a exercer, que conseguem chegar a muitas famílias mais carenciadas que de outra forma não teriam acesso ao tratamento dentário. Claro que teremos sempre muito para colmatar.
Como entidade privada, na nossa equipa sentimos que a maioria dos pais se preocupa cada vez mais em apostar na prevenção da Saúde Oral do seu filho; evitar a dor, evitar a cárie e apostar num tratamento preventivo. Com base nessa procura, lançamos ainda este mês o programa de Acompanhamento de Saúde Oral Infantil onde o principal objectivo é orientar e motivar a criança a escovar os seus dentes e a utilizar o fio dentário, sem qualquer custo.

Mas, consideram que existe uma lacuna nos Açores relativamente à Saúde Oral, tornando-a uma prática interventiva de último caso, associada apenas à dor e infecção?
Como acabamos de referir e, segundo a nossa experiência, cada vez mais os pais procuram a prevenção em detrimento dessa prática interventiva de último caso associada à dor e infecção. É uma realidade que felizmente tem vindo a crescer nos nossos consultórios, mas temos  a noção de que, infelizmente, ainda não é a maioria que actua preventivamente. Há vários factores de origem sócio-económica e mesmo culturais que contribuem para que assim o seja, mas voltamos a frisar que a região e os médicos dentistas, em particular, muito têm feito para inverter essa situação.

O que a vossa clínica tem  feito, em concreto, para promover a Saúde Oral?
A clínica de São Gonçalo tem conseguido, como equipa multidisciplinar, chegar um pouco mais perto da população. Temos feito acções de sensibilização e promoção da Saúde Oral em creches, colégios, escolas preparatórias e secundárias, instituições carenciadas, lares de idosos, entre outros. Temos acompanhado várias crianças em condições sócio-económicas difíceis e é muito gratificante poder contribuir para a melhoria da Saúde Oral e, consequentemente, da saúde geral dessas crianças. Temos mesmo notado a crescente motivação e empenho da criança nos tratamentos e na própria higiene oral que anteriormente era negligenciada muitas vezes por falta de informação. Achamos que passa um pouco por aí, por informar e educar, incessantemente, a população de perto.

Onze detidos nos Açores por condução sob efeito do álcool

psp coresA Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve no passado fim-de-semana 11 indivíduos nos Açores, com idades compreendidas entre os 19 e os 61 anos, por condução de veículo automóvel sob a influência de álcool.
Nove das detenções foram efectuadas na ilha de São Miguel, sendo que as restantes duas ocorreram na Terceira e na Graciosa.
A informação foi divulgada no relatório de actividade policial da PSP, relativo ao fim-de-semana de 21 a 23 de Junho.
  A PSP deteve ainda, em Ponta Delgada, um homem, de 39 anos de idade, pelo crime de desobediência por estar impedido de conduzir pelo período de 12 horas.
Ainda em Ponta Delgada, a polícia deteve em flagrante delito, um homem, de 41 anos de idade, pelo crime de furto em interior de veículo, e outro, de 35 anos de idade, por ameaças e coacção a Agente da Autoridade no exercício das suas funções.
Por este último motivo, foi também detido um homem de 28 anos de idade, na Ribeira Grande, outro em Rabo de Peixe, de 41 anos, e um terceiro, em Angra do Heroísmo, de 19 anos.

Detido traficante de droga em Vila Franca
Já em Vila Franca do Campo, no âmbito de diligências de investigação, e após buscas à residência, foi detido um homem de 36 anos de idade, pelo crime de tráfico de estupefacientes e de detenção de arma proibida. Ao indivíduo foram-lhe apreendidas duas plantas de “cannabis”, seis doses de “haxixe” e uma arma proibida.
Jovens de 15 e 18 anos anos apanhados com droga
A PSP, de Angra do Heroísmo apreendeu a um menor do sexo masculino de 15 anos de idade, sete doses de “liamba” sendo elaborado o respectivo auto de ocorrência. O mesmo aconteceu com um jovem de 18 anos de idade, a quem lhe foram apreendidas duas doses de “haxixe”.
No âmbito de actuação da Esquadra de Santa Cruz da Graciosa foi realizada uma operação de fiscalização rodoviária, na qual foram fiscalizados 13 veículos e detectadas três infracções de natureza contraordenacional, nomeadamente, por condução de veículo automóvel sob o efeito de álcool (0,98 g/l), uma infracção por condução sem utilizar o cinto de segurança e uma infracção por circular em trânsito proibido.
O relatório da PSP aponta a ocorrência de 26 acidentes de viação nos Açores, entre os dias 21 e 23 de Junho, dos quais resultaram dois feridos graves, nove ligeiros e danos materiais.

Câmara de Ponta Delgada assegura cuidados médicos aos sem-abrigo

sem abrigoA Câmara Municipal de Ponta Delgada, presidida por José Manuel Bolieiro, vai disponibilizar uma equipa médica que vai apoiar as instituições que trabalham com indigentes e sem abrigo.
Em comunicado, a autarquia explica que a equipa é constituída por um psiquiatra e por um psicólogo que prestarão um apoio complementar, no âmbito da saúde mental, às instituições e associações cuja área de actuação está ligada aos sem abrigo e à indigência.
A equipa médica da câmara começa a trabalhar na próxima semana e exercerá a sua actividade, alternadamente, na casa da rua Manaias (a que foi disponibilizada pela autarquia para que os sem abrigo pudessem tomar as suas refeições debaixo de um tecto e em boas condições de higiene), bem como no centro ocupacional da Associação Novo Dia.
Caberá às instituições, associações e grupos que apoiam, diariamente, as pessoas que vivem ou passam o dia na rua, encaminhar para a equipa médica, ao serviço da Câmara, os indivíduos em situação de risco, como é, sem dúvida, o caso de quem vive sob as condições acima descritas.
A equipa, que foi criada pela Câmara, virá prestar ajuda àquelas instituições e grupos que tenham lacuna de serviços ao nível das áreas médicas mencionadas e está integrada no projeto “Caminho Solidário”, do Grupo de Inclusão Social, criado e coordenado pelo actual executivo da Câmara Municipal de Ponta Delgada.
Os perfis individuais dos utentes serão definidos pelos profissionais de saúde em articulação com as instituições no terreno.
Os indivíduos que se dirigirem ao serviço médico provido pela Câmara poderão participar em sessões de psicoterapia de grupo ou a nível individual, tendo direito a uma refeição ligeira, um lanche, já que se trata de pessoas que estão, na maior parte dos casos, privadas de alimento. As refeições serão disponibilizadas pela Divisão de Acção social da Câmara de Ponta Delgada de forma articulada com outras instituições.
Haverá psicoterapia de apoio regular, consultas de medicina, psiquiatria e psicologia sempre que necessário, daí, que haja uma intervenção social feita sempre em articulação com as instituições existentes.

Obras no Porto dos Carneiros com início em Julho

Luis Costa - porto dos carneirosO Director Regional das Pescas afirmou que as obras de beneficiação do Porto dos Carneiros, no concelho de Lagoa, vão começar em Julho, num investimento de cerca de 80 mil euros que tem um prazo de execução de 90 dias.
“Vamos beneficiar a actual rampa de varagem, construir uma nova rampa e remodelar a casa do guincho, concretizando assim um desejo dos pescadores da Lagoa, mas, acima de tudo, satisfazendo uma necessidade para todo o sector das pescas na ilha de São Miguel”, frisou Luís Costa.
De acordo com o Gabinete de Apoio à Comunicação Social, o Director Regional, que falava sexta-feira na apresentação do livro “Pesca do Bacalhau - de São Miguel à Gronelândia e Terra Nova” - diário de bordo de João Carlos Caetano, salientou que a intervenção vai permitir a “melhoria das condições de operacionalidade” daquele porto, onde “reside uma das mais emblemáticas comunidades piscatórias dos Açores”.
Na sua intervenção, Luís Costa recordou que “o sector das pescas contribui actualmente com mais de 20% para o total das exportações, sendo a actividade com maior impacto nos recursos marinhos e o garante da coesão territorial de dezenas de pequenas comunidades distribuídas pelas nove ilhas dos Açores”.

Actual crise poderá contribuir para “agravar” problemática da gravidez na adolescência

adelino diasForam 179 os jovens que, no espaço de dois anos, procuraram a ajuda da Associação para o Planeamento da Família e Saúde Sexual Reprodutiva, no âmbito do Serviço de Atendimento a Jovens. Em 2013, foram atendidos já 56. O serviço tem como objectivo aumentar o conhecimento dos jovens acerca de temas relacionados com a saúde sexual e reprodutiva, especialmente no que toca a infecções sexualmente transmissíveis e contracepção.
Em entrevista ao Diário dos Açores, o presidente desta Instituição Particular de Solidariedade Social salientou que o serviço tem tido uma aceitação “deveras positiva”, junto da população da ilha de São Miguel. Adelino Dias afirmou que a instituição é procurada “quer por iniciativa própria” dos jovens, quer quando “encaminhados por outras entidades”.
Umas das áreas de intervenção da associação passa pela dotação dos jovens de competências comportamentais preventivas de uma gravidez indesejada. “A gravidez precoce, em particular na adolescência, continua a ser uma preocupação pelos elevados índices da Região e pelas suas graves consequências no futuro dessas mães e dos seus filhos”, afirmou Avelino Dias.
Nos Açores, a problemática da gravidez na adolescência é o dobro da média nacional. Em 2011, a percentagem de jovens açorianas, com idades compreendidas entre os 10 e os 19 anos de idade, que foram mães foi de 14%, enquanto que, a nível nacional, foi de 6,7%.
Apesar destes dados, o representante da associação sublinhou que tem se verificado “um ligeiro decréscimo” no número de casos, o que, segundo afirmou, “é positivo, depois de vários anos sem alterações”.
Mas a actual conjuntura económica em nada pode contribuir para melhorar a gravidez precoce, na região.  “Receamos que as consequências da actual recessão económica, possam contribuir para agravar estes dados, nomeadamente, com maior dificuldade de acesso aos métodos contraceptivos gratuitos, fornecidos pelo Serviço Regional e Saúde e o abrandamento das intervenções de informação e atendimento junto das comunidades, pelo eventual fim dos projectos de intervenção”.
Questionado sobre se há ainda falta de informação sobre o assunto ou apenas falta de responsabilidade, por parte dos jovens, o presidente da Associação referiu que são “aspectos culturais ligados a uma necessidade de emancipação precoce obtida com a maternidade ou a falta de projectos de vida e o abandono escolar” que normalmente se associam  aos motivos de uma gravidez na adolescência.
No âmbito desta área de intervenção, na Vila de Rabo de Peixe, a instituição tem em curso, desde Agosto de 2011, o projecto “Desafios  intervenção na gravidez precoce”. Trata-se de um projecto que tem por objectivo “potenciar respostas individuais, familiares e sociais à gravidez e parentalidade adolescente”, bem como “prevenir a gravidez precoce na adolescência e a sua recidiva”, dividindo-se
Segundo salientou Adelino Dias ao nosso jornal, o projecto divide-se em dois subprojectos que visam, por um lado a prevenção da gravidez da adolescência e por outro a intervenção com adolescentes que são pais.
Até ao momento, foram realizadas 20 sessões de formação a um grupo de cinco mães com idades até aos 18 anos, a uma mãe de 21 anos de idade e a outros três casais. Sessões que permitiram abordar com os jovens temáticas como  a vigilância da Saúde do bebé, a alimentação e higiene da criança, o papel do pai na educação dos filhos, entre outros assuntos.
Adelino Dias mostrou-se preocupado com o agravamento de todos dos elementos da crise económica e social “sem fim á vista, que afectam o país sobretudo desde 2011”. O presidente da associação apontou os cortes nas áreas sociais, como na Saúde, Educação e Acção Social, bem como o aumento “em flecha do desemprego e consequentemente das situações de pobreza, e o empobrecimento geral da população”, como as situações que actualmente o preocupam, enquanto presidente da associação.
“Estima-se que, hoje em dia, mais de um terço da população portuguesa viva em situação de pobreza, quando há uma década este número se situava em torno dos 20%”, referiu. “Uma primeira consequência desta situação foi a queda da natalidade em 2012 para os valores mais baixos de sempre, com uma descida de cerca de 10% em relação a 2010 e cerca de 7% em relação a 2011”, acrescentou.
A Associação para o Planeamento da Família conta actualmente com a colaboração de três técnicas na área da Psicologia. Desde 1996 que existe como delegação da organização nacional de mesmo nome, mas foi apenas em 2012 que se tornou uma Instituição Particular de Solidariedade Social.
Adelino Dias revelou que anteriormente verificava-se um “deficit” na área da educação sexual nas escolas, “por falta de regulamentação e formação curricular dos professores”. “Inicialmente as intervenções restringiam-se essencialmente aos Serviços de Saúde no âmbito do Planeamento Familiar e da Contracepção”, afirmou, revelando que “a abordagem das populações era feita de forma pontual e esporádica”.
Mas, “a necessidade de reforçar as medidas de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis emergentes, de que se salienta a SIDA e a discussão pública preparatória do referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez veio desmistificar alguns tabus e constrangimentos em abordar junto do público mais conservador os temas ligados à sexualidade”.
A publicação do Decreto Legislativo Regional nº8/2012/A de 16 de Março veio contemplar a Saúde Afectivo Sexual e Reprodutiva como área privilegiada da Educação para a Saúde em contexto  escolar,  “criando as condições para oferecer aos jovens acompanhamento e conhecimentos, sobre as questões ligadas à vivência da sua sexualidade”, recordou.
Para o presidente da Associação para o Planeamento da Família e Saúde Sexual e Reprodutiva, “a educação é cada vez mais necessária para enfrentar outras características da evolução da sociedade, relacionadas com uma autonomização mais precoce dos jovens, a vulgarização de solicitações e estímulos da esfera sexual a par de uma maior mobilidade social”.