Antigo embaixador dos EUA descreve Vasco Cordeiro como alguém que “mostrava muito pouco respeito”

Marcelo - jornalistas

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, saiu em defesa do Presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, durante a apresentação de um livro do antigo embaixador dos EUA em Portugal, Robert Sherman, que ocorreu no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.

No livro - intitulado “Dez milhões e Um”, editado pela Atual, o diplomata americano conta algumas passagens do seu trabalho no nosso país enquanto embaixador e refere-se a Vasco Cordeiro como alguém que “mostrava muito pouco respeito” pelos seus interlocutores nas reuniões e que tinha um comportamento “muito pouco adequado” -, porque os dois “nunca se compreenderam um ao outro, nunca”.

Robert Sherman recordava encontros relacionados com o dossier da Base das Lajes.

Marcelo saíu em defesa de Vasco Cordeiro, dizendo que o autor do livro “foi um pouco injusto em relação ao Presidente Vasco Cordeiro”.

Por outro lado, Marcelo Rebelo de Sousa disse que Robert Sherman “exagera nos créditos do Presidente da República português”.

“Mas esses são pequenos detalhes num livro inesquecível”, declarou.

Na sua opinião, este livro é também uma maneira de lembrar que as relações luso-americanas são “uma prioridade estratégica” para ambos os países e, por isso, agradeceu ao autor Bob Sherman e à sua mulher, Kim.

“Vocês são uma prioridade para Portugal e nós somos, ou pelo menos devíamos ser, uma prioridade para os Estados Unidos da América. Mas, ao mesmo tempo, é uma maneira de inspirar uma aliança ainda mais forte, uma amizade ainda mais forte”, afirmou.

O Presidente da República defendeu ainda que os Estados Unidos da América “são uma prioridade para Portugal” e considerou que os dois países podiam “ter na área da energia novas ligações, no futuro, quem sabe”.

Marcelo Rebelo de Sousa apontou Portugal como “um dos muito poucos” países na Europa que “conseguem compreender plenamente” os Estados Unidos da América e “que são realmente transatlânticos”.

Num discurso quase todo em inglês, o chefe de Estado afirmou: “Nós, portugueses, adoramos os Estados Unidos da América”.

De acordo com o Presidente da República, “não há mudança de regime, não há mudança de chefe de Estado, de governo ou de embaixadores que possa abalar esta amizade tão poderosa”.

O ex-líder do CDS-PP Paulo Portas foi um dos presentes nesta cerimónia, em que Marcelo Rebelo de Sousa recorreu à canção “Grândola, Vila Morena” para observar: “Em cada esquina um amigo. É o caso de hoje”.

O Presidente da República tratou Robert Sherman como “português honorário”, pelo “amor que vota à história e maneira de ser” portuguesas, e como “um dos melhores amigos de Portugal” que já conheceu.

“É um amigo muito, muito, muito próximo de nós. É um dos melhores amigos de Portugal que já conheci”, reforçou. 

Sobre o período em que conviveram em funções, Marcelo Rebelo de Sousa disse que foi curto, porque só se conheceram em Outubro de 2015, quando “já estava em campanha” para as presidenciais de Janeiro de 2016. 

“E foi um dos poucos que compreendeu porquê aquela campanha e porquê este modo de actuar como Presidente da República, o significado desta Presidência”, considerou.