Oito ilhas estão a perder população e muitas crianças estão a nascer fora do casamento

pessoas em Ponta Delgada1Os Açores estão a perder população de ano para ano, com oito ilhas a registarem no ano passado a perda de milhares de habitantes.

De acordo com dados do SREA divulgados ontem, a penas o Corvo registou crescimento populacional.

Com efeito, estima-se que residiam na Região Autónoma dos Açores, 243.862 indivíduos, em 31 de Dezembro de 2017, sendo 118.810 homens e 125 052 mulheres. 

Esta estimativa representa uma diminuição de 1.421 indivíduos em relação ao valor estimado para 2016 ou seja uma taxa de crescimento efectivo de -5,8‰, menos 3,8 p.p. que no ano anterior.

Por ilhas verifica-se que o crescimento efectivo apresenta variações diferenciadas. 

Desta forma, e para 2017, quase todas as ilhas apresentam um valor negativo, com a excepção do Corvo onde este indicador foi 4,3‰. 

Dentro dos valores negativos, destacam-se as ilhas de São Jorge (-9,9‰) e das Flores (-8,2‰), sendo em Santa Maria apenas -0,7‰. 

O Índice de Envelhecimento demográfico (relação entre a população idosa e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos), fixou-se em 89,3 pessoas idosas por cada 100 pessoas jovens, contra os 85,6 em 2016.

Por ilhas, este índice atingiu os valores mais elevados na ilha das Flores (159,6), em São Jorge (156,1) e no Pico (152,5). Os valores mais baixos verificam-se em São Miguel (69,4), Santa Maria (98,5) e Terceira (108,2). 

Em 2017, a diferença entre o número de nados vivos e o número de óbitos ocorridos foi de -27, enquanto que em 2016 esta diferença era de -145. 

O excedente de vida apenas é positivo nas ilhas de São Miguel (226) e Santa Maria (19).

Nas restantes ilhas este indicador é negativo, atingindo os valores mais significativos na Terceira (-106) e no Pico (-51).

 

Menos crianças nascidas em 2017

 

Em 2017 nasceram 2.219 crianças nos Açores, menos 1,4% do que em 2016. 

A taxa de natalidade situou-se em 9,1‰, valor inferior em 0,1 p.p. do em 2016. 

A taxa de natalidade foi maior nas ilhas de Santa Maria (10,8‰), São Miguel e Pico (9,8‰) e menor no Corvo (2,2‰). 

Outro indicador de natalidade é a taxa de fecundidade (número de nascimentos por mulheres com idades entre 15 e 49 anos). Esta taxa tem vindo a decrescer desde 2000. 

Nesse ano teve um ligeiro aumento, descendo logo a seguir em 2001 (50,7‰), para atingir os 42,6‰ em 2010.

Aumentou para 43,3‰ em 2011, decrescendo logo em 2012, para 39,0‰, em 2013 e 2014, para 36,8‰, em 2015 para 36,0‰. 

Em 2016 situou-se em 36,2‰ e em 2017 registou mais uma descida para 35,7‰.

A par da oscilação que regista a taxa de fecundidade, outras características dos comportamentos relativos à natalidade têm vindo a modificar-se.

 

Muitas crianças nascem fora do casamento

 

O número de crianças nascidas fora do casamento têm vindo a crescer nos últimos anos, e em 2017 voltou a aumentar, tendo nascido 1.039 crianças fora do casamento (mais 53 do que em 2016) ou seja por cada 100 nados vivos, cerca de 47 são filhos de pais não casados entre si.

A percentagem de nascimentos fora do casamento assumiu valores mais elevados nas Ilhas do Corvo (100,0%), das Flores (75,0%), São Jorge (59,6%) e Pico (57,0%). 

Os valores mais baixos nas Ilhas de São Miguel (43,3%) e Terceira (48,3%). 

Actualmente, o nascimento em estabelecimento hospitalar cobre a quase totalidade dos nascimentos ocorridos na Região Autónoma dos Açores. 

Em 2017 cerca de 98,7% dos partos ocorreram em estabelecimento hospitalar.