Alemães seguram quebras no turismo, mas RevPar é o mais baixo

turismo-aeroportoO número total de dormidas nas unidades turísticas açorianas aumentou cerca de 2,2% nos primeiros dois meses de 2012, naquilo que parece ser uma boa notícia em muito tempo. A nível nacional o aumento foi de apenas 0,55%.
Mas na realidade esse resultado quase não tem qualquer expressão, uma vez que os valores de 2010 tinham sido péssimos – os piores dos últimos anos – e este pequeno crescimento não indicia qualquer tipo de retoma signigficativa. Na realidade, os hoteleiros voltaram a baixar nos seus divididendos que nestes dois meses se ficaram pelos 3,066 milhões de euros, o pior resultado desde pelo menos 2008.
O número de dormidas dos nacionais baixou cerca de -8%, e foi o aumento 28,4% das dormidas de estrangeiros que aguentou os valores. Os nacionais representaram, apesar de tudo, cerca de 64,7% do total de dormidas, embora este grupo não seja propriamente composto por verdadeiro turistas, mas provavelmente por viajantes profissionais (não existe, no entanto, qualquer dado regional oficial sobre esta temática). Mas essa probabilidade é bem espelhada no valor das dormidas médias: 3,75 dormidas por hóspede no caso dos estrangeiros, e 2,5 no caso dos nacionais. Aliás, no conjunto dos alemães e dos nórdicos, que representam 60% das dormidas de estrangeiros, a média é mesmo de 5,4 dormidas por hóspede.
Neste momento, a nacionalidade responsável por mais dormidas é a alemã, que registou 6.935 dormidas, o que representa quase 30% do total de dormidas estrangeiras. É provavelmente o maior valor de sempre, e claramente o maior desde pelo menos 2001 nos dados do Serviço Regional de Estatística. A sua presença, que nunca tinha atingido as mil dormidas (desde 2001), cresceu subitamente em 2009 para os 5.660, baixou em 2010 para 5.186, mas subiu para as 6.935 em 2011.
Já os países nórdidos parecem ter optado por outras paragens. Com apenas 7.064 dormidas em 2011, e apesar de uma subida em relação aos 5.586 do ano passado, é o seu segundo mais baixo valor desde 2001. Refira-se que em 2008 o seu valor tinha atingido as 32 mil dormidas, e em 2005 ultrapassaram mesmo as 46 mil, pelo que a quebra é enorme...
No caso dos nórdicos, há como que “ondas”: de 2001 a 2005 foram os suecos os principais, e de 2006 a 2008 foram os dinamarqueses. Os suecos deixaram os Açores em 2006; os dinamarqueses em 2010.
Irá acontecer o mesmo com os alemães? É muito provável que sim. Todos os povos nórdicos têm uma educação acima da média e exigência e hábitos claramente ecológicos – algo que só com muito esforço se consegue hoje encontrar nos Açores. E apesar de alguma belezas naturais que subsistem, a ausência da tendência ecológica – nomeadamente em termos alimentares – poderá acabar por ditar o seu futuro desaparecimento depois de, tal como os dinamarqueses e suecos, uma fase de descoberta.
Em relação aos hoteleiros, os resultados não podiam ser piores. Desde 2008 que o valor mais alto foi atingido em 2009, com 3,755 milhões de euros, e neste momento apenas realizaram 3,066 milhões. O RevPar (rendimento médio por quarto) ficou-se pelos 10,3 euros, o pior do país, onde a média foi de 16,4 euros (25,3 em Lisboa e 22,5 na Madeira).