Nova aposta passa por desenvolver team building para empresas locais

fun activities

Antes de ser criada oficialmente e de ter um nome, a Fun Activities Adventure já existia há muito tempo na cabeça de Paulo Medeiros e de João Câmara. Amantes dos desportos de aventura, estes primos tinham por hábito reunir-se, aos fins-de-semana, e ir à descoberta da ilha de São Miguel até que um dia a ideia de terem uma empresa começou a amadurecer e a tornar-se uma realidade. Foi Paulo Medeiros o primeiro a avançar e a arriscar na Fun Activities Adventure. À conversa com o Diário dos Açores, o empresário conta como tem sido esta aventura que partilha com João Câmara.

Diário dos Açores – Como surgiu este projecto?

Paulo Medeiros – Antes da empresa ser criada, já havia uma grande vontade, tanto da minha parte como do João Câmara, em explorar e conhecer a ilha de São Miguel. Neste sentido, tínhamos por hábito juntarmo-nos, geralmente aos fins-de-semana, e ir à descoberta. O João começou nestas lides com actividades de geocaching, mas desde crianças que gostávamos deste tipo de aventura e de andar à descoberta da ilha. 

A empresa Fun Activities nasceu em 2015, mas dois antes do nascimento da empresa, começamos a aventurarmo-nos, devagar, em campos que não eram os nossos como foi o caso do canyoning, exploração de ribeiras ou descer em rapel. Recordo-me perfeitamente que, na altura, fazíamos isso sem capacetes ou qualquer segurança. Aliás, será difícil encontrar hoje em dia um guia que não tenha começado desta forma.

Como gostávamos tanto daquilo que fazíamos, começamos a pensar que seria muito interessante termos uma empresa que se dedicasse a desportos de aventura. Era quase que uma brincadeira, mas que também era levada muito a sério. Começou-se a pensar num nome para a empresa e surgiu o nome Fun Activities Adventure e criamos uma página no facebook.

Nesta altura, ainda estávamos um pouco cépticos, se avançávamos ou não com a empresa, mas, aos poucos, a ideia foi-se concretizando e, a 26 de Janeiro de 2015, dia do aniversário da minha filha, decidi avançar e criar oficialmente a empresa, isto porque queria mesmo dar este passo e arriscar.

O primeiro ano não foi fácil, tive que fazer alguns empréstimos e era um risco muito grande que estava a correr, principalmente porque tenho uma família de três filhos e uma esposa que também é da área do turismo. Recordo-me que a minha esposa chegou a perguntar se era mesmo isso que eu queria.

O facto de, por outro lado, avançar com este projecto prendia-se também com o querer ter mais disponibilidade. Nas conversas que eu tinha com o João, falávamos muito no facto de andarmos a fazer algo que gostávamos mesmo muito, e porque não fazer o que se gosta e ter algum retorno financeiro?, pensávamos nós…

A possibilidade de poder fazer algo que gostava e ter ainda outra disponibilidade para poder estar mais tempo com a família entusiasmou-me bastante, porque custava-me imenso chegar tarde a casa e passar pouco tempo com os meus filhos.

A realidade é que essa disponibilidade que eu ambicionava acabou por não se concretizar tanto como queria, principalmente no início.

 

Depois de criar a empresa o que se seguiu?

PM – Comecei a desbravar terreno, principalmente com as agências de turismo, e o passo seguinte foi despedir-me da empresa onde trabalhava em que exercia as funções de assessor comercial, apesar da minha área de formação ser matemática aplicada. Pouco tempo depois também o João se despediu da empresa onde trabalhava e assim prosseguimos com o nosso sonho.

Recordo-me perfeitamente da nossa primeira cliente. Na altura, apesar de sabermos o que estávamos a fazer e de conhecermos o terreno, estávamos nervosos. Era uma prenda que ela estava a dar ao namorado e consistia numa actividade de canyoning. Correu muito bem e, no final, oferecemos um ananás à senhora porque queremos dar aos nossos clientes não só a actividade mas sempre algo mais.

 

Como foi o primeiro ano de actividade?

PM – Não tivemos muitos clientes no primeiro ano, foi mais a preparar caminho e a dar a conhecer a empresa. No segundo ano de actividade, altura em que eu o João deixamos as empresas onde trabalhávamos, foi quando começamos a estar a tempo inteiro e também a realizar as actividades que, no início, eram essencialmente canyoning e trilhos pedestres. Desde logo começamos a ter um feedback muito positivo e creio que isso aconteceu porque não escondíamos o prazer que tínhamos em estar com os clientes e em desenvolver aquelas actividades. Sempre mostramos muito entusiamo no desempenho das nossas funções e as pessoas reparam nisso. Porque o que está em causa não é só a questão da segurança e de fazer as actividades na perfeição, mas também de mostrar o prazer que dá praticar este tipo de actividades.

 

Actualmente que actividades têm disponíveis para quem vos procura?

PM – Começamos com o canyoning e trilhos pedestres. Actualmente também temos actividades com caiaques. Somos um operador marítimo-turístico, sendo que, o ano passado, crescemos imenso na área dos caiaques, tanto que foi necessário reforçar a nossa equipa. Já temos oito pessoas a trabalhar para nós na época alta. Estimo que em 2019 seremos 10 a trabalhar nos seis meses de época alta.

Também temos bicicletas, coasteering, em que só há duas empresas a o fazerem cá, e consiste na progressão ao longo de uma linha de costa onde a imersão em água é uma parte da actividade. Os participantes terão de atravessar zonas rochosas e aquáticas, recorrendo a uma variedade de técnicas onde se incluem escalada (sem nível técnico e de baixo grau de dificuldade), natação e saltos para a água. Fazemos ainda snorkeling que é uma prática desportiva de mergulho à superfície da água. O mergulhador usa apenas uma máscara, barbatanas e um tubo de aproximadamente 40 centímetros para respirar sob a água.

Temos outras actividades paralelas como é o caso, por exemplo, nos trilhos, em que fazemos alguma animação durante o trilho, principalmente quando há crianças envolvidas. Fazemos pequenas caças ao tesouro e lançamos alguns desafios às famílias.

 

Apesar da Fun Activities ser uma empresa relativamente jovem, considera que foi uma boa aposta?

PM – Totalmente, principalmente porque continuamos a fazer aquilo que gostamos, apesar de nestes primeiros anos eu não ter ganho a tal disponibilidade que queria ter para a família. Está a ser uma aposta ganha, mas também estou a pagar o preço disso ao nível familiar. Houve uma altura, principalmente no Verão, em que tanto eu como o João não tivemos tempo para nada a não ser para a empresa, mas foi por isso que a empresa cresceu. No entanto, foi uma altura de aprendizagem e aprendi a lição. Agora está tudo mais estabilizado. Os nossos objectivos foram alcançados e continuamos a levar alegria aos nossos clientes. Para além disso, quem trabalha connosco também tem prazer naquilo que faz e isso é essencial. Não queremos só pessoas competentes, primamos por ter colaboradores que têm prazer no que realizam.

Ao nível da competência, vai sendo trabalhada. No Inverno fazemos muitas formações. O ano passado tivemos uma empresa inglesa que veio dar formação em coasteering e este ano vamos dar outras formações, uma delas em caiaques. Assim vamos dando ferramentas para se aumentar a competência e também a experiência de quem está connosco.

 

A empresa está prestes a completar 4 anos de existência, há novos projectos a levar a cabo?

PM – Neste momento estamos a virarmo-nos também para o mercado interno e a ideia passa por desenvolver team building. Já fizemos, ao longo destes quase quatro anos, alguns eventos para empresas, já estamos associados a outros eventos grandes e temos adquirido alguma experiência nesta área. Outra ideia que ainda está em fase de desenvolvimento, mas que pretendemos levar a cabo já em 2019 prende-se com uma vertente mais social. Temos muito a consciência que as empresas precisam dar mais atenção ao lado solidário. É necessário reforçarmos a nossa competência social. A nossa missão não pode passar só por receber clientes e investir nas nossas empresas. A nosso ver é tão importante investir do ponto vista empresarial como ao nível social. Já estamos em contacto com várias instituições e a nossa ideia passa por, pelo menos uma vez por semana, independentemente de ser época alta ou baixa, ter pessoas de outras associações com a Fun Activities. Neste sentido, temos já agendada uma actividade com a Casa do Gaiato. Queremos não só proporcionar actividades a estas pessoas, mas também permitir que eles façam parte do nosso projecto e mostrar-lhes um caminho. Será uma actividade totalmente gratuita, em que não nos interessa facturar.

Pretendemos ainda continuar com o trabalho de marketing que temos vindo a desenvolver até ao momento, nomeadamente a participação em feiras nacionais e internacionais. Brevemente estaremos na BTL em Lisboa e em seguida estaremos na ITB na Alemanha.

Queremos também continuar a desenvolver a parte digital que está a cargo do João Câmara e que tem feito um trabalho muito importante nesta área.

 

A vossa actividade está focada na ilha de São Miguel, mas já pensou em alargar as actividades para outras ilhas dos Açores?

PM – Possivelmente iremos fazer, em 2020, canyoning na ilha das Flores que é dos melhores sítios ao nível europeu para se desenvolver esta actividade. Em São Miguel estamos mais limitados, e fazemos um canyoning mais básico. Temos tido clientes que já têm mais experiência e pedem-nos um canyoning com um nível diferente.

 

Estas actividades envolvem um certo risco, e são precisas medidas de segurança. Como se processa esta parte?

PM – Todo o nosso material é certificado e temos seguros que dão a garantia que o que fazemos é bem feito. Infelizmente, em Portugal, ainda não existe uma entidade que regule ao nível do canyoning e o que fazemos é recorrer a várias associações em Portugal, todas elas muito competentes, que nos dão formações nesta área. Uma empresa que esteja nesta área tem que ser competente, caso contrário não irá permanecer muito tempo no mercado. Até porque estamos num meio pequeno e se algo correr mal, saber-se-á logo.

 

A ilha de São Miguel tem muito para explorar?

PM – Muito! É uma ilha que ao nível da animação turística, infelizmente, está muito focada em apenas alguns pontos, como as Sete Cidades, Lagoa do Fogo e Furnas. O que se percebe, porque é o que se divulga, mas há muito para ver e descobrir nesta ilha. Mesmo na zona das Sete Cidades há certos recantos que não são explorados e que não fazem parte dos circuitos normais, e que podem ser vistos. Também na Lagoa do Fogo, apesar de ser uma zona mais selvagem, existe muito para ver. Onde também há muito por descobrir é no Nordeste que é uma das zonas mais lindas da ilha de São Miguel. Tem sido uma área que tem sido um pouco deixada para trás, porque logisticamente é mais complicado lá chegar. Se visitarem a página da internet da Fun Activities vão ter a possibilidade de ver lugares muito bonitos que, certamente, muitos locais até desconhecem.

 

A vossa empresa pára na época baixa?

PM – De facto, estamos numa época mais baixa, mas não parámos. No momento desta entrevista estamos a desenvolver uma actividade. O que notei foi que o ano passado tivemos menos sazonalidade, em que o Inverno foi mais activo. Já este ano, e falando com outras pessoas da área do turismo, chegamos à conclusão que o movimento foi bem mais fraco. Na Fun Activities aproveitamos esta época mais baixa para fazermos a manutenção dos nossos equipamentos e para darmos formação de guias. Em Março já começam a chegar muitas reservas.

 

É uma área que ainda está em crescimento?

PM – Sim. Creio que o turismo em São Miguel está em fase de amadurecimento. Apareceram muitas empresas, e acredito que ainda vão aparecer mais. Creio que agora haverá uma selecção natural, quando começarem a surgir as dificuldades. A partir de agora penso que haverá alguma estabilização das empresas. O ano passado foi fácil para todos, porque foi um ano de grande afluência de pessoas a nos visitarem, fruto também do facto de alguns mercados e destinos europeus e internacionais estarem em conflito, o que fez com que os turistas ficassem com receio e procurassem destinos mais seguros, como foi o caso dos Açores. Este ano já há países a voltarem à normalidade e os consumidores ganharam mais confiança nestes destinos. O que também noto é que a sazonalidade nos Açores continua a ser muito acentuada e parece que está a aumentar.

 

Quem são os vossos clientes?

PM – São maioritariamente estrangeiros. Tivemos alguns clientes portugueses, não muitos, porque são actividades que os clientes nacionais consideram dispendiosas. Uma actividade de canyoning custa à volta de 65 euros por meio dia, o que é considerado caro para os portugueses. Tivemos também muitas famílias, com jovens, que já têm por hábito realizar muitas actividades desportivas e radicais. Também nos apareceram ingleses, holandeses, alemães, franceses, suíços, alguns clientes do Egipto e muitos americanos e canadianos.

Estamos a falar de clientes de todas as idades. No canyoning temos clientes mais novos e nos trilhos, normalmente pessoas com mais idade. Mas isso é muito relativo. Tivemos clientes com 50 e 60 anos a quererem fazer canyoning. O cliente com mais idade que tive foi um senhor com 76 anos e fez canyoning.

 

O que vos difere da concorrência?

PM – Creio que a forma como estamos com o cliente. Não vamos para uma actividade sempre a olhar para o relógio de forma a querer despachar aquela actividade e começar noutra. Mostramos ao cliente que ele é importante e que estamos ali para que eles se sintam bem e tenham prazer no que estão a fazer.

Por outro lado, o que nos difere é também o facto de sermos uns apaixonados por aqui que fazemos. Os nossos guias vão para o terreno bem-dispostos, felizes e contentes por aquilo que desenvolvem.

 

O que se pode esperar ainda da Fun Activities Adventure?

PM – Estamos em fase de crescimento e isso implica muita coisa. Acredito que a Fun Activities veio para ficar e que vai crescer mais. No entanto, o nosso objectivo é que a empresa evolua, mas sem perder a nossa essência que é o que nos torna diferentes.

 

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