81% das empresas nos Açores têm menos de 10 trabalhadores

ponta delgada1Em 2017,  5.030 empresas exerciam actividade nos Açores e delas apenas 192 tinham a sua sede estabelecida fora da Região. Globalmente assistiu-se a um acréscimo no número de empresas em relação ao ano anterior de 2%, segundo dados revelados agora pelo Observatório Regional do Emprego e Formação Profissional.

No ano de referência, as actividades dominantes foram as do Comércio, reparação de veículos automóveis (27,7%), do Alojamento, restauração e similares (14,9%) e da Agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca (9,7%) que abrangeram mais de metade (52%) do total das empresas.

O tecido empresarial continuou a caracterizar-se pela sua pequena dimensão, atendendo a que 81,4% das empresas com sede na Região tinham menos de 10 pessoas.

 Em relação à antiguidade das empresas sedeadas nos Açores, 26,1% tinham menos de 5 anos e 3,6% menos de 1 ano de actividade. 

As empresas com 20 e mais anos de actividade representavam 31,6% do total sedeadas nos Açores, o que traduz um aumento de apenas 0,2 pontos percentuais em relação a 2016. 

No que diz respeito ao volume de negócios, comparando com o ano anterior, verifica-se uma ligeira variação negativa das empresas de menor facturação (menos de 50 mil euros), que passaram de 22,5% para 21,1% do total, sendo mais representativo o número daquelas que estão constituídas sob a forma de sociedade por quotas (58,6%).

A actividade das 5.030 empresas apuradas desenvolveu-se junto de 7 203 estabelecimentos (mais 1,6% do que no ano anterior), com recurso a 54 448 pessoas (mais 5,5% do que no ano anterior). 

O número de trabalhadores sindicalizados ronda os 13,5% e os trabalhadores portadores de incapacidade mantêm uma representatividade muito reduzida (0,3% do total).

 

Número de empresas aumenta

 

Analisando a actividade no mês de Outubro, apuraram-se 4.984 empresas representadas através de 6.931 estabelecimentos. 

Qualquer uma dessas variáveis tem vindo a evidenciar acréscimos desde 2015. 

O número de empresas aumentou na ordem dos 2,2% de 2016 para 2017. Também a situação do número de estabelecimentos traduziu-se num acréscimo de 1,8%.

A rede de estabelecimentos caracterizava-se em 2017 pela sua pequena dimensão, já que 5 795 tinham menos de 10 pessoas (83,6%) e abrangiam 34,7% do número total de trabalhadores ao serviço (35,8% em 2016 e 37,1% em 2015).

A informação referente à estrutura do emprego foca-se na distribuição do número total dos trabalhadores dos estabelecimentos e dos trabalhadores por conta de outrem (TCO) segundo a actividade económica, habilitações literárias, idade, antiguidade na empresa, nível de qualificação, sexo e profissões.

 

Maioria com o 2º ciclo

 

Quanto à distribuição percentual dos TCO por habilitações literárias, a grande maioria tinha entre o 2º ciclo do ensino básico e o ensino secundário, profissional e pós-secundário (72,3%), em 2016 (71,8%) e melhorou em relação a 2015.

Os TCO que possuíam habilitações iguais e superiores a licenciatura representavam 12,7% do total em 2017, registando-se uma variação positiva na ordem dos 1,1 pontos percentuais, em relação ao ano anterior.

Relativamente à antiguidade, 45,1% do total de trabalhadores permanecia nas empresas há menos de 5 anos. 

Nas empresas, há 20 e mais anos, estavam apenas 13,1% do total de trabalhadores.

 

58% são qualificados

 

Observando os níveis de qualificação, verifica-se que 58,2% dos TCO eram profissionais qualificados e semiqualificados (58,4% em 2016 e 59,5% em 2015) e que os quadros médios e superiores representavam 12,2% desses, uma ligeira subida, relativamente aos 11,2% e 11,1% registados em 2016 e 2015, respectivamente.

Em 2017, 37,6% dos TCO tinham menos de 35 anos e apenas 9,8% mais de 54; o primeiro grupo etário tem perdido ligeiramente o seu peso relativo (uma vez que representava 37,7% e 38,3% dos TCO em 2016 e 2015, respectivamente) e o segundo tem ganho (representava 9,5% em 2016 e 9,3% em 2015).

Considerando as profissões dos TCO, as que mais se destacaram em 2017 foram as dos trabalhadores dos serviços pessoais e vendedores, as dos trabalhadores não qualificados e as dos trabalhadores qualificados da indústria. 

Estes três grupos representaram 59,7% dos TCO, peso relativo semelhante que já se verificava em 2016 (60,1%).

Os valores relativos à duração do trabalho dizem respeito aos TCO para os quais se conhece a situação de duração do trabalho, e estão relacionados com a variável remuneração.

O período normal de trabalho que abrange o maior número de TCO a tempo completo e parcial foi o das 36 a 40 horas semanais, com 85,7% dos TCO. 

A duração média semanal do trabalho efectuado a tempo completo e parcial, nesse período, foi de 34,17 horas em 2017, observando-se variações residuais em relação aos anos anteriores.

 Considerando-se o período total, onde estão contempladas as horas extraordinárias, a duração média subiu para 34,62 horas (valor ligeiramente inferior ao registado em 2016), resultado de um total de 95 429 horas extraordinárias de trabalho efectuadas e que se traduz num acréscimo na ordem dos 22,8%, relativamente ao ano de 2016.

Os resultados apresentados para as remunerações mensais (base e ganho) dizem respeito às médias mensais devidas e pagas ao total de trabalhadores a tempo completo. 

Em 2017, a remuneração média mensal base total devida ascendeu a 829,07 euros (mais 23,02 euros do que em 2016 e mais 28,98 euros do que em 2015), e a paga foi de 806,93 euros. 

A desagregação por sexos demonstra um padrão que persiste e que se caracteriza pelo facto de os homens auferirem remunerações médias mensais base, tanto devidas como pagas, superiores às auferidas pelas mulheres. Quando considerado o ganho médio mensal, esse comportamento volta a confirmar-se.

De resto, a variável remuneração é abordada de forma exclusiva e mais detalhada numa publicação mais extensa designada de “Estrutura Remuneratória por Ilhas”, que este Observatório publica desde 2010.