Governo diz que fez “absoluto escrutínio” sobre o abandono de Providence pela SATA

sata avião neoA SATA Azores Airlines confirmou anteontem, ao fim do dia, que não fará este ano a rota de Providence, nos EUA, contrariando assim os inúmeros pedidos da comunidade, que fizeram inclusivamente uma petição com milhares de assinaturas.

A SATA alega que no período compreendido entre Junho a Setembro está prevista a realização de 12 frequências semanais entre Boston e os Açores. 

Estes voos serão operadas duas vezes ao dia, excepção feita ao Domingo e à Segunda-feira, dias em que se oferece apenas uma frequência diária. 

Nestas 12 frequências semanais, contam-se 10 com origem/destino a Ponta Delgada e duas com origem/destino às Lajes .

Neste contexto, a transportadora optou por “descontinuar a ligação a Providence, considerando que a simultaneidade de oferta para destinos muito próximos, não se afigura comercialmente adequada, no momento”. 

A notícia já tinha sido transmitida, na passada semana, pelo Presidente do Governo, Vasco Cordeiro, ao Conselheiro das Comunidades nos EUA, João Luis Morgado Pacheco, conforme revelamos na edição de ontem.

O nosso jornal teve acesso à carta que o Presidente do Governo entregou ao referido conselheiro, explicando as razões do abandono de Providence pela SATA. sublinhando que a decisão “não foi tomada sem absoluto escrutínio, por parte do Governo dos Açores, das diferentes variáveis financeiras, operacionais e comerciais”.

A carta de Vasco Cordeiro é mais explicativa do que o comunicado da SATA, avançando que, nas razões de natureza financeira, as condições financeiras da SATA e o respectivo plano de retoma a médio prazo obrigaram a tal decisão.

De acordo com Vasco Cordeiro, os custos com o handling (cerca de 1.900 dólares em Boston e 2.700 em Providence) as taxas de ocupação e a tarifa média, superiores em Boston do que em Providence, “fazem justificar uma decisão em favor do aeroporto de Boston”.

Quanto às razões de natureza operacional, o Governo Regional alega que, no que diz respeito a voos internacionais, o aeroporto de Providence apresenta “constrangimentos operacionais” devido à sua dimensão e dotação menos adequada para este tipo de operação.

Alega ainda que existem limitações a nível de equipamento e serviços, “como é o caso do número de gates internacionais ou a (in)disponibilidade dos serviços do US Customs and Border Protection (CBP), levando a dificuldades na aprovação dos landing rights”.

Ao inverso - prossegue a carta - o aeroporto de Boston apresenta excelentes condições para voos internacionais.

Nas razões de natureza comercial, o governo adianta que a conectividade da rede da  Azores Airlines no aeroporto de Providence é inferior à verificada em Boston, não apenas pelo número de companhias aéreas que operam como também pelo número de rotas domésticas e internacionais, dando aos passageiros menores possibilidades de horários, frequências e ligações de voos do destino.

Depois de explicar as companhias com quem a SATA trabalha, a partir de Boston, a carta do Presidente do Governo Regional salienta que “o facto da concentração num único aeroporto ser benéfica em termos de assistência e protecção a passageiros.

A explicação termina assegurando que a Azores Airlines “continuará a reavaliar, anualmente, a possibilidade de serem retomadas ligações aéreas, no caso entre Providence e Ponta Delgada, à semelhança do que faz com todas as rotas da sua operação”.