Serviços imobiliários nos Açores com maior valor acrescentado

vab 2016 2O sector relativo às actividades imobiliárias foi o que, em 2016, mais contribuiu para o Valor Acrescentado Bruto nos Açores, ou seja foi a actividade que representou a maior fatia do crescimento da riqueza no arquipélago, estando avaliado esse valor em 450 milhões de euros. 

De acordo com os mesmos dados, os últimos distribuídos pelo INE como definitivos, logo a seguir, na lista dos sectores com  valor vab 2016acrescentado mais elevado, surgem o da administração pública e o do comércio por grosso e a retalhos. 

Só estes 3 sectores perfazem 40% no Valor Acrescentado Bruto, todos na área dos serviços.

Actividades imobiliárias compreendem a compra, venda e arrendamento de bens imobiliários, a mediação e avaliação imobiliária, a administração de imóveis, as actividades das agências imobiliárias na intermediação da compra, venda e arrendamento, assim como a avaliação com vista à venda, compra ou arrendamento, executadas por conta de terceiros e as actividades de angariação.

Com um valor mais baixo surgem a agricultura e pescas, depois as actividades relacionadas com a saúde humana e as relativas à educação.

 

 VAB cresce no turismo 

e diminui na indústria

 

 As actividades de alojamento e restauração têm vindo a registar crescimentos significativos nos últimos anos no Valor Acrescentado Bruto, face à dinâmica do turismo, mas a indústria apresenta valores baixos não refletindo o contributo para a riqueza da Região que seria de esperar.

Olhando o gráfico relativo à partição por sectores, verifica-se que, na Região, o sector primário representa 9% do VAB, tendo registado um aumento entre 2010 e 2014, mas depois um decréscimo de 2014 até 2016. 

No conjunto apresenta um  aumento de um ponto percentual desde 2010, já o sector secundário que inclui a indústria e a construção está agora nos 12 %, mas já foi 14%, anteriormente.

A terciarização das economias é uma tendência dos tempos e tem vantagens dado que permite o desempenho de serviços específicos, com melhor qualidade e em muitos casos com menos custos, permitindo aos empresários uma dedicação mais focada na função central da empresa.

Nos Açores,  a situação tem aspectos particulares, por um lado alguns serviços têm de se multiplicar em todas as ilhas aumentando o número de funcionários públicos, professores e profissionais de saúde e é provável que tenham entrado funcionários a mais em alguns serviços.

O sector primário, onde se situa a agricultura e a agropecuária, que continua a ser o suporte mais sólido da economia das ilhas, poderia ter um maior peso no Valor Acrescentado Bruto.

Muito provavelmente haverá necessidade de mudanças não só em termos de eficiência e qualidade, porque esse tempo já passou, mas, segundo defendem os especialistas do sector, mudanças ao nível dos conceitos com a introdução de medidas que dependem do  governo, das cooperativas e associações, porventura seguindo sugestões que já foram apresentadas em estudos da Universidade dos Açores.

Mas o que porventura poderá ser mais preocupante na Região é a quebra  no sector secundário, com  a construção civil cada vez mais pobre e uma parte significativa dos lucros da indústria a ficarem fora da Região. 

 

Texto e gráficos de Rafael Cota/Para “Diário dos Açores

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