“Há 6 farmácias dos Açores em risco e fechá-las é acabar com o serviço de proximidade”

pedro cleto duarteOs Açores têm “seis farmácias em risco de encerramento”, duas por enfrentarem processos de insolvência e quatro processos de penhora, confirmou ao nosso jornal a principal associação daquele sector. 

As seis farmácias em risco de encerramento correspondem a 11,1% das farmácias do arquipélago nesta situação.

Existem 54 farmácias nos Açores, das quais “duas enfrentam processos de insolvência e quatro apresentam processos de penhora”.

O presidente da Associação Nacional das Farmácias, Pedro Cleto Duarte, confirmou ao “Diário dos Açores” que estará amanhã e sábado nas ilhas de São Miguel e Terceira para “recolher assinaturas para salvar a rede”.

 

Primeiras 56 mil assinaturas já foram entregues

 

Pedro Duare explicou ao nosso jornal: “A petição “Salvar as Farmácias, Cumprir o SNS” tem ultrapassado todas as expectativas. A mobilização das pessoas e das farmácias tem sido extraordinária. É inacreditável o vínculo e a relação que as farmácias estabelecem com as pessoas e estas com as farmácias”.

O dirigente nacional acrescenta ainda que “no dia 1 de Março foram entregues as primeiras 56 mil assinaturas da petição na Assembleia da República, em Lisboa. Vamos continuar a recolher assinaturas até ao dia 30 de Março. Peço a todos que não paremos, para criarmos a maior petição da nossa Democracia, e demonstrarmos esta relação indestrutível entre os portugueses e a sua rede de farmácias”.

Pedro Cleto Duarte vem agora aos Açores recolher mais assinaturas para salvar as farmácias do país em risco, que são 679, entre as quais estão as seis açorianas.

 

“Farmácias garantem o primeiro apoio às pessoas”

 

Interrogado pelo nosso jornal sobre o significado desta petição nacional, Pedro Duarte explica que tem visitado farmácias por todo o país, “muitas delas no Interior, e tenho encontrado muitos casos que revelam um enorme serviço à comunidade. É realmente impressionante percebermos a qualidade dos serviços que são prestados nestas localidades”.

E sublinha: “As farmácias garantem o acesso aos medicamentos, mas também um primeiro apoio às pessoas e aconselhamento profissional em caso de doença. Os idosos e os doentes crónicos já beneficiam disso, mas podem beneficiar muito mais, se o Estado aproveitar as farmácias para desenvolver programas de saúde pública e de acompanhamento dessas pessoas. As farmácias têm de poder marcar consultas médicas e contactar os médicos sempre que necessário, como nos casos em que há falhas de medicamentos e é preciso encontrar alternativas de imediato. As farmácias devem poder vacinar as pessoas contra a gripe em condições iguais aos centros de saúde e dispensar medicamentos aos doentes com sida e com cancro, como está previsto no programa do Governo”.

Na entrevista concedida ao “Diário dos Açores”, o Presidente da Associação nacional das Farmácias lança o alerta: “Se não forem tomadas medidas, vai acontecer às farmácias de proximidade o mesmo que já aconteceu, neste século, a muitos outros serviços. Já fecharam cerca de mil extensões de centros de saúde e mais de 5 mil escolas primárias. As farmácias não deixam de existir, mas para subsistirem terão de ficar mais concentradas nos centros urbanos, longe das populações mais isoladas”.

 

Ribeirinha, Lagoa e S. Roque

 

A visita  de pedro Duarte aos Açores começa pela ilha de São Miguel, amanhã, onde o presidente da ANF vai visitar três farmácias, uma na Ribeirinha, concelho da Ribeira Grande, uma outra em Santa Cruz, Lagoa, e uma terceira farmácia em São Roque, em Ponta Delgada.

No sábado, na Terceira, visita uma farmácia no concelho da Praia da Vitória e três em Angra do Heroísmo.

Actualmente, 679 farmácias em Portugal enfrentam processos de penhora e insolvência, o que corresponde a 23,2% da rede, de acordo com o barómetro Centro de Estudos e Avaliação em Saúde (CEFAR) da Associação Nacional das Farmácias, citado pela ANF.

 

Bastonário dos Médicos apoia Farmácias

 

 O Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, foi um dos primeiros subscritores, justificando que “o acesso dos doentes aos medicamentos está mais uma vez em risco. As farmácias estão em grandes dificuldades”. 

“A adesão dos mais altos representantes das profissões da saúde é para nós uma honra e uma responsabilidade”, afirma o Presidente da Associação Nacional das Farmácias.

Paulo Cleto Duarte adianta que “as farmácias querem trabalhar de forma cada vez mais articulada com médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, para que cada português encontre sempre rapidamente a solução adequada aos seus problemas de saúde, quer viva nas grandes cidades ou nas aldeias mais isoladas”.

A petição adianta que foram reportadas 64 milhões de embalagens de medicamentos em falta nas farmácias só no ano passado, afirmando que “a austeridade sobre o sector do medicamento não pode ser eterna”.

“É urgente salvar a rede de farmácias”, pede o texto da petição, que, segundo a ANF, supera a última petição nacional das farmácias realizada em 2014. 

O farmacêutico Paulo Cleto Duarte é Presidente da Associação Nacional das Farmácias pelo segundo mandato, pretendendo ”fazer das farmácias a rede de cuidados de saúde primários mais valorizada pelos Portugueses”. 

Esta é a prioridade absoluta da sua direcção, que iniciou funções em 2013 e que vê novamente agora legitimado pelos seus pares um programa eleitoral de continuidade na missão de defesa da farmácia, da sua sustentabilidade e do seu reconhecimento como rede de cuidados de saúde primários de referência, indispensável ao Sistema Nacional de Saúde e a Portugal.

Paulo Cleto Duarte, com 46 anos, já tinha ocupado os cargos de secretário-geral e vice-presidente da direcção da ANF. 

Preside aos destinos da Associação desde Maio de 2013.