Morreu no Canadá o antigo desportista lagoense João Azeredo

joao azeredoJoão Francisco Azeredo (69 anos) conhecêmo-lo ainda na pré-adolescência, quando integrado na equipa ad hoc de futebol do Cabouco, ia jogar ao campo de futebol da Freguesia do Rosário, o único de todo o concelho naquela altura – eu devia ter uns 13/14 anos – e que era a sua localidade de residência... Nalgumas ocasiões, ele até chegou a ser meu adversário.

Com a minha chegada, aos 15 anos, aos Juniores do Clube Operário Desportivo e, depois, com o meu namoro com a Anália, sua prima em primeiro grau devido às mães serem irmãs, o nosso contacto passou a ser mais frequente. 

Aqui é preciso dizer que o João Francisco tinha alguma simpatia por mim, pela habilidade e condição de jogador do Operário e, claro, por ser o noivinho da sua querida prima.

Com o passar dos anos, o meu contacto com o João Francisco foi-se cimentando. 

Por causa do futebol, como já vimos, mas também pelas reuniões de família, sobretudo pelo Natal, quando era tempo de festejar.

 Em todas as circunstâncias, o João Francisco sempre se mostrou ser um gentleman, pelo trato que aplicava no contacto e diálogo com todos, fossem eles jovens ou menos jovens.

Desde muito novo, o João Francisco aprendeu a profissão de serralheiro. Foi na Fábrica do Sabão, entidade para quem trabalhou até emigrar para o Canadá em Setembro de 1975, isto depois de ter casado e deixado o Serviço Militar. 

Foi, de resto, esta profissão que serviu de ganha-pão ao João Francisco enquanto imigrante no Canadá...

Ainda em São Miguel, o João Francisco ajudou a fundar a equipa de futebol da Provimi, que nasceu no interior da Fábrica do Sabão para ombrear com o Clube Operário Desportivo, até então a única do concelho de Lagoa, e considerada, já na altura, uma das melhores da ilha, mesmo dos Açores.

Quando do aparecimento da Provimi, que foi para a Segunda Divisão, em São Miguel, o João Francisco chegou a vestir a sua camisola durante algum tempo. 

Mas, como as suas qualidades futebolísticas não eram, como direi, de primeira água, o Francisco, como também era conhecido, deixou o plantel e passou a ajudar a equipa noutras áreas.

Quis o destino que as nossas vidas se cruzassem de novo no Canadá, para onde vim em Março e o João Francisco em Setembro do mesmo ano – 1975! 

Aqui, pela dimensão geográfica e pelas responsabilidades profissionais e familiares de cada um, o nosso contacto continuou mas só de quando em vez, de novo por questões familiares; também por encontros fortuitos ou programados relacionados com a nossa condição de jornalista e ele como dirigente no Centro Comunitário de Nossa Senhora de Fátima, na cidade de Laval, onde ele sempre habitou e nós passámos a viver a partir de 1992.

A actividade comunitária do João Francisco foi muito promissora. Principalmente à volta das questões religiosas. 

Ajudar na Igreja, apoiar as Festas do Espírito Santo, colaborar nas festas de angariação de fundos, participar em arranjos no Centro de toda a ordem fizeram deste lagoense um dos elementos mais queridos da Comunidade de Laval, como agora se pôde confirmar durante o seu funeral, para onde ocorreram centenas de pessoas, todas chorando a partida de um «... Homem digno, de bom coração, amigo do seu amigo», como diria o Padre António Araújo no decorrer da cerimónia fúnebre, realizada, primeiro no Complexe Funéraire Yves Légaré e, depois, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, ambos em Laval. 

De tão profícua que foi a sua acção como voluntário na comunidade de que fez parte durante mais de 40 anos, que até a cidade de Laval se rendeu ao seu labor, atribuindo-lhe em festa de gala anual o título de «Voluntário do Ano»! É obra! 

Para mais se tivermos em consideração que aquele título foi atribuído num leque de mais de 500 mil pessoas!

João Francisco Azeredo deixa na dor sua esposa Maria dos Anjos, os seus dois filhos Leslie e Graça, os seus três netinhos, o genro Manuel; a irmã Fátima e cunhado Carlos Furtado (vivem nos Açores), assim como tias, tios e muitos primos. 

A todos eles, as nossas mais sentidas condolências.

 

Exclusivo LusoPresse de Montreal/Diário dos Açores