Luís Brum, do Sindicato dos Pescadores, ao nosso jornal “Está-se a criar um exagero de reservas marinhas”

luis carlos brum 1O responsável pelo Sindicato dos Pescadores dos Açores, Luís Carlos Brum, considerou ontem ao nosso jornal que “há um exagero de áreas protegidas marinhas, descurando-se a actividade piscatória na Região”.

O dirigente sindical falava a propósito da intenção do Governo Regional em criar mais áreas protegidas na ZEE dos Açores.

Com efeito, o Governo anunciou na semana passada que vai declarar dentro de três anos 15% da sua Zona Económica Exclusiva (ZEE) como reserva marinha totalmente protegida, sem pesca nem actividades extractivas de areias e recursos minerais, o que equivale a 150.000 km2, ou seja, 1,5 vezes a área de Portugal Continental.

O Governo Regional dos Açores, a Fundação Oceano Azul (concessionária do Oceanário de Lisboa) e a Waitt Foundation (EUA) assinaram um acordo para concretizar este projecto, o Programa Blue Azores, numa cerimónia que decorreu no Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, na ilha do Faial. 

Na cerimónia estiveram presentes o Presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Meneses, a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, o Presidente da Fundação Oceano Azul (FOA) e do Oceanário de Lisboa, José Soares dos Santos, e o Presidente da Waitt Foundation, Ted Waitt.

Os 15% da ZEE dos Açores são 10% da Zona Económica Exclusiva portuguesa e os objectivos do Programa Blue Azores incluem também o desenvolvimento e aplicação de planos de gestão para as novas áreas marinhas protegidas (AMP) e para todas as já existentes.

Pretende ainda desenvolver e adoptar um plano espacial marinho legalmente obrigatório, melhorar a gestão da actividade pesqueira na região, identificar novas áreas de interesse para processos cientificamente sustentados de conservação, e lançar um programa de literacia azul para as crianças nas escolas e para o resto da população da região. Para todas estas medidas o Governo Regional vai aprovar as leis, regulamentos e políticas públicas necessárias no prazo de 36 meses.

Perante este compromisso, os organismos ligados à pesca não gostaram de ver mais área restringida à actividade.

O Presidente da Federação das Pescas, Gualberto Rita, veio a terreiro a declarar que “estamos muito empenhados na sustentabilidade mas, ao mesmo tempo, estamos preocupados com o sustento económico e social dos pescadores, com a possibilidade de haver uma quebra nos seus rendimentos”.

Luís Carlos Brum, do Sindicato dos Pescadores, vem na mesmo linha de argumentação, em declarações ao nosso jornal, afirmando que os pescadores “concordam em salvaguardar os recursos marinhos, mas também é preciso salvaguardar os espaços para as pescas, que já são poucos”.

“Tem que haver um equilíbrio entre as duas coisas e a tendência que vimos assistindo é a de criar cada vez mais reservas naturais, reduzindo mais ainda os bancos de pesca”, alerta Luís Brum, deixando um apelo, segundo o qual “temos que nos preocupar também com a sobrevivência da classe”.