BE denuncia clima de pressão e assédio moral baseado na humilhação na Cofaco
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- Publicado em 27-03-2019
- Escrito por Redacção
O Bloco de Esquerda denunciou ontem o que chamou de “clima de enorme pressão, intimidação e assédio moral baseado na humilhação sobre as trabalhadoras da Cofaco, em São Miguel”, e exige a rápida intervenção da Inspecção Regional do Trabalho.
De acordo com os bloquistas, “estas são as situações mais graves que chegaram ao conhecimento do Bloco de Esquerda, nas últimas semanas, através de várias queixas e relatos, verbalmente e por carta: limitações para idas à casa de banho que levam a que as trabalhadoras não consigam resistir a tantas horas de espera – o que, para além de pôr em risco a saúde, é humilhante –, proibição de falar na linha de limpeza de peixe assim como no refeitório – o que gera um ambiente de trabalho tóxico e militarista – e situações de discricionariedade na aceitação de documentos justificativos de faltas – o que tem levado à instauração de vários processos disciplinares com vista a despedimento”.
Para o BE, “em pleno século XXI estas práticas laborais, atentatórias da dignidade humana, não podem de forma alguma passar incólumes e têm de ser investigadas pelas autoridades competentes, para que terminem de imediato”, disse o deputado António Lima, que refere um agravamento deste panorama nos últimos meses.
“A pressão que as trabalhadoras relatam é tal, que é necessário haver uma denúncia pública, para que se garanta que a empresa efectivamente altere as suas práticas e mude a forma como trata as trabalhadoras. Exige-se respeito!”, disse o deputado do BE.
Tendo em conta que algumas das situações em causa são passíveis de constituir ainda discriminação sobre as mulheres no trabalho, o BE vai dar conhecimento do conteúdo dos relatos e das cartas que recebeu, não só à Inspecção Regional do Trabalho, mas também à Comissão Regional para a Igualdade no Trabalho e no Emprego dos Açores.
António Lima salienta que a Inspecção Regional do Trabalho “não se pode ficar por uma visita à fábrica e a inquirições à administração: é preciso que fale com as trabalhadoras para que ouça em primeira mão os relatos do clima insuportável, do ponto de vista laboral e humano, que se vive naquela empresa”.
António Lima avançou ainda que “sob este clima de pressão e humilhação estão trabalhadoras que, apesar de terem um trabalho desgastante do ponto de vista físico e psicológico, recebem – na sua maioria – apenas o salário mínimo, e o seu contrato de trabalho não prevê qualquer progressão na carreira”.
“Ninguém compreende que alguém fique 20, 30 ou 40 anos na mesma categoria profissional a ganhar o salário mínimo toda a sua vida. Isso não é aceitável”, disse António Lima, que defendeu, o aumento do salário mínimo e a existência de um acordo colectivo de trabalho que permita a progressão na carreira.
