CDS-PP critica crescimento desproporcional do turismo nas ilhas do arquipélago

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O deputado do CDS-PP Açores, Alonso Miguel, lamentou ontem, no parlamento regional, que o crescimento do turismo no arquipélago não se esteja a verificar “de uma forma transversal e proporcional em todas as ilhas”.

No debate de urgência sobre Turismo e Acessibilidades, apresentado pelo CDS-PP, o deputado apontou o caso da ilha Terceira: “Preocupa-nos que a ilha Terceira tenha sido a ilha que menos cresceu no último verão IATA em termos de passageiros desembarcados e que o aeroporto da Terceira tenha sido o único na Região a registar quebras nos meses de Junho e Julho de 2018, relativamente a 2017, com menos 1.155 passageiros em Junho e menos 502 passageiros em Julho”, afirmou em plenário, acusando o executivo açoriano de “desvalorizar o significado e a relevância destes dados”.

Alonso Miguel manifestou ainda a preocupação do partido com a análise dos números de dormidas registadas em Janeiro de 2019 nos Açores,  recordando que “apenas se verificou crescimento em 4 das 9 ilhas”.

“Não basta uma ilha desenvolver-se para garantir o desenvolvimento das restantes”, afirmou, acrescentando que “a situação nos próximos meses será dramática e terá um reflexo muito negativo em termos económicos para as ilhas do Grupo Central”.

O deputado do CDS-PP lamentou também que a ligação aérea entre a ilha Terceira e Madrid não tenha ainda sido retomada e criticou a suspensão, no próximo verão, da Linha Lilás, que faz a ligação marítima entre Angra do Heroísmo e a Calheta.

Por outro lado, Alonso Miguel denunciou ainda a “disparidade” entre os voos previstos para São Miguel e para a Terceira para este ano. “Segundo os dados recentemente noticiados, a ilha de São Miguel irá receber voos de 21 origens diferentes (10 países), enquanto a Terceira apenas receberá ligações de 7 locais distintos (apenas 3 países)”, afirmou, realçando ser “fundamental que a SATA redefina a sua estratégia”.

Para o deputado, “é urgente estabelecer uma nova política de acessibilidades que potencie o turismo das ilhas do Grupo Central dos Açores”.

 

Governo rejeita críticas e aponta “resultados claramente positivos”

 

A Secretária Regional dos Transportes e Obras Públicas disse, por sua vez, que o executivo açoriano “esteve, está e continuará a estar empenhado no desenvolvimento de cada uma das nove ilhas dos Açores”, apresentando “resultados claramente positivos”.

Ana Cunha apontou “a maior reforma de sempre na mobilidade proporcionada pelo transporte aéreo, com um modelo onde as novas obrigações de serviço público nas ‘gateways’ da Horta, Pico e Santa Maria, conjugadas com a liberalização do acesso às ‘gateways’ da Terceira e Ponta Delgada, tudo complementado com a política de auxílio social à mobilidade, que se traduziu no subsídio social de mobilidade aos passageiros residentes e estudantes”.

 “A tudo isto, juntou-se a política encaminhamento de passageiros para as ilhas sem ‘gateway’”, acrescentou, salientando ainda “a maior redução de sempre no preço das passagens interilhas, uma redução média de 20%, estabelecendo um preço máximo de bilhete de 120 euros e preços intermédios entre 90, 100 e 60 euros”.

Ana Cunha destacou ainda que “o número de passageiros desembarcados nos voos territoriais passou de 336 mil em 2014 para 745 mil em 2018, ou seja, mais 122%, portanto, mais do dobro dos passageiros desembarcados em 2014, ano que antecedeu a entrada do novo modelo”.

Na sua intervenção, a governante frisou ainda que a SATA, neste verão IATA, entretanto iniciado, “incrementa a oferta da SATA Air Açores e da SATA - Azores Airlines”, já que “este verão serão disponibilizados 692 mil lugares na operação interilhas e 820 mil lugares na operação de e para fora da Região”.

No transporte marítimo de passageiros, Ana Cunha referiu que “o número de passageiros transportados na operação sazonal da Atlânticoline passou de 66.578 em 2013 para 70.577 em 2018, ou seja, um acréscimo de 6%”, enquanto na operação regular, “em 2013, ou seja, antes dos novos ferries, foram transportados 396.936 -passageiros, sendo que em 2018 o número se situou nos 489 mil, tendo assim um aumento de 23%”.

“É certo que, no ano passado, devido ao infortúnio do navio ‘Mestre Simão’, a operação ficou condicionada, o que se repercutiu nos seus resultados”, afirmou, recordando que, “perante as adversidades”, o Executivo não baixou os braços e “foi, de imediato, iniciado o processo para substituição do ‘Mestre Simão’ por outro navio idêntico, embora um pouco maior e com mais capacidade de transporte de viaturas, algumas que podem ir até 5,5 toneladas”, que deverá entrar em funcionamento no último trimestre do ano.

 Sobre a infraestruturas portuárias da Região, a Secretária Regional recordou os “mais de 35,8 milhões de euros” investidos ao longo da legislatura, sendo que, actualmente, estão em curso investimentos de mais de 25,4 milhões de euros.

“Acresce ainda o investimento que está a ser programado em equipamentos portuários para todas as ilhas, que rondará os 10 milhões de euros, de onde se destaca, desde logo, a aquisição de uma nova grua portuária para o Porto da Praia da Vitória, num valor de cerca de 3,4 milhões de euros”, sublinhou Ana Cunha.

 

PSD critica futuras restrições no Alojamento Local

  

No mesmo debate sobre turismo e acessibilidades, o deputado do PSD/Açores António Pedroso denunciou que o Governo Regional quer “cortar as pernas” ao alojamento local no arquipélago, alegando que o executivo está a preparar legislação que vai restringir a criação de novas unidades.

António Pedroso salientou que as futuras restrições ao alojamento local, previstas na proposta de revisão do Programa de Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores, podem colocar em risco o rendimento de muitas famílias que investiram neste tipo de alojamento.

“O alojamento local é um tipo de negócio, por vezes familiar, que cria postos de trabalho e envolve 1713 pessoas ou famílias. Muitas vezes serve como complemento aos rendimentos das famílias. Se a legislação futura concretizar demasiadas exigências a essa tipologia, poderá acabar com este rendimento extra de mutas famílias açorianas”, disse.

Segundo António Pedroso, “uma tipologia não subsidiada pelo Governo, como é o alojamento local, consegue em três anos atingir 12.461 camas, um valor idêntico aos grandes hotéis subsidiados”.