Associação de Alojamento Local olha com preocupação proposta de revisão do POTRAA

Alojamento local - placaDepois ter vindo a público as mais recentes notícias que dão conta da intenção do Governo Regional em preparar legislação que vai restringir a criação de novas unidades em alojamento local nos Açores, previstas na proposta de revisão do Programa de Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores (POTRAA), o Presidente da AL – Associação de Alojamento Local dos Açores, Rui Correia, em declarações ao Diário dos Açores, disse olhar com “alguma preocupação” para este facto, no entanto, revela que a Associação está “expectante porque, explica, “o POTRAA acaba por ter um plano que despoletou todas estas dúvidas”, uma vez que “introduz e recomenda uma nova sub-categoria de alojamento local designada por AL+. Este responsável adianta ainda que “é também apontado neste plano que haja uma alteração à legislação e a toda a regulamentação que existe actualmente nos Açores”. Ora, refere Rui Correia, “temos um plano estratégico de ordenamento para os próximos anos que aponta para uma nova sub-categoria mas não diz que critérios é que esta sub-categoria irá ter”, avançando apenas que nas sedes de concelho e em algumas áreas só poderá haver AL+, e que em outras zonas poderá existir AL e AL+, contudo com algumas taxas de crescimento e limitações.

Perante estas propostas, o presidente da AL entende que não lhe “parece correcto fazer-se um plano em face de um plano estratégico com base numa futura sub-categoria que não está regulamentada”, isto porque, adianta, “torna-se difícil fazermos uma análise comparativa com o restante sector do turismo, sem saber se, efetivamente, nestas novas regras se serão impostos critérios que eles próprios possam ser limitadores do crescimento”.

Rui Correia adverte que “não basta só dizer que o AL+ nas sedes de concelho não têm limitação de crescimento, quando não sabemos quais são os critérios, porque podem impor critérios de tal modo exigentes que depois deixa de haver alojamento local nas sedes de concelho”. A este propósito, este responsável recorda que até “há ilhas que têm Planos Director Municipal desactualizados, em revisão, ou, em algumas ilhas, há mesmo concelhos sem Plano Director Municipal e podemos ter como consequência disso, várias velocidades do crescimento do sector e de disponibilização de camas”. Rui Correia entende que o que agora querem fazer aprovar “é ir contra os próprios princípios de coesão da própria Região”.

 

Rui Cordeiro - assoc alojamento localRegras já existem

 

De acordo com dados de 20 Março de 2019, existem actualmente nos Açores 2.229 unidades de AL o que representa 2.404 unidades porque há registos que têm mais do que uma unidade, perfazendo um total de 12.465 de camas. Desse valor, São Miguel representa 49,71% das unidades dos Açores. Garante que todo o alojamento local que existe nos Açores “e que está devidamente registado está a cumprir com as regras”. Mas, ressalva, “a questão aqui é saber quais são essas regras. Fala-se em sustentabilidade e em qualidade, mas em que termos? Que imposições é que nos vão ser colocadas? E os que já existem? Será que vão ter uma norma de transição e vão ser obrigados, no período de algum tempo, a passar para uma filosofia de AL+?, questiona este responsável que defende que “terá que haver sempre uma melhoria contínua, temos esta preocupação que a transmitimos também aos nossos associados”.

O Presidente da AL declara que “é evidente que actualmente qualquer alojamento local que abre nos Açores, independentemente da ilha, já abre com preocupações ao nível da qualidade, muito acima daquilo que víamos há cerca de 3 ou 4 anos atrás. O próprio mercado tem consciência disso. Os nossos visitantes são cada vez mais exigentes, o mercado é cada vez mais competitivo e obviamente que temos que nos diferenciar pela qualidade. Mas não sabendo quais são as regras, porque podem criar as que bem entendem, esta é a nossa preocupação”, frisa, adiantando que os empresários de AL, bem como a Associação a que preside, consideram que “é sempre tempo de melhorar, estamos abertos à melhoria, mas não estamos abertos a uma forma de segregação daqueles que não são + perante os outros. Não faz sentido algum, dentro de uma ilha haver zonas com alojamento +, sabe-se lá o que isto significa, e os outros que não são +. Não é correcto e entendo que não é por este caminho”, adverte.

Para Rui Correia, o caminho passa por “melhorar a qualidade de todos, de uma forma exigente, mas clara, com regras bem definidas e exequíveis porque também sabemos que há outras tipologias de alojamentos turísticos nos Açores, nomeadamente os aldeamentos turísticos, que vão sofrer um down grade, ou seja, vão reduzir as exigências. Quando o legislador, há uns anos, atrás criou as regras sobre os aldeamentos e apartamentos turísticos, fê-las tão exigentes que este tipo de turismo é praticamente inexistente nos Açores e, provavelmente, alguns do que são hoje alojamento local, deveriam ser aldeamento ou apartamento turístico”, disse, acrescentando que a Associação está “aqui para contribuir para que a discussão seja clara, para que olhemos o futuro de forma serena, pensando claramente na sustentabilidade ambiental, social e económica dos Açores, mas a coesão interna terá que ser um dos garantes e as regras têm que ser claras e discutidas connosco porque nós temos contributos a dar”, assevera.

 

Novos hotéis poderão retirar quota de mercado

 

A propósito das já anunciadas construções das novas unidades hoteleiras previstas para São Miguel, entende que o turista que escolhe o alojamento local não é propriamente aquele que quer ficar acomodado numa unidade hoteleira, considerando, por isso, que “há mercado para todos”. No entanto, entende que lhe parece que “tantos hotéis, tanta euforia, como o próprio representante nos Açores da Associação de Hotelaria de Portugal referiu, podem ser em demasia. Isto porque o viajante, a dada altura, pode ficar vacilante se estas mesmas unidades hoteleiras oferecerem preços mais apelativos, porque estamos a falar de grandes unidades que podem baixar drasticamente o preço e assim nos podem roubar alguma quota de mercado”.

Contudo, para este responsável é ainda mais preocupante “que a construção de todos estes novos hotéis vão contra a política que tem vindo a ser divulgada. Por exemplo, foi anunciado um hotel com 580 camas, ora se nos Açores a média de camas por AL está entre as 4 e 5, se fizermos uma conta muito simples, podemos chegar à conclusão que para equivaler o número de camas teríamos que ter mais que 100 AL, isto representaria muitos mais titulares de AL, em que a distribuição da riqueza é capital e distribuída de uma forma muito mais democrática”. Rui Correia chama também a atenção para o facto de no alojamento local não existir qualquer tipo de subsídio, à excepção de casos muito específicos dos hostel. Como explica, “a maior parte do alojamento local nos Açores são moradias e apartamentos e neste caso parece-nos quase que uma concorrência desleal, porque os outros são altamente subsidiados e nós não. Por muito que digam que tem um risco mais elevado, a verdade é que é minimizado por este forte investimento do subsídio”, comenta.

Olhando para o futuro, felizes no que toca a hotéis que fecharam tanto na Terceira e outros de décadas em São Miguel. É que, diz este responsável, “se corre mal a exploração destas unidades, ficamos com autênticos monos na nossa paisagem. Já num alojamento local que o negócio não corra bem o que se faz é transitar para outras áreas de negócio, vender, arrendar ou usufruir do próprio imóvel que não se perde; valoriza-se. Estas unidades hoteleiras de grande dimensão se fecham daqui a cinco anos, os hotéis ficam lá, como é o caso do famoso Monte Palace que está há décadas por se resolver”.

A título de exemplo, Rui Correia comenta que “se um hotel fecha, é motivo de notícia, mas se fecha um AL ninguém fala nisso. Desde que há registo de AL nos Açores já saíram do negócio 165 AL, isto representa 6,5% dos que estão abertos actualmente. Mas estas casas não se perderam, transitaram para outras áreas de negócio ou são habitações de família”, o mesmo não acontece com os hotéis caso o negócio dê para o torto.

 

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