Taxa de risco de pobreza nos Açores só é ultrapassada por Bulgária, Roménia e Grécia

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Em 2017, 22,5% da população da União Europeia estava em risco de pobreza ou exclusão social. Em Portugal e em Espanha havia, no mesmo ano, percentagens mais elevadas de população nestas condições: 23,3% e 26,6%, respectivamente. 

No âmbito da UE, o valor mais alto registou-se na Bulgária (38,9%) e o mais baixo na República Checa (12,2%).

 No que respeita à população jovem (15-29 anos), os países ibéricos registaram valores de pobreza ou exclusão social ainda mais elevados: 35,2% em Espanha e 27,5% em Portugal.  

Estes números foram agora divulgados pelo INE, numa publicação sobre “Península Ibérica em números”.

O mesmo INE já tinha divulgado as estatísticas de 2017 sobre o risco de pobreza nas regiões portuguesas, constatando-se que os Açores possuem o maior risco, com uma taxa de 31,5%.

Pior do que os Açores, na Europa, está, para além da Bulgária (38,9%), a Roménia (35,7%) e Grécia (34,8%).

Segundo o padrão adoptado pelo INE, a taxa de risco de pobreza correspondia, em 2017, à proporção de habitantes com rendimentos monetários líquidos (por adulto equivalente) inferiores a 5.610 euros anuais (468 euros por mês).  

“No entanto, tendo em conta que há diferenças socioeconómicas significativas entre as regiões, foram complementarmente estimadas linhas de pobreza regionais que mostraram diferenças de proporções menos acentuadas entre as regiões”, ressalvou o estudo.

Em 2018 - estima o estudo - mantém-se a tendência de redução da taxa de privação material (16,6%, menos 1,4% que em 2017) e da taxa de privação material severa (6,0%, menos 0,9%que em 2017).

Entretanto, a estratégia económica de crescimento da União Europeia (UE) para a presente década (Europa 2020) define como objetivo a redução do número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social na União Europeia em, pelo menos, 20 milhões de pessoas até 2020.

Em 2018 - refere o INE - 2,2 milhões de pessoas em Portugal encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão social (pessoas em risco de pobreza ou em situação de privação material severa ou vivendo em agregados com intensidade laboral per capita muito reduzida), o que equivale a uma taxa de pobreza ou exclusão social de 21,6% (menos 1,7% do que em 2017).

 

Açores com menos níveis de escolaridade

 

De acordo com o mesmo estudo do INE, em 2017, a maioria das regiões ibéricas tinha percentagens de população (25-64 anos) com níveis de escolaridade média entre 21% e 28%. 

Em Portugal, o valor mais baixo registou-se na Região Autónoma dos Açores (18,2%) e o mais elevado na Área Metropolitana de Lisboa (27,6%); em Espanha, o mínimo ocorreu na Extremadura (16,6%) e o máximo nas Illes Balears (27,2%) .

 

Açores com menos médicos

 

Em 2017, apenas uma região NUTS II de Portugal tinha mais do que 5 médicos por 1000 habitantes: a Área Metropolitana de Lisboa (6,4). 

Em Espanha, esta situação ocorria em 11 regiões, todas do NorteCentro, com valores a oscilarem entre 5,1 (Galicia e Extremadura) e 6,7 (Aragón e Comunidad de Madrid). 

As regiões ibéricas mais desfavorecidas neste domínio (menos de 4 médicos por 1000 habitantes) situavam-se sobretudo em Portugal – Algarve (3,9), R. A. Açores (3,3) e Alentejo (2,9) –, mas também existiam duas em Espanha abaixo deste limiar, as Cidades Autónomas de Ceuta (3,8) e de Melilla (3,4).