Livre propõe plano de combate à pobreza infantil e um novo pacto verde

José Azevedo - biólogoO partido Livre, que tem como candidato açoriano às eleições europeias de 26 de Maio José Azevedo, tem na solidariedade um dos “pilares” do seu programa para uma Europa, “onde o desenvolvimento esteja ao serviço dos cidadãos e do ambiente”.

Em comunicado, o partido que estará hoje em acção de campanha, pelas 17h30, em Ponta Delgada, salienta a intenção de apresentar propostas “de aplicação imediata”, como um plano de combate à pobreza extrema e erradicação da pobreza infantil, a par de um “Novo Pacto Verde (um Green New Deal) que envolva todos na construção de um futuro solidário e sustentável”.

“Fala-se da crise climática, da extinção da biodiversidade, e da terrível desigualdade entre os poucos muito ricos e a grande massa de pobres, como se fossem inevitáveis. Mas não são: são, de facto, dois lados da mesma moeda”, alerta o partido, que defende que “o modelo de desenvolvimento baseado na procura do lucro sem olhar às consequências levou-nos à beira do precipício ecológico e da rutura social”.

No caso específico da Região, “os açorianos têm uma história de desigualdade secular, que se reflecte ainda hoje nos piores indicadores nacionais de pobreza, de desemprego, e de abandono e insucesso escolar”, aponta o partido, salientando, no entanto, que “têm também uma história igualmente longa de constituição de redes de solidariedade popular, de que são manifestação as irmandades do Espírito Santo”.

O Livre frisa que os Açores continuam a ter “dos piores indicadores de pobreza, de desemprego, e de abandono e insucesso escolar” e questiona: “Como é isto possível, na terra onde o espírito comunitário e de solidariedade do culto do Espírito Santo se mantém até aos nossos dias?”. “Se a austeridade e a reestruturação iam modernizar o país e deixá-lo competitivo e empreendedor, porque é que tantos continuam a emigrar, ou vivem de trabalhos precários e mal pagos, ou têm que aceitar as migalhas (e a vergonha) do Rendimento Social de Inserção?”, questiona ainda.

O partido lamenta que o desenvolvimento baseado no lucro “deixa a maioria para trás”, o que leva à “ascensão de movimentos com pendor fascista em Portugal e na Europa”.

Com a proposta de um Novo Pacto Verde, o Livre defende que  irá “propor o investimento de 500 mil milhões de euros por ano (o triplo do Orçamento Europeu! ), durante 5 anos, para a transição verde na Europa”, com financiamento do Banco Europeu de Investimento. “Queremos que a Europa cumpra o Acordo de Paris alterando toda a sua infraestrutura para energia renovável, proporcionando mobilidade colectiva e eléctrica para todos e reabilitando energeticamente os edifícios”. Um programa que, segundo o partido, irá “criar milhões de empregos por todo o continente”.

A ser eleito para o Parlamento Europeu, o Livre afirma que irá “propor que parte dos lucros do Banco Central Europeu (que totalizaram mais de 1,5 mil milhões de euros no ano passado), sejam investidos num Programa de Solidariedade para combater a pobreza extrema e erradicar a pobreza infantil”. 

“Opomo-nos aos que defendem a Europa que temos, sem querer ver como a falta de esperança a está a desagregar. Mas também nos opomos aos que querem destruir a Europa, enterrando sob um nacionalismo predador os sonhos de gerações que lutaram por um ideal de democracia transnacional”, lê-se no mesmo comunicado.