Apenas 8,93% dos eleitores açorianos votaram nos partidos

andré bradford eleito PE

Apenas 8,93% dos eleitores açorianos votaram nos partidos, considerando os 81,29% da abstenção, mais os 7,54%% de votos em branco e os 2,24% de votos nulos.

Tudo somado são 91,07% de eleitores que não votaram em nenhum partido.

Trata-se da maior abstenção de sempre em eleições nos Açores, que até estão em contraciclo com o que se passou em várias regiões da Europa e do nosso país. 

Com efeito, e segundo em estudo da revista Visão, se olharmos unicamente para as mesas de voto instaladas no território nacional, a abstenção diminuiu face às europeias de 2014: o número de votantes chegou aos 35,32% (correspondente a 3 300 409 votos), ligeiramente superior aos 34,66% (3 278 481 votantes) registados no escrutínio de Maio de há cinco anos. 

A percentagem de votantes de apenas 31,40% que aparece nos números finais - correspondente a uma abstenção de 68,60% - tem grande parte da sua explicação no voto no estrangeiro, onde, entretanto, o número de inscritos aumentou em quase um milhão, mas a taxa de participação continuou em valores muito baixos, com a abstenção a rondar os 99%. 

Embora o número de votantes no estrangeiro até tenha triplicado, em valores absolutos, face aos resultados de 2014 (passou de 4485 para 12 146), a verdade é que esse aumento foi uma pequena gota de água num universo que, nestas eleições, “explodiu” de 217 990 para 1 205 117 inscritos, explica a Visão.

Consequência: a taxa de participação no estrangeiro até baixou de 2,06% para 1,01 por cento. 

Em França, por exemplo, apenas votaram 1200 dos 386 916 eleitores inscritos - uma taxa de participação de 0,31 por cento. 

Nas mesas instaladas em território nacional, a participação eleitoral aumentou - tanto a nível de votos como de percentagem - na maioria das grandes cidades, como se observa nos concelhos de Lisboa (taxa de participação de 45,33%), Porto (44,53%), Braga (39,03%), Coimbra (38,35%) e Aveiro (36,58%). 

No campo oposto, o número de votantes diminuiu nos distritos de Faro (participação de 26,92%), Bragança (28,47%), Vila Real (28,79%), Viseu (30,53%) e Açores (18,71%), entre outros. 

 

Bradford deseja consensos 

com todos os partidos

 

O eurodeputado eleito do PS/Açores assumiu o seu “compromisso transversal, para com todos, e em nome da Autonomia e da Democracia”, acrescentando ser tempo “de concretizar aquilo que dissemos, durante a campanha, que íamos fazer”.

André Bradford falava na sede regional do PS/Açores, em Ponta Delgada, após ter vencido as eleições Europeias na Região Autónoma dos Açores com 40,83% dos votos.

O eurodeputado agradeceu a todos os açorianos que participaram neste “acto de fortalecimento da Autonomia”, referindo ser agora o “tempo de pensar no futuro, enquanto representante e a voz dos Açores no Parlamento Europeu”.

“Tudo farei com muito orgulho e muita honra, os mesmos que depositei na campanha eleitoral, dedicando ao esclarecimento, ao debate, ao envolvimento das pessoas, ao contrário daqueles que preferiram virar as costas a estas eleições, avançando esta noite eleitoral com teses e teorias do que se terá passado”.

André Bradford considerou que “teria sido muito mais útil se estes responsáveis partidários tivessem participado neste movimento que nós criámos com as pessoas”, frisou.

Tal como anunciou no comício de encerramento da campanha, André Bradford reiterou o seu compromisso de “contactar as estruturas regionais dos partidos que têm presença no Parlamento Europeu”, de forma a “promover consensos”.

“Acho fundamental que, havendo apenas um eleito, que seja um elemento de agregação entre os açorianos, independentemente dos partidos de cada um”, afirmou o socialista.

“Sou deputado a partir de agora. Serei o deputado no Parlamento Europeu que fala em nome dos Açores e dos açorianos, dos que votaram no PS, dos que votaram em outros partidos e dos que não votaram”, referiu André Bradford, o único açoriano eleito ao Parlamento Europeu.

 

PSD-Açores reúne em Conselho dia 1 de Junho

 

O líder do PSD/Açores, Alexandre Gaudêncio, considerou que o “grande vencedor” das eleições europeias no arquipélago foi “a abstenção”, que voltou a bater recordes, aumentando de 80,2% em 2014, para 81,2% em 2019.

“O grande vencedor destas eleições é a abstenção. E isso merece uma reflexão profunda sobre o que deve ser a nossa ação como partido político e que deve preocupar todos os partidos”, realçou o dirigente social-democrata, procurando desvalorizar a vitória do PS/Açores, que venceu este ato eleitoral com 40,83% dos votos, cerca do dobro do que conseguiu o PSD/Açores (20,26%).

Alexandre Gaudêncio, que falava aos jornalistas, em reação aos resultados eleitorais, admitiu que o PSD poderá ter contribuído para o aumento da abstenção, por não ter indicado um candidato dos Açores na lista nacional do partido para o Parlamento Europeu, mas preferiu culpar os socialistas.

“O Partido Socialista passou os últimos três meses a fazer campanha e, apesar disso, teve menos votos, ao passo que a abstenção aumentou. Fica assim evidente que este PS já não consegue mobilizar os açorianos”, realçou o líder regional social-democrata, para quem estes resultados revelam “mais um sinal de que os açorianos estão descontentes com a governação regional”.

Para Alexandre Gaudêncio, o PSD/Açores foi “coerente” em relação a estas eleições europeias, já que o partido disse sempre que iria colocar os interesses dos Açores acima dos interesses do partido, procurando justificar, assim, a recusa do oitavo lugar atribuído por Rui Rio ao candidato indicado pela estrutura regional do partido (Mota Amaral).

O líder do PSD/Açores anunciou, entretanto, que irá realizar-se em 1 de Junho um Conselho Regional do partido para analisar os resultados destas eleições e para começar a preparar os próximos combates eleitorais: as eleições legislativas nacionais deste ano e as legislativas regionais de 2020.