SATA diz que tem falta de 30 pilotos

Azores Airlines 2A Administração da SATA e o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação retomam hoje negociações sobre a carreira dos tripulantes, estando “suspensa” uma greve que deveria acontecer entre 22 de Junho e 1 de Julho. 

De acordo com o Presidente do Conselho de Administração da operadora açoriana, António Teixeira, a greve, que estava prevista, “foi suspensa”, entrando agora a empresa e o sindicato “num plano de negociações” que irão começar hoje visando chegar a um consenso entre as partes.

António Teixeira, que falava em Ponta Delgada, à margem de uma reunião com a Secretária Regional dos Transportes e Obras Públicas do Governo dos Açores, Ana Cunha, referiu que se tem vindo a “apelar a todos os sindicatos ao bom senso para se chegar a um bom termo no plano de negociações na fase em que a SATA se encontra”, nomeadamente a nível financeiro, depois de terminar 2018 com prejuízos de mais de 53 milhões de euros.

O responsável afirmou que o bloqueio na marcação de lugares nos aviões da operadora vai ser ultrapassado - entre 22 de Junho e 1 de Julho não era possível marcar viagens na Azores Airlines - deixando de fazer sentido o plano de contingência que estava projectado para os dias da referida greve, que esteve prevista, mas cujo pré-aviso de greve não chegou a ser apresentado oficialmente.

O administrador considerou que a situação actual do grupo SATA “não se compadece com situações dessa natureza”, sendo “extremamente difícil levar em frente o projecto se houver internamente convulsões”, adiantando que tem contado com os parceiros sociais neste processo.

A titular da pasta dos Transportes, sobre os recentes cancelamentos de voos da SATA para as ilhas do Pico e Faial, que motivaram a reunião, assumiu que “existem constrangimentos na comunicação com os passageiros em todas as situações irregulares, não só nos casos que afectaram aquelas duas ilhas, mas em geral, em outros casos que se têm verificado”.

A administradora do grupo SATA responsável pelas operações, Ana Azevedo, considerou que os cancelamentos para o Faial e Pico se ficaram a dever a “razões técnicas” motivadas por um pássaro que entrou no motor de um avião, que teve de ser reparado, tendo ainda havido dois cancelamentos por “falta de tripulação”.

Ana Azevedo considerou que o volume de pilotos “ainda não está com os níveis desejados para a frota existente”.

A administradora afirmou ainda que a falta de aviões e tripulações serão colmatadas com recurso aos ACMI (aluguer de aeronaves e profissionais) para os aeroportos onde se pode operar, sendo que no caso do Faial e Pico “tem que ser com a frota da SATA”.

O grupo SATA possui cerca de 60 pilotos, alguns dos quais em formação e treino, sendo a meta para a frota existente chegar aos 90, havendo neste momento uma “grande sobrecarga de trabalho” para os profissionais que estão no terreno, que estão a trabalhar nas folgas e férias.

 

PSD chama Secretária dos Transportes ao parlamento

 

O PSD/Açores solicitou ontem a audição da Secretária Regional dos Transportes e Obras Públicas no parlamento, com o objectivo de obter explicações da tutela sobre a “falta de lugares” nas ligações inter-ilhas e os cancelamentos de voos do continente para o Pico e Faial.

“Face aos constrangimentos que têm afectado a mobilidade muitos açorianos, o PSD solicitou a audição urgente da Secretária Regional dos Transportes e Obras Públicas na Comissão Parlamentar de Economia”, anunciou a deputada social-democrata Mónica Seidi, após uma reunião com a Direcção do Aeroporto Internacional das Lajes, no âmbito das jornadas parlamentares do partido.

A parlamentar do PSD/Açores salientou que têm sido muitas as queixas de passageiros nas últimas semanas, nomeadamente a falta de lugares nos voos da SATA Air Açores e os seis cancelamentos, nas últimas duas semanas, da Azores Airlines nas rotas Lisboa/Pico e Lisboa/Horta.

“Os açorianos não podem continuar reféns de um Governo Regional que não tem uma política declarada nos transportes aéreos. Este governo tem sido incapaz, de forma sucessiva, de se antecipar aos problemas que todos anos ocorrem, sobretudo na época alta”, disse.

Para Mónica Seidi, os açorianos “têm ficado órfãos da ausência de uma verdadeira política de transportes aéreos, que pudesse servir a população”.

“Também nos transportes aéreos, são necessários novos protagonistas e uma nova visão nos Açores. O PSD está aqui para ser alternativa”, frisou.

Na abertura das jornadas parlamentares do PSD/Açores, Mónica Seidi pronunciou-se ainda sobre a certificação da pista da Base das Lajes para uso civil, considerando que “é notório que, do ponto de vista prático, a mesma está aquém das expectativas criadas pelo Governo Regional juntos dos terceirenses”.

“Não se verifica o impacto positivo que a mesma deveria causar no desenvolvimento económico da ilha Terceira. Há uma clara falta de ambição e de estratégia por parte do Governo Regional, que assim não tira partido desta infraestrutura nem consegue captar novos fluxos turísticos, essenciais ao desenvolvimento da ilha”, concluiu.

 

Manifestação no Faial?

 

Os cancelamentos de voos para Faial e Pico têm provocado uma onda de indignação em vários sectores daquela ilha, sobretudo os mais ligados aos negócios de turismo, que acusam a SATA de estar a prejudicar o negócio do sector no Triângulo.

Nas redes sociais há a proposta para uma nova manifestação junto ao aeroporto da Horta aquando da visita do Governo àquela ilha a meio desta semana.

As vozes de revolta são muitas e um dos testemunhos é do empresário de turismo Carlos Morais, que também é o Presidente da ATA, ao escrever que  se sente “triste por várias razões”, uma das quais é “tentar ter ordenados em dia a fornecedores e deveres com o Estado é uma tarefa árdua, principalmente quanto a última parte, principalmente 10 meses depois quando nos pedem as certidões do que já utilizaram a 300 dias”, para depois perguntar: “será que se cancelassem o voo de hoje pdl/fnc e reencaminhassem os passageiros via Lisboa para o Funchal onde existe muitas mais soluções não teria sido mais viável economicamente, e menos prejudicial a companhia em vez de cancelar Lis/Pix ?”.

E acrescenta: “Nesta mesma linha de pensamento será que em vez de fazer pdl/fra amanhã de manhã em detrimento Lis/hor não seria mais viável para todos nós ? E os ACMI (319)?”.

O empresário lamenta-se que “sou leigo na matéria mas uma coisa eu sei, a Matriz da Sata foi para servir os açorianos, assim não, tenho muitos compromissos com famílias, são mais de 55, levei um rombo muito grande nos primeiros 15 dias deste mês, os meses que tanto esperamos”.

“Levei anos a vender o meu “peixe” aos operadores a dizer que tinham de programar o triângulo, felizmente nos últimos 6 anos fui ouvido e temos tido algum sucesso, embora localmente outros que chegaram a menos tempo a esta arte até já foram homenageados”.

“Investir no turismo no Triângulo !!?? Com que garantias??”, conclui Carlos Morais.

 

Passageiros protestam

 

Vários passageiros prejudicados pelos cancelamentos de voos têm manifestado os seus protestos nas redes sociais.

Um deles, Paula Decq Mota, descreve o que aconteceu num dos voos em Lisboa, que classifica de “surreal”.

“Fomos informados que poderíamos arranjar alojamento e ser reembolsados na chegada ou então aguardar no aeroporto até às 14h30 pelo transporte para um hotel. Aguardámos horas e horas, tomámos pequeno almoço e almoço no aeroporto (pago pela sata) e fomos para o local indicado. Às 15h uma menina da Groundforce (que me explicou que não havia funcionários da sata disponíveis) encaminhou-nos para um autocarro”, conta a passageira 

E prossegue: “Então, o surreal vem agora: A Sata (sem questionar os passageiros que precisariam ou não de hotel) fretou 2 autocarros daqueles mto grandes para levar.... 6 pessoas!! (Presumo que muitos dos passageiros tivessem ido para as suas casas ou arranjado o próprio alojamento). A responsável do autocarro ficou de boca aberta e nós também. E diz que a sata contratou os 2 autocarros às 6h da manhã, para um serviço que marcou as 14h30!

Agora estamos a porta de um hotel de 4 estrelas (daqueles mesmo caros) que aparentemente estava à espera de 150 pessoas, mas para o qual a sata não emitiu nenhum voucher (que nos disseram não ser necessário) e que agora nem nos quer aceitar! Ah, em momento algum deste processo pediram a nossa identificação ou perguntaram sequer o nosso nome! 

Os milhares e milhares de euros gastos hoje, por pura incompetência e desorientação, deixam-me revoltada...”.

Outro passageiro afectado é o jornalista e nosso colaborador Rui Almeida, que afirma “É momento para dizer que a situação bateu no fundo, tão grande é já o prejuízo para operadores turísticos e para residentes naquela zona do arquipélago. Espanta-me o silêncio do Presidente da SATA, refugiado em gabinetes a ver a companhia afundar. E o silêncio “ruidoso” da tutela: a Secretária Regional da área, Ana Cunha, e o Presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, têm de se pronunciar e, por uma vez, agir. Não para remendar, mas para reestruturar e preparar a companhia para os fortíssimos desafios do futuro imediato, com alguém que, efetivamente, perceba de aviação comercial e das suas particularidades.

Ruinoso não é apenas o “modus operandi” da companhia; é também o modo como a tutela açoriana se está a comportar numa situação inacreditável, inaceitável e pela qual, naturalmente, se não inverter caminho, corre sérios riscos de ser penalizada”.