Região não abdica dos 134 euros

Ana Cunha - parlamentoA Secretária regional dos Transportes, Ana Cunha, disse ontem que a região não abdica dos 134 euros nas passagens entre os Açores e Lisboa e manteve a informação de que o problema está a ser estudado com Lisboa.

A governante respondia, assim, ao Ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que falou em “fraude brutal” no subsídio de mobilidade e que a situação tem de ser alterada. 

 

Madeira diz que há 3 anos que pede a revisão

 

Já o Governo da Madeira considerou “surpreendentes” as declarações do Ministro das Infraestruturas sobre “suspeitas de fraude” no âmbito do subsídio social de mobilidade e lembrou que há três anos que pede a revisão do actual modelo. 

Durante uma audição na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, na Assembleia da República, Pedro Nuno Santos disse que a verba utilizada para a atribuição de subsídios sociais de mobilidade para aqueles voos “aumentou quatro vezes mais do que o que o tráfego justificaria”.

“Vindo do senhor ministro, surpreendeu-me estas declarações porque a região Autónoma da Madeira e o Governo Regional já andam há mais de três anos a pedir para se fazer a revisão deste sistema”, comentou o vice-presidente do Governo da Madeira.

Pedro Calado adiantou que o executivo sabe que o actual modelo “é um sistema que não tem sido justo, nem correto, e tem privilegiado essencialmente as companhias aéreas”.

“Na prática, as famílias adiantam os valores para um sistema que está a inflacionar as passagens aéreas e que só servem as companhias aéreas que são beneficiadas, uma SATA e uma TAP, aqui, para a região”, acrescentou.

Pedro Calado realça que “quem deixou que isto acontecesse até ao dia de hoje foi o Governo da República socialista”.

“Se um ministro do Governo vem dizer que este sistema gera perversidade ou alguma situação anómala, acho que o Governo da República tem todos os mecanismos para estudar, avaliar e corrigir esta situação em benefício de todos nós”, referiu, à margem de uma visita à empresa Gás Link, do Grupo Sousa.

Questionado pelos deputados sobre o aumento dos preços das viagens, Pedro Nuno Santos lembrou que existem tetos máximos e que o Estado financia o remanescente, até ao limite de 400 euros no caso da Madeira.

“Agora não podemos subsidiar empresas num mercado liberalizado. Não podemos ligar para a TAP e dizer ‘vocês vão baixar os preços para metade’”, disse ainda o ministro.