Agência Fitch diz que os Açores têm “elevada dívida em relação à receita operacional”

Agência Fitch

A Região Autónoma dos Açores mandatou duas instituições financeiras para lançar uma emissão de obrigações a 10 anos, cujo montante poderá ascender a 223,5 milhões de euros, de acordo com a Bloomberg, que cita fontes próximas da operação, que pediram anonimato por não estarem autorizadas a falar sobre a operação.

Segundo o Jornal de Notícias, citando a Bloomberg, a Região Autónoma dos Açores mandatou o Beka Finance e o Credit Agricole CIB para explorarem o lançamento de uma emissão de obrigações a 10 anos, cuja concretização e preço estão sujeitos às condições de mercado.

A Região conta com uma notação financeira de Ba1, por parte da Moody’s, o que coloca o rating no patamar do “lixo”. Já a Fitch tem uma nota de BBB-, um nível acima do nível de investimento especulativo.

 

A avaliação da Fitch

 

A publicação da notícia surge dois dias depois de a Fitch ter elaborado um relatório sobre a Região. 

A agência de notação financeira refere que o rating dos Açores tem por base a previsão de que o produto interno bruto (PIB) da região cresça cerca de 2,8% ao ano, “levando a um crescimento semelhante das receitas operacionais”. Já a despesa operacional deverá aumentar entre 2,5% e 2,6%, segundo a Fitch.

De facto, a Fitch iniciou a cobertura da dívida da Região Autónoma dos Açores. 

Colocou-a em grau de investimento, atribuindo-lhe um rating de longo prazo de “BBB-“, um degrau abaixo ao da República, e com um outlook “estável”.

No que respeita à avaliação atribuída pela Fitch, esta reflete “uma combinação da elevada dívida da Região em relação à receita operacional, resultando numa avaliação de sustentabilidade da dívida ‘BBB’” e um perfil de risco “intermédio” diz a agência de notação financeira.

A avaliação feita pela agência de notação norte-americana também inclui “uma comparação positiva com os pares internacionais” e o “suporte por parte do Governo português (BBB/Positivo)“.

Esta avaliação compara com o rating de “BBB” que atribui a Portugal, mas também com a classificação de “BB” da Região Autónoma da Madeira — ou seja, “lixo” financeiro — cuja dívida começou a ser acompanhada pela DBRS há cerca de um ano.

 

Sérgio Ávila diz que avaliação da Fitch “é uma excelente notícia”

 

O Vice-presidente do Governo destacou ontem, com satisfação, a importância da notação financeira da agência Fitch, que classificou pela primeira vez a Região, colocando-a num nível de investimento externo, considerando que é “uma excelente notícia” para a economia açoriana e para as finanças públicas.

“Esta classificação dos Açores, que se encontra a apenas a um nível do ‘rating’ da República, é muito positiva, porque permite o acesso da Região, de forma generalizada, aos mercados internacionais, o que, consequentemente, implicará uma redução relevante dos custos de financiamento”, afirmou Sérgio Ávila.

“A classificação da agência Fitch significa ainda que a Região, sob o ponto de vista dos investidores, se torna mais atrativa ao investimento, o que também facilita o acesso ao financiamento”, acrescentou. 

A Fitch avaliou o perfil dos Açores como investimento, reflectindo uma avaliação da receita, despesa e passivos, considerando o perfil da dívida da Região como diversificado, conservador e com calendário de amortização favorável, refere uma nota do GaCS.

“A avaliação desenvolvida pela Fitch abrange todas as empresas públicas, incluindo as que estão fora do perímetro de consolidação orçamental, bem como as responsabilidades futuras há muito identificadas, como é o caso das Parcerias Público-Privadas”, frisou o titular da pasta das Finanças.

Segundo Sérgio Ávila, primeira notação financeira da Fitch, que coloca os Açores no patamar de investimento externo, “representa mais um reforço da confiança e da certificação internacional que confirma a estabilidade das finanças públicas regionais”. 

Esta classificação da Região, de acordo com o Vice-presidente, “é mais um reconhecimento da sustentabilidade das finanças públicas regionais”, que vem na sequência de sucessivas melhorias de ‘rating’ dos Açores por parte da agência Moody’s, tendo a última subida ocorrido em outubro.

“A situação das contas públicas dos Açores tem vindo a ser validada consecutivamente,  verificando-se, ao longo dos últimos anos, a melhoria do ‘rating’ da Região, o que não deixa de ser reflexo do esforço de consolidação” dessas contas, salientou Sérgio Ávila.

“A passagem da classificação do ‘rating’ da Região para nível de investimento externo, que espero que seja acompanhado e reforçado brevemente por outras agências de rating, permitirá alterações substanciais no perfil de financiamento da Região”, frisou Sérgio Ávila, sendo que a Região, com esta classificação, “passa a ser atractiva para os investidores financeiros internacionais, e permite o acesso generalizado com menos custos aos mercados financeiros internacionais, libertando recursos dos bancos nacionais para a economia regional”.

Esta classificação implica uma redução dos custos financeiros e uma poupança significativa das entidades públicas e empresas privadas, adianta a nota.

O Governo dos Açores, afirmou Sérgio Ávila, “passará a emitir as suas necessidades de financiamento e refinanciamento nos mercados internacionais, e passará a antecipar as operações de refinanciamento que assegurem poupanças significativas, da mesma forma que o país tem feito com sucesso nos últimos tempos”. 

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