Arranca hoje na Ryanair uma greve de cinco dias com serviços mínimos garantidos

Ryanair

Arranca hoje a greve de cinco dias na Ryanair convocada pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC). Uma paralisação que poderá afectar ligações de e para os Açores, apesar de estarem garantidos os serviços mínimos.

Num comunicado publicado ontem no website, a companhia aérea de baixo custo admite que poderão existir alterações de horários de “alguns voos” das bases portuguesas, nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e Ponta Delgada.

A informação, anunciada como aviso para “possível greve de um pequeno número de tripulantes portugueses de quarta-feira 21 de Agosto até Domingo 25 de Agosto”, assegura que “todos os clientes afectados já foram notificados por email/SMS e informados das suas opções”.

“Os clientes que não receberam nenhuma notificação por email ou SMS terão os seus voos de/para Portugal operando normalmente na próxima semana”, acrescenta a informação, que eventualmente quereria referir-se a voos esta semana, nos dias de greve de tripulantes de cabina.

A companhia refere-se à greve convocada pelo SNPVAC como “greve desnecessária por parte de um pequeno número da nossa tripulação portuguesa e do seu sindicato SNPVAC”.

 

Um voo diário de ida e volta

garantido durante a greve

 

Na segunda-feira, o Governo decretou os serviços mínimos para esta greve, mas o SNPVAC disse “repudiar veementemente” os serviços mínimos e a fundamentação para os impor na greve da Ryanair que vai durar até domingo.

Os serviços mínimos incluem um voo diário de ida e volta entre Lisboa e Paris; entre Lisboa e Berlim; entre Porto e Colónia; entre Lisboa e Londres; entre Lisboa e Ponta Delgada, bem como uma ligação de ida e volta entre Lisboa e a Ilha Terceira (Lajes), nos dias 21, 23 e 25 de Agosto.

Em comunicado, o sindicato diz que “repudia veementemente mais uma tentativa do Governo em aniquilar o direito à greve dos portugueses e, em particular, dos tripulantes da Ryanair”, garantido que não aceita “que se defenda os interesses económicos de uma empresa privada e estrangeira em detrimento dos direitos de trabalhadores portugueses”.

O SNPVAC contesta todos os pontos apresentados na fundamentação do Governo para decretar os serviços mínimos, começando pela duração “relativamente longa da greve”, de cinco dias. “A partir deste momento, os trabalhadores portugueses ficam a saber que para o Governo português só se podem fazer greves de um ou dois dias”, critica a estrutura sindical.

Quanto ao facto de a paralisação ocorrer no verão, quando se verifica um crescimento da procura, segundo as tutelas das Infraestruturas e do Trabalho, que assinam o despacho dos serviços mínimos, o sindicato garante que o Governo considera “o transporte aéreo para férias imprescindível e que o direito de deslocação por meios aéreos nas férias é superior ao direito à greve constitucionalmente garantido”.

Face ao argumento do executivo de evitar “aglomerados nos aeroportos nacionais”, os representantes dos tripulantes dizem que mostra que “os aeroportos nacionais não têm planos de contingência, o que deve resultar da questão de terem passado há pouco tempo para mãos privadas e que assim deixaram de ser seguros quando há greves ou aglomeração de passageiros”.

O SNPVAC rejeita ainda a questão do transporte aéreo ser a forma “célere e eficiente” para quem mora nos Açores e na Madeira, recordando que “existem várias companhias de aviação a voar para estes destinos, ao contrário do que acontecia até há poucos anos atrás, onde se inclui a TAP Air Portugal, empresa com participação de 50% do Estado português”.

Quanto ao argumento de que existem comunidades portuguesas em vários países europeus que escolhem agosto para visitar Portugal, o sindicato realça novamente que todas essas cidades são servidas por dezenas de companhias aéreas, mais uma vez onde se inclui a TAP”.

A estrutura garante também que “a única situação que o Governo tenta acautelar é garantir o lucro à Ryanair”.

Na base deste pré-aviso de greve está, segundo referiu o SNPVAC em comunicado em 1 de Agosto, o facto de a Ryanair continuar a “incumprir com as regras impostas pela legislação portuguesa, nomeadamente no que respeita ao pagamento dos subsídios de férias e de Natal, ao número de dias de férias e à integração no quadro de pessoal dos tripulantes de cabine contratados através das agências Crewlink e Workforce”.