Lavradores diminuíram cabeças de gado em mais de 3 mil

vacas111No primeiro semestre deste ano, as lavradores dos Açores diminuíram os seus efectivos em mais de 3000 cabeças de gado bovino, relativamente ao mesmo período do que no ano passado.

O crescimento é visível no número de animais abatidos nos matadores dos Açores (+ 4,6%), mas sobretudo no gado exportado vivo, uma prática que se vinha reduzindo substancialmente, desde que foram construídos os novos matadouros da Terceira e de S. Miguel, mas este ano apresenta uma subida acentuada (+34%).

Não foi possível confirmar se este crescimento tem a ver com a necessidade de os lavradores se livrarem de algumas de gado para diminuir a produção de leite ou é uma forma de compensarem a quebra de rendimentos que têm registado.

De acordo com os dados distribuídos pelo Serviço Regional de Estatística o maior crescimento verificou-se nos bovinos entre o 8 meses e 2 anos e sobretudo no que respeita aos animais exportados vivos, são na maior parte fêmeas. 

Aparentemente estamos mesmo a falar de redução de efectivos para diminuição da produção.

 

 Medida pode não ser suficiente

 

 A questão que muitos colocam é se esta medida vai ser suficiente. Há quem ache que a questão central está numa mudança de soluções de maneio e de uma produção privilegiando a pastagem. 

De acordo, com um relatório da Associação dos Produtores de Leite de Portugal há lavradores nos Açores cujo custo de produção é, em média, 20 cêntimos por litro de leite e recebe da fábrica 26 cêntimos, o que significa que tem apenas 6 cêntimos de rendimento.

De acordo com dados da RITA (Rede de Informação e Contabilidade Agrícolas) divulgados pelo Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP), do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, os lavradores adquirem, em média, por exploração de gado produtor de leite, cerca de 16 547 euros de concertados por ano, o que tem um peso muito elevado nos custos de produção.

Ao que foi possível perceber não está a ser fácil convencer os lavradores a optarem por um maior utilização da erva, que é a vocação natural da agropecuária dos Açores e que mais valoriza os produtos com origem na Região.

 

 Texto e gráfico de Rafael Cota/Para “Diário dos Açores”