Os três hospitais da Região têm um passivo de 580 milhões de euros

Hospital PDL2

Os três hospitais da Região Autónoma dos Açores têm um passivo de 580 milhões de euros, devem a fornecedores cerca de 115 milhões de euros e o Hospital de Ponta Delgada deve à banca 189 milhões de euros.

O “Diário dos Açores” teve acesso às contas fechadas dos três hospitais relativas a 2018 e da análise que efectuámos resulta que as três unidades de saúde agravaram as suas contas durante o ano passado. 

Por exemplo, o relatório e contas do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, reportadas a Dezembro de 2018 e depositadas na Direcção Regional do Orçamento e Tesouro, não trazem grandes surpresas, a não ser o agravamento da situação financeira desta instituição, com o agravamento dos seus resultados de exploração corrente e com a conhecida incapacidade do accionista e gestão para resolver questões de fundo, como o deficiente financiamento desta empresa pública e o acumular de incumprimentos para com fornecedores e para com a segurança social.

 

Sector público deve... ao sector público!

 

Nos proveitos totais, de cerca de 105 milhões de euros, pesam sobremaneira os cerca de 96 milhões do orçamento da Região, o principal cliente do sistema.

Uma melhor compreensão da situação financeira da instituição pode, no entanto, ser melhor apurada pela nota 18 do anexo às contas. 

Desta nota depreende-se que as dívidas de clientes deste hospital montam a cerca de 70 milhões de euros, dos quais 28,9 são da ADSE e o restante de uma série de subsistemas públicos. 

Moral da história, é uma parte do sector público a dever a outra parte do sector público, num contexto de pouca transparência das contas públicas de uns e de outros serviços.

Do lado dos fornecedores, a aparente redução de 71,5 milhões em 2017 para 68,9 milhões em 2018, advém de uma redução de dívidas ao fornecedor Serviço Regional de Saúde. 

Na realidade, as dívidas aos fornecedores de conta corrente aumentam de 63 para 67 milhões de euros, um agravamento de cerca de 4 milhões. 

No restante passivo, há ainda a registar um agravamento das outras contas a pagar, da ordem dos 40 milhões de euros, derivado das dívidas à Saudaçor, que passam de 148 para 189 milhões de euros.

 No total são 197 milhões de euros de dívidas nesta rubrica. 

 

Dívida bancária nos 189 milhões

 

Acresce ainda a dívida bancária, da ordem dos 189 milhões de euros. 

A rubrica de dívidas ao Estado atinge os 6 milhões de euros, essencialmente devidas aos atrasos de pagamentos da Segurança Social e Caixa Geral de Aposentações.

O passivo total monta a 349 milhões de euros. 

Os fundos próprios estão negativos em cerca de 173 milhões de euros. 

Mesmo convertendo o as dívidas da Saudaçor em capital o passivo continuaria nos 176 milhões de euros.

A situação negativa do HDES replica-se, mesmo que em menor escala, nas contas do Hospital do Santo Espírito (Terceira) e no Hospital da Horta.

 

Passivo de 145 milhões de euros em Angra

 

O HSE regista um curioso aumento dos custos e dos proveitos da ordem dos 24% (16 milhões de euros), com um total de proveitos da ordem dos 86,5 milhões de euros (82% do valor do HDES). 

Os resultados negativos variam de cerca de 3 para cerca de 6 milhões de euros negativos. 

O passivo total ronda os 145 milhões de euros e os capitais próprios são negativos em quase 94 milhões de euros. 

As dívidas a fornecedores aumentaram de 2017 para 2018, situando-se nos cerca de 34,6 milhões de euros.

 

Passivo de 86,5 milhões de euros na Horta

 

O HH, apresenta um resultado negativo de cerca de 2 milhões de euros, capitais próprios negativos da ordem dos 34,5 milhões de euros, um passivo total de 86,5 milhões de euros e dívidas a fornecedores de 10,7 milhões de euros.

O somatório das dívidas a fornecedores dos três hospitais ronda os 115 milhões de euros. 

 

Menos cirurgias no HDES

 

Em 2018, ao inverso do que se tinha verificado no ano anterior, registou-se uma diminuição na actividade cirúrgica no Hospital de Ponta Delgada.

Segundo os seus responsáveis, “o HDESPD, EPER manteve em atividade os programas da produção adicional de cirurgias, contemplando os doentes com tempo de espera com maior antiguidade. Também não podemos deixar de destacar a taxa de ocupação no Bloco Operatório Central que ronda os 90%. No entanto estes factos não foram suficientes para manter a tendência do ano anterior. A escassez de médicos especialistas em anestesiologia, nomeadamente no 2º semestre de 2018, implicou uma redução da actividade cirúrgica.

É de realçar o aumento da taxa de ambulatorização, que é um objectivo estratégico do hospital”. 

 

10.441 doentes à espera de cirurgia

 

Em 2018, a lista de inscritos para cirurgia aumentou, à semelhança do ano anterior.

A 31-12-2018 havia no HDES 10.441 doentes em lista de inscritos para cirurgia, sendo que destes, 1.722 se referem a pequenas cirurgias.

Segundo o Hospital de Ponta Delgada, “ao contabilizarmos a lista de inscritos para cirurgia sem incluir a pequena cirurgia, constata-se um aumento de 1.589 doentes em relação ao ano anterior. Importante salientar que os utentes são seleccionados conforme critérios clínicos, não existindo situações de urgência/emergência em espera.

Paralelamente importa referir que os utentes são reavaliados clinicamente após algum tempo de espera.

Em termos de procedimentos administrativos, o HDESPD, EPER, tem utilizado estratégias com o objetivo de rentabilizar os tempos operatórios e os tempos de espera para realizar cirurgia”.

 

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