Segundo uma estimativa da Associação Nacional de Farmácias (ANF), o pico da gripe vai ocorrer entre o Natal e a segunda semana do ano novo, com base na dispensa de medicamentos e produtos de saúde para infecções respiratórias.
A estimativa da ANF resulta de um estudo realizado a partir dos dados de dispensa dos medicamentos nas farmácias, tendo sido divulgada esta semana, em Lisboa, pelo Centro de Estudos e Avaliação em Saúde (CEFAR), da associação.
Como habitualmente, nos Açores, o quadro não será muito diferente do todo nacional, embora com um ligeiro atraso, como explicou ao Diário dos Açores, o médico pneumologista, Carlos Pavão, que adiantou que “o que é habitual é que ao longo do Inverno se vá desenvolvendo o número de casos de pessoas de gripe”.
Este especialista dá conta que o ano passado assistiu-se, no arquipélago, a dois picos vitais de casos de gripe, contudo Carlos Pavão chama a atenção que se tratam de comportamentos variáveis todos os anos e que dependem também de outros factores como é o caso, por exemplo, das condições climatéricas ou da própria estirpe do vírus da gripe.
Segundo dados do “Vacinómetro”, mais de 1,3 milhões de portugueses já se vacinaram contra a gripe, registando-se uma subida em todos os grupos em comparação com período homólogo do ano passado.
Desde o dia 15 de Outubro, já se terão vacinado 1.187.042 idosos e 179.889 cidadãos com idades entre os 60 e os 64 anos, indicam os resultados da segunda vaga do relatório “Vacinómetro”, que monitoriza a vacinação contra a gripe em grupos prioritários da época gripal 2019/2020.
Para Carlos Pavão esta é, de facto, a grande medida a ter em conta para evitar o contágio do vírus da gripe. “Temos que desmistificar as ideias falsas e pré-concebidas em relação à vacina da gripe. Esta vacina é o principal meio de prevenção para toda a população sendo gratuita para as pessoas com mais de 65 anos, e para quem sofra de patologias crónicas, respiratórias, renais ou diabéticos. Estes são os casos em que as pessoas estão mais susceptíveis e que se aconselha que façam anualmente a vacina da gripe”, adverte o pneumologista.
Até ao momento, no todo nacional, mais de metade (52%) dos indivíduos portadores de doença crónica já se vacinaram, o que representa um aumento de 11,3% face ao mesmo período de 2018, constituindo a subida mais significativa entre os grupos prioritários.
A época da vacinação contra a gripe arrancou no dia 15 de Outubro, com dois milhões de vacinas disponíveis, 1,4 milhões para serem dadas gratuitamente a grupos de risco e cerca de 600 mil para venda em farmácias.
É ainda recomendada a vacinação aos profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados, incluindo os bombeiros e grávidas.
Carlos Pavão explica que a vacina da gripe não tem contra-indicações menores, sendo que a sua utilidade está amplamente demonstrada ao longo das dezenas de anos que já existem vacinas para a gripe”.
Este ano, pela primeira vez, as vacinas são tetravalentes, protegendo contra quatro tipos de vírus, quando até aqui protegiam para um máximo de três. A vacina tetravalente faz aumentar a probabilidade do conteúdo da vacina coincidir com os vírus que vão circular e há a expectativa da vacina ser mais efectiva.
Como dá conta este especialista a gripe é “uma doença auto-limitada e num adulto jovem saudável a gripe não terá, no geral, consequências de maior e trata-se apenas com medidas sintomáticas, com um analgésico para as dores, ir controlando a temperatura e pouco mais do que isso”, refere, adiantando que “as complicações de uma gripe resultarão se o quadro clínico se arrastar por muito mais tempo do que o habitual, ou seja, por mais de 4 dias, ter outro tipo de sintomatologia ou a febre não ceder. Nestes casos, será necessário recorrer aos cuidados médicos”, adverte o pneumologista, recordando porém, que a gripe, para a população jovem saudável, é “uma doença que não necessita de recurso a cuidados de saúde”.
O Vacinómetro, que se realiza pelo 11.º ano consecutivo, é promovido pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), com o apoio da Sanofi Pasteur.