“Um monte de frescura junto ao Monte Santo de Água de Pau”

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Marina - frutaria piques

Nunca pensou vir a gerir uma frutaria, mas era sua ambição, ter um dia o seu próprio negócio. Por um infortúnio da vida, Marina Froias Medeiros viu a possibilidade de prosseguir com o negócio do pai que faleceu em 2018. Uma decisão que a jovem empresária confessa que não foi difícil de tomar, pois, para ela, é um orgulho poder continuar com o que o pai começou há 12 anos. Projectos para o futuro não faltam, sendo certo que a aposta será sempre na produção da sua própria mercadoria e nos produtos regionais.

 

 

Diário dos Açores – Há quantos anos existe a Frutaria Marina Piques?

Marina Madeiros – Com esse nome a frutaria completa este ano dois anos, mas a empresa já tem 12 anos. Tudo começou com o meu pai, Jorge Piques, que instalou uma banca de fruta, à beira da estrada, em Água de Pau, na altura junto à bomba de gasolina. Como ele não estava a ter os resultados pretendidos, e como o meu pai sempre foi muito sonhador, decidiu construir um quiosque e deslocalizá-lo para onde hoje nos encontramos, também à beira da estrada, mas junto à igreja de Água de Pau, na rua da Vila Nova. Na altura não existia em Água de Pau um negócio similar e o meu pai entendeu que seria uma boa aposta.

 

E porquê frutas e legumes?

MM – O meu pai sempre cultivou frutas e legumes. Aliás, os figos de figueira que o meu pai produzia eram os melhores da ilha. Sempre foi uma fruta muito apreciada e o meu pai tinha cerca de 50 árvores deste fruto. Para além disso, no Verão o meu pai também tinha, por produção própria, melancias, melões, bananas ou abóboras que colocava à venda na sua frutaria. Como o negócio começou a resultar, o meu pai decidiu ter a frutaria aberta todo o ano, não só com aquilo que produzia, mas também com uma maior variedade de frutas, legumes e vegetais.

 

Há cerca de dois anos a Marina decide continuar o negócio do seu pai. Como se deu esta transição?

MM – Isto aconteceu porque, infelizmente, o meu pai faleceu. Eu sempre tive vontade de ter um negócio meu e, com aquele infortúnio, entendi que deveria continuar o que o meu pai tinha começado, até porque eu era muito próxima dele.

Como a frutaria era um negócio que ele adorava, comecei a pensar na possibilidade de continuar o trabalho dele.

 

E estava familiarizada com o negócio?

MM – Nem um pouco! Decidi tornar-me empresária com os olhos totalmente fechados a este nível. Antes disso, só tinha ajudado o meu pai durante 15 dias, o que não me preparou para o que é gerir um negócio.

 

Há quanto tempo está com este negócio?

MM – Estou à frente da frutaria vai fazer este ano dois anos. O meu pai faleceu a 5 de Junho de 2018 e, ou a frutaria fechava, ou alguém avançava. Foi uma decisão rápida. Depois de todo um processo burocrático, que envolveu mudar o negócio de nome, abrir actividade nas finanças, entre outros aspectos, a 21 de Junho eu já estava a trabalhar na frutaria e, desde vez, sendo eu a responsável.

 

E como tem sido desde então?

MM – Vamos tendo os nossos dias. Como em qualquer empresa, temos alturas melhores que outras. Mas estou na frutaria essencialmente por amor. Gosto muito do que faço e de poder continuar o legado que o meu pai deixou. Agora a opção só passa por ir em frente.

 

Alguma vez imaginou que iria estar a desenvolver este negócio?

MM – Nunca!

 

Até ao momento quais foram ou têm sido as suas maiores dificuldades?

MM – Quando comecei, o mais difícil foi mesmo colocar-me a par do universo empresarial. Aprender a gerir um negócio e tudo o que isso envolve. Actualmente, uma das dificuldades prende-se com alguma concorrência e com a quotação dos produtos para tentar ter os melhores preços, o que nem sempre acontece porque é preciso que haja um relação entre preço e qualidade do produto. Prezo por ter sempre produtos frescos e de qualidade e ao melhor preço possível. 

 

Continua a ter, à semelhança do seu pai, mercadoria de produção própria?

MM – Sim! O meu marido abriu actividade como agricultor, temos alguns terrenos e isso leva-nos a ter alguma produção própria. É o caso, por exemplo, da batata-doce, batata regional, agrião, alfaces, couves, figos, limão galego ou limão branco… Recentemente investimos numa quinta de tangerinas e mandarinas e já estamos a fazer o nosso plantio de melancia e melão para os podermos ter à venda no Verão.

Temos muitos produtos nossos, mas também que vêm de fornecedores. O meu objectivo é que nada falte aos meus clientes. Vou sempre tentar diversificar e aumentar a minha oferta o mais que possa.

 

Tem novos projectos para levar a cabo? Quais são os seus planos para o futuro?

MM – Gostava de poder crescer e aumentar a oferta da empresa. Também tenho a ambição de ter mais produção própria. Dou muito valor ao produto regional; àquilo que é nosso, por isso entendo que uma das apostas passa por investir na produção local. Contudo, não é uma tarefa fácil, pois os apoios são escassos e há falta de ajudas para quem tem esse desejo.

 

E crescer ao nível das infra-estruturas é também um objectivo?

MM – É um sonho, é algo que está nos meus planos, mas ainda não sei. Se me deixarem…. É possível… O importante é continuar o negócio, agradar a todos os nossos clientes e manter a qualidade que temos vindo a apresentar desde que a frutaria existe.

 

Será um projecto para se manter em Água de Pau?

MM – Não pretendo sair da localidade. Gostava de poder fazer crescer esta empresa sem ter que sair de Água de Pau ou do local onde estamos implementados actualmente. Até porque, como costumo dizer, na frutaria Marina Piques encontramos um monte de frescura, junto ao Monte Santo de Água de Pau. 

 

Já falou na concorrência, que é algo porque se tem que debater, mas o facto de estar mais longe dos centros urbanos tem sido um entrave?

MM – Não! Entendo que há espaço para todos e é muito bom poder trabalhar na nossa localidade. Tem sido muito interessante esta experiência.

 

Quem são os seus clientes?

MM – Tenho muitos clientes da localidade, mas também tenho muitas pessoas que vêm de fora de Água de Pau à procura dos nossos produtos. Isso é algo que já acontecia na altura do meu pai. Ele já tinha muitos clientes fixos que vinham, de propósito, ter com ele à procura de alguns produtos específicos, como é o caso dos figos de figueira que, na boca dos nossos clientes, são os melhores figos da ilha. A frutaria Piques já era conhecida e reconhecida por causa do meu pai.

O meu trabalho agora é manter o que ele construiu e angariar novos clientes, o que tenho conseguido nestes quase dois anos de actividade.

Também estamos presentes na rede social facebook, onde vou colocando fotografias com as novidades, o que tem ajudado também a angariar mais clientes.

 

Onde está a sua maior aposta?

MM – A minha maior aposta é mesmo no produto regional, como a laranja de umbigo, a tangerina, ou a nossa batata que é produzida com muito poucos químicos, entre tantos outros produtos. Esta será uma aposta para manter, até porque já tenho clientes que me procuram por saberem que tenho muitos produtos locais.

 

Foi um desafio continuar este negócio?

MM – Um grande desafio. Mas sinto-me muito feliz e realizada por poder continuar este negócio e por, até ao momento, estar a corresponder às minhas expectativas. Se voltasse atrás, garantidamente que voltaria a fazer o mesmo. Não me arrependo, em momento algum, da decisão que tomei em 2018.

 

Quem é a sua equipa?

MM – Para já, trabalho sozinha. Tenho o apoio do meu marido que também, quando é preciso, é ele quem fica na banca. Sempre que eu ou o meu marido precisamos nos ausentar, temos uma moça que nos substitui temporariamente. 

 

Um facto curioso foi que optou por manter o nome Piques na frutaria...

MM - É verdade. Eu não tenho Piques no meu nome, este era o nome do meu pai que fiz questão de manter. Na altura de dar um nome à empresa, considerei que o que melhor se adequava seria mesmo juntar o meu nome e o do meu pai, afinal foi ele o mentor e o responsável por este projecto que espero que dure ainda muitos e longos anos.

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