Irmãs Hospitaleiras e União das Misericórdias não permitem prática da Eutanásia

Doente - cama hospitalO Instituto das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, que detém um estabelecimento de saúde em Ponta Delgada, veio ontem a público, através de comunicado, num momento em que está em discussão parlamentar, a (des)penalização da eutanásia, reiterar “a fidelidade aos princípios do respeito pela vida humana, sagrada e inviolável, a promoção das melhores práticas clínicas ao serviço do cuidado com dignidade, do alívio do sofrimento e do conforto na atenção, especialmente quando a vida é mais vulnerável”. Assim, a direcção desta IPSS assegura que “não será permitido em nenhum dos estabelecimentos de saúde dirigidos por este Instituto a prática de actos contrários a estes princípios, nomeadamente aqueles que possam abreviar a morte intencionalmente a pedido do doente”.

Lê-se na mesma nota que a Instituição irá continuar “a envidar todos os esforços para continuar a oferecer, uma atenção e cuidado humanizado, integral e interdisciplinar, a favor da saúde e da qualidade de vida das pessoas que se encontram aos nossos cuidados nos âmbitos não só físico, mas também psicológico, social, espiritual e ético”.

Como Instituição que há quase 140 anos se dedica ao cuidado dos mais frágeis, o Instituto das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus diz esperar “que os núcleos do poder político, se empenhem em definir as melhores políticas que promovam a criação e organização dos recursos necessários e urgentes, para atender e acompanhar aqueles que experimentam a fragilidade, a doença e o sofrimento. E como sinal essencial de uma sociedade verdadeiramente desenvolvida, se rejeite a legalização da eutanásia! A resposta à vida, não se encontra na morte, mas sim na humanização, na proximidade e na compaixão, entendida no seu sentido, ou seja, o acompanhamento incondicional à dor de quem a sofre”.

Do mesmo modo, o Secretariado Nacional da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), reunido em Boticas, deliberou também sobre o tema da Eutanásia, caso a mesma venha a ser aprovada.

Como se pode ler no comunicado enviado às redacções, “as Misericórdias são Instituições que, ao longo dos séculos, pela sua identidade e natureza celebram a vida. Nos últimos 40 anos têm consagrado o melhor da sua actividade a cuidar das pessoas, nomeadamente os mais idosos, muitas vezes em situações de extrema dificuldade sempre com o objectivo de lhes assegurar dignidade, cidadania e qualidade de vida”.

Perante a eventualidade do Parlamento português vir a aprovar a eutanásia, as Misericórdias Portuguesas decidem tornar público que, “nas suas instituições, não praticarão a eutanásia a nenhum título. Contudo, no respeito pela pessoa humana, e pela liberdade individual, no caso de um utente desejar apoio para colocar termo à vida, as Misericórdias facilitarão a transferência desse utente para uma entidade certificada que o queira e possa fazer”.