Coronavírus. Hospital de Santo Espírito da ilha Terceira será unidade de referência na Região

hospital terceira

Não há, até ao momento, nenhum caso suspeito de cidadãos infectados com o coronavírus nos Açores, mas a Região já tem em marcha um plano de contingência para actuar em caso de necessidade. A garantia foi dada ontem, ao final da tarde, em conferência de imprensa, pela Secretária Regional da Saúde, Maria Teresa Luciano que deu conta de todos os procedimentos que estão a ser tomados e em preparação no âmbito da emergência de saúde pública de âmbito internacional do novo coronavírus COVID-19.

Assim, surgindo algum caso que necessite de análises para confirmar, ou não, a infecção por coronavírus, o Serviço Especializado de Epidemiologia e Biologia Molecular do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, SEEBMO, é o laboratório de referência da Região Autónoma dos Açores para a realização desse tipo de análises. O que significa que todos os casos suspeitos que possam surgir nos Açores serão encaminhados para a ilha Terceira.

Maria Teresa Luciano garantiu, ainda que a “capacidade do Serviço Regional de Saúde para lidar com casos de infecção foi reforçada e, neste momento, os hospitais dos Açores estão tecnicamente preparados e têm um total de 80 quartos de isolamento”, sendo que o Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, tem 41 quartos de isolamento, o Hospital de Santo Espírito, em Angra do Heroísmo, 35 quartos e o Hospital da Horta 4 quartos.

Depois do anúncio da Organização Mundial da Saúde de emergência de saúde pública de âmbito internacional, a Secretaria Regional da Saúde garante que tem já a funcionar um Grupo Técnico de Coordenação, cuja função passa por “acompanhar, permanentemente, o evoluir desta situação, sobretudo, no que respeita ao desenvolvimento desta epidemia a nível internacional (países e ou regiões afectados); acompanhamento da implementação de procedimentos e medidas que são definidas a nível nacional e internacional, bem como a sua eventual adaptação à estrutura regional e preparação para a eventualidade de surgimento de algum caso a nível regional”.

Este Grupo Técnico de Coordenação é composto por elementos da Direcção Regional da Saúde e do Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores, nomeadamente, a Coordenadora Regional de Saúde Pública, o Responsável Clínico do SRPCBA e três enfermeiros, sendo um da DRS e dois da Linha de Saúde Açores, sendo que a coordenação está a cargo da Directora de Serviços de Prestação de Cuidados em Saúde.

Além disso, avançou Maria Teresa Luciano, há um conjunto de outras medidas que já foram tomadas e estão em fase de concretização, sejam ao nível da prevenção geral e aquelas que se integram numa situação de detecção de algum caso.

Neste sentido, “também os hospitais da Região e as unidades de saúde de ilha têm vindo a actualizar e a testar os seus planos de contingência, bem como a formar os seus profissionais, para garantir que estão reunidos os recursos materiais e humanos para responder a eventuais necessidades de intervenção”, não prevendo a Secretaria Regional da Saúde, “qualquer dificuldade ao nível da disponibilidade de material necessário para essa situação”.

Do ponto de vista das medidas de prevenção, a Direcção Regional da Saúde, em articulação com a Universidade dos Açores e a Direcção Regional da Educação, tem vindo a monitorizar os estudantes que se deslocaram ao abrigo do programa ERASMUS ou de outros programas de mobilidade. Uma monitorização que abrange quer os que vêm do exterior para a Região, quer os que, sendo dos Açores, estiveram ou estão no exterior e regressem aos Açores nos próximos tempos. Para já, falta ainda definir os procedimento a tomar quanto à passagem de navios de cruzeiros nos portos dos Açores

 

Todos os casos suspeitos serão

encaminhados para a Terceira

 

Conforme explicou, na ocasião Tiago Lopes, Director Regional da Saúde, qualquer caso suspeito nos Açores, que reúna os critérios clínicos ou epidemiológicos do novo coronavírus deve ser comunicado à Linha de Saúde Açores (808246024) que através do médico regulador irá articular com a linha de apoio ao médico da Direcção Geral da Saúde. Será essa linha que fará a validação da eventualidade de um caso suspeito que, caso seja positivo, irá accionar uma série de procedimentos regionais que envolvem também (caso o paciente seja de uma ilha onde não haja hospital) transportar o utente para um dos hospitais da Região, sendo o Hospital da Ilha Terceira a primeira opção, uma vez que se trata de uma unidade que possui o Serviço Especializado de Epidemiologia e Biologia Molecular que irá permitir confirmar o diagnóstico ao nível laboratorial e porque possui quartos em isolamento com pressão negativa.

Tiago Lopes garantiu, ainda que “qualquer um dos três hospitais da Região, bem como as unidades de Saúde de ilha, têm planos de contingência elaborados”, o que irá permitir a que nas ilhas sem hospital, se aparecer um caso suspeito este utente poderá ser colocado em isolamento na área que está afecta na respectiva unidade de saúde.

Após a detecção do caso suspeito, o Director Regional de Saúde avança que estão também preparadas medidas ao nível da coordenação regional de saúde pública, bem como dos delegados de saúde concelhios para “proceder de imediato ao rastreio epidemiológico de todos os que estiveram em contacto próximo com o suspeito para, nos próximos 14 dias, ser feito um levantamento e um acompanhamento diário” de forma a detectar, ou não, mais casos suspeitos.

Nos próximos dias a Secretaria Regional da Saúde irá também intensificar as campanhas de prevenção, estando em fase de ultimação um reforço significativo da informação e da educação à população para que conheça e adopte as medidas de protecção da saúde pública.

A finalizar Maria Teresa Luciano recordou a Linha de Saúde Açores – 808 24 60 24 é o ponto de contacto privilegiado para encaminhamento de eventuais casos suspeitos, bem como de informação e aconselhamento à população.

“Qualquer pessoa que tenha dúvidas sobre a sua situação ou julgue ter sintomas de infecção, deve contactar a Linha de Saúde Açores e nunca, repito, nunca dirigir-se ao hospital ou centro de saúde” frisou.

 

OMS considera “irracional”

usar máscara e gel desinfectante

 

A Directora de Saúde Pública da Organização Mundial de Saúde (OMS), Maria Neira, classificou como “irracional e desproporcionado” que se esgotem as máscaras e os desinfectantes nas farmácias por medo do coronavírus. Em declarações à emissora espanhola RAC-1, Neira recordou que as máscaras são para uso do pessoal de saúde e sublinhou que a diminuição de vítimas e contagiados que está a registar-se na China “poderá significar que a epidemia chegou ao cume e atingiu o pico epidémico”.

Neira afirmou que a medida mais efectiva para prevenir o contágio é lavar as mãos com frequência e insistiu que não se justifica que se esgotem as máscaras e os geles desinfectantes, referindo que a situação se baseia no “medo e na angústia das pessoas”, o que deve ser evitado. A responsável explicou que o uso de máscaras é para pessoal de saúde e apelou para que se evite o uso de forma irracional.

Sobre a situação na China, onde teve origem o surto, Neira indicou que há já “quase a confirmação de que o número de casos parece ter atingido o topo”. “Nos últimos dias, temos visto uma descida na incidência e no número de mortos”, acrescentou.

Globalmente, afirmou, o vírus circula, mas em quantidades muito racionais, pequenas, e os casos têm uma sintomatologia entre “leve e moderada”, semelhante a uma gripe sazonal.

A Directora-geral de Saúde Pública da OMS disse que as medidas tomadas em Espanha, onde se diagnosticaram oito casos nos últimos dias, são totalmente proporcionais. “Oitenta por cento das pessoas que estão em contacto com o vírus não desenvolvem qualquer sintomatologia. Cerca de 15% terá uma sintomatologia leve a moderada. Entre 4% a 5% requer assistência clínica mais sofisticada”, referiu a especialista.

O balanço provisório da epidemia do coronavírus Covid-19 é de pelo menos 2.763 mortos e cerca de 81.000 infectados, de acordo com dados reportados por mais de 40 países e territórios.

 

Por: Olivéria Santos