Lojas de chineses estão vazias por causa do novo coronavírus

AAloja chineses PDL

Com cada vez mais casos de infecções em todo o mundo com o novo coronavírus e apesar de nos Açores, até ao momento, não existir casos confirmados, o certo é que esta situação está a deixar a sociedade em alerta e a adoptar atitudes que, até à data, passava ao lado. Em Ponta Delgada, por exemplo, as várias lojas de chineses espalhadas pela cidade dizem estar a ressentir-se, confirmando ao Diário dos Açores que o número de clientes tem diminuído.

Numa das lojas mais movimentadas de Ponta Delgada, Ana Batista, empregada, deu conta que o número de pessoas reduziu bastante nos últimos tempos. “Temos a loja aberta até às 21h00 e costumávamos ter clientes durante todo o dia e até à hora de fecho, mas ultimamente, a partir das 18h30/19h00, o movimento fica muito fraco”, garante, acrescentando que também na hora de almoço que era uma altura em que a loja era muito frequentada, “têm aparecido muito poucos clientes”. “Antes deste vírus tínhamos uma afluência de clientes muito maior”, assegura. Ainda assim, Ana Batista não quer atribuir, ainda, as culpas do fraco movimento ao surgimento do Covid 19. Como diz, “como o Carnaval foi há pouco tempo, pode ser que as pessoas não tenham agora tanto dinheiro”, contudo, avança que se nota um certo receio generalizado da população em frequentar lojas de chineses, o que para esta colaborada não tem razão de ser até porque, garante, “tanto o meu patrão, como os outros empregados chineses já não vão à China há bastante tempo. Aliás, até uma colega que ia à China em Janeiro optou por não viajar”, comenta. Já no que concerne à mercadoria, Ana Batista diz que a maior parte vem de Lisboa, pelo que não vê motivos para que as pessoas deixem de frequentar as lojas de chineses.

“Ainda recentemente tive um cliente que estava com receio de ir à casa de banho porque pensava que ia apanhar alguma doença”, frisa, dando conta que na loja estão a ser tomadas medidas preventivas como desinfecção dos espaços e dos próprios colaboradores da loja.

aaloja chinesesTambém numa outra loja, localizada nos Valados, em Ponta Delgada, os proprietários optaram por colocar todos os colaboradores a trabalharem de luvas e com máscaras por uma questão de prevenção. À entrada do estabelecimento comercial, pode ler-se uma nota a avisar os clientes desta precaução, advertindo que se trata apenas de zelar pela saúde de todos. “Não sabemos quem está infectado e assim estamos a nos proteger e às outras pessoas”, esclarece uma colaboradora que garante não existir qualquer risco em frequentar as lojas de chineses. No entanto, também nesta loja os corredores ficaram mais vazios: “no início nem tanto, mas recentemente temos notado uma menor afluência de clientes”, frisou.

Do mesmo modo, em São Gonçalo, outra loja que costuma ter grande uma afluência, também se pode verificar que os corredores estão quase vazios. Isso mesmo foi comprovado ao Diário dos Açores por algumas funcionárias daquele estabelecimento que dizem que se trata de uma atitude que se vê “não só nas lojas dos chineses, mas no comércio em geral”.

“Temos uma grande quebra no fluxo de clientes, o que a meu ver, no caso das lojas de chineses, não faz sentido porque não é só na China que está o vírus”, adverte, garantindo que naquela loja em particular ninguém foi à China desde que se soube da existência do Covid 19.

 

Em Portugal há 41 casos confirmados, 375 suspeitos, 667 pessoas em vigilância

 

O número de casos confirmados em Portugal foi actualizado ontem de manhã para 41 pela Direcção-Geral da Saúde (DGS). Trata-se de um aumento de duas pessoas face ao boletim da véspera: são dois homens, na casa dos 60-69 anos, um de Lisboa e Vale do Tejo e outro da região Centro. Um desses dois casos foi importado de Espanha.

Destes 41 casos, 40 estão hospitalizados pode ler-se. Questionada pelo Expresso, a DGS confirmou apenas que a pessoa não hospitalizada não se trata de um doente curado.

O boletim epidemiológico inclui ainda outros dados relevantes: há 375 casos suspeitos – mais 36 do que na Segunda-feira – e 667 pessoas em vigilância – um aumento de 171 pessoas. Há ainda 83 casos a aguardar resultado laboratorial.

Na distribuição geográfica, a região Norte é claramente a que concentra maior número de casos (27), seguida por Lisboa e Vale do Tejo (10), Cento (2) e Algarve (2).

O boletim inclui pela primeira vez a informação do número de cadeias activas, ou seja, o número de pessoas que trouxe a doença do estrangeiro e passou o vírus para outros cidadãos em território nacional.

Os casos importados são oito: cinco de Itália, dois de Espanha e um da zona da Alemanha/Áustria (ainda está em investigação a localização exacta).

Há 23 homens e 18 mulheres com a doença. O grupo etário mais afectado é dos 40-49 anos (sete homens e sete mulheres) mas também há seis crianças/adolescentes (três homens e três mulheres).

Em relação aos sintomas, os mais referidos são tosse (29), febre (23), dores musculares (21) e cefaleias (19).

A DGS anuncia ainda que a publicação destes relatórios passará a ser feita ao final da manhã, quando até aqui era feita depois das 21h00.

 

Por Olivéria Santos