Bispo de Angra publica nota de dispensa da “obrigação do preceito dominical”
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- Publicado em 17-03-2020
- Escrito por Redacção

O Bispo de Angra emitiu uma nota pastoral onde “dispensa” os cristãos do “preceito dominical” durante o período da actual situação de emergência.
Na nota, a que o Igreja Açores teve acesso, o prelado lembra que é dever todos os cristãos participarem na eucaristia dominical e por isso formula um voto para que neste tempo “de falta da Eucaristia” todos os cristãos “se consciencializem da importância da celebração dominical da Eucaristia e sintam maior desejo de nela participar activa e fructuosamente”.
A nota pastoral, com seis pontos, pede ainda oração por todas as vítimas da pandemia, especialmente aos sacerdotes para que celebrem missa em privado e tenham em intenção os seus paroquianos.
“Convido todos os párocos e demais sacerdotes, através dos meios digitais e redes sociais, a ajudarem os fiéis baptizados a recorrerem às diversas formas de oração, à leitura da Palavra de Deus e, nomeadamente, ao acesso às leituras dominicais”, adianta ainda D. João Lavrador.
Apesar do estado de contingência que a Região vive, decretado pelo Governo Regional, o responsável pela diocese insular pede para que as igrejas permaneçam abertas e que os cristãos aí possam rezar individualmente.
“Que se aproveite bem este tempo quaresmal através dos diversos gestos de que se reveste na ascese, na sobriedade, na oração, na conversão e na partilha fraterna, apesar da carência da Eucaristia” refere ainda o prelado.
Recorde-se que desde ontem, na Diocese de Angra, tal como já se está a fazer em todo o país, não haverá celebrações comunitárias estando igualmente suspensas procissões, e outros actos de culto que envolvam grupos. Também está suspensa a catequese e a realização de reuniões e eventos pastorais.
Suspensas todas as celebrações litúrgicas comunitárias
A diocese de Angra decidiu, em conformidade com as determinações da Conferência Episcopal, suspender, desde ontem, todas as celebrações litúrgicas comunitárias como missas, procissões, lausperenes e outros actos de culto público.
“São suspensas as celebrações comunitárias da Santa Missa aos Domingos e dias de semana, bem como procissões, lausperenes, e outros actos de culto público, até ser superada a actual crise de emergência, devendo o bispo diocesano levantar a obrigatoriedade de preceito da missa dominical para todos os fiéis” afirma um comunicado da cúria diocesana enviada a todos os sacerdotes pelo Vigário-geral, cónego Hélder Fonseca Mendes.
Ficam, também, “sem efeito” as celebrações do sacramento da confirmação ou crisma que iriam decorrer na ilha de São Jorge, desde ontem, bem como a visita pastoral ordinária do Bispo diocesano àquela ilha.
São ainda canceladas as celebrações comunitárias ou privadas do sacramento da penitência ou da reconciliação, “a não ser por pedido explícito e necessário do penitente e salvaguardadas as devidas distâncias do confessor” e são suspensas as visitas dos párocos e ministros extraordinários da comunhão aos doentes, quer domiciliárias e a lares, refere ainda o comunicado.
Deve adiar-se as celebrações comunitárias dos sacramentos do baptismo e do matrimónio, ou “em caso de necessidade absoluta” que sejam restritas apenas aos familiares directos sem a participação de convidados. De igual modo os sacramentais ou bênçãos públicas devem ser evitados.
Relativamente aos funerais, a diocese determina que devem evitar-se os velórios com muita gente, devendo apenas estar presentes os familiares mais directos do defunto. Ficam também suspensas as missas exequiais ou de corpo presente, de 7º. 30º. dia e de aniversário, até indicações em contrário.
“Esperamos fazer a avaliação desta situação até ao dia 3 de Abril, de tal maneira que possamos celebrar a Semana Santa e a Páscoa comunitariamente, se as condições de saúde pública assim o permitirem” avança o Vigário-geral que, no entanto, alerta para a possibilidade do rito do lava-pés em Quinta-feira Santa, bem como a adoração da cruz em Sexta-feira Santa poder ser feito mas por uma genuflexão ou inclinação e não por osculação. Não é aconselhável a procissão da Ressurreição aos enfermos, diz ainda o comunicado. As visitas turísticas às igrejas e espaços musicológicos das mesmas também devem ser evitadas.
“Aconselhamos os sacerdotes diocesanos a celebrarem a Eucaristia ao Domingo e em dias de semana, ainda que de um modo particular, sem celebração comunitária. Aos demais fiéis, pede-se que acompanhem a celebração da Eucaristia dominical pelos meios de comunicação social ou pela internet, devendo estes manter as transmissões caso tal seja possível. Intensifique-se a vida de oração em casa, biblicamente alimentada, a escuta da criação e da natureza, a atenção familiar, o jejum dos excessos e a esmola de cuidar dos mais frágeis, como é próprio deste tempo da Quaresma ” refere o comunicado.
