Açores com “maior profundidade na intervenção” face ao Covid-19 do que em outros contextos do país

1 AAA Tiago lopes

Entre quinta e sexta-feira, o número de pessoas em vigilância activa nos Açores por causa do Covid-19 aumentou de 594 para 1561. Também o número de casos suspeitos registou um aumento de 14 para 23. 

Segundo o último ponto de situação feito pela Autoridade de Saúde Regional, mantinham-se ontem os mesmos três casos positivos do novo coronavírus na Região, que se encontravam em situação “estável” (1 caso na Terceira, 1 em São Jorge e 1 no Faial). Quantos aos 14 casos suspeitos anunciados na quinta-feira, 10 deram negativos (2 da ilha Terceira, 1 de Santa Maria, 1 do Faial e 6 de São Miguel) e 4 aguardavam ainda o resultado das análises.

“O caso negativo no Faial estava directamente relacionado com o caso positivo, o que é uma notícia bastante satisfatória”, salientou o responsável pela Autoridade Regional de Saúde, que é também o Director Regional da Saúde, em conferência de imprensa.

Relativamente ao dia de ontem, foram 24 os casos suspeitos registados, cinco dos quais já deram negativos. Dos restantes 19, três aguardam resultados e 16 aguardam colheitas (1 na Terceira, 1 em São Jorge – relacionado com o segundo caso positivo, e 14 na ilha de São Miguel), perfazendo-se os 23 casos suspeitos (com os 4 casos do dia anterior que também aguardavam os resultados de análise). Nenhum dos casos suspeitos está em situação de internamento.

No que toca ao número de vigilâncias activas, Tiago Lopes realçou que o aumento “era expectável”. “Dos 1651, 631 são sinalizações da Linha de Saúde Açores e 930 são reportes feitos pelas delegações de Saúde no trabalho de campo. Destes 930, 50 são de São Jorge, 718 de São Miguel, 111 da Terceira e 51 das Flores”, avançou o responsável.  

 

Mais de 70 testes feitos na Região

 

O responsável pela Autoridade Regional de Saúde adiantou que ao nível de testes realizados ao Covid-19, nos Açores tem-se pecado por excesso. “Já vão em mais de 70 testes. Neste momento, estamos a pecar por excesso”, afirmou Tiago Lopes, acrescentando que o facto de haver um grande número de cidadãos em vigilância é também sinal que “as medidas que estamos a aplicar são mais excessivas do que está a ser aplicado em outros contextos do país. Estamos a ter uma maior profundidade na intervenção”, garantiu.

“Não é motivo de preocupação termos estas mais de 1500 pessoas em vigilância activa. É um indicador de como estamos a tentar ‘apertar a malha’ o máximo possível, de modo a conseguirmos ‘peneirar’ os casos que possam existir na região”, explicou.

 

Casos positivos em São Miguel “são expectáveis”

 

Tiago Lopes alertou que será “expectável” que venham a surgir casos positivos na ilha de São Miguel, garantindo contudo que os serviços de saúde estão preparados. 

“Temos estado em articulação próxima com o Hospital do Divino Espírito Santo que, por sua vez, através do empenho e motivação dos seus profissionais tem adequado o seu nível de alerta e de resposta e estão preparados para dar o próximo passo no nível de resposta”, salientou.

Face a um eventual aumento do número de casos, Tiago Lopes recordou o que o representante da República nos Açores, Pedro Catarino, já havia transmitido: “as Forças Armadas e de segurança estarão disponíveis a coadjuvar os órgãos de Governo Regional e iremos contar com a sua colaboração caso seja preciso elevar o nível de resposta”. 

 

Fiscalização da quarentena não é feita individualmente

 

As mais de 1500 pessoas em vigilância activa – onde estão incluídas as pessoas que tenham vindo do exterior para os Açores - devem ficar em quarentena, mas a fiscalização do cumprimento desta orientação não está a ser feita individualmente. 

O responsável salienta que “não é viável” fazer esta fiscalização a nível individual. “O que nós estamos a fazer é um acompanhamento, uma vigilância activa através das delegações de saúde que contactam telefonicamente com estes cidadãos, para acompanhar o seu estado de saúde durante o período de incubação do novo coronavírus (14 dias)”, referiu.

“Nem nos Açores, na Madeira ou no no Continente é possível fazer uma fiscalização domiciliária para o cumprimento do isolamento ou de uma quarentena”, defendeu.

Tiago Lopes esclareceu ainda que a medida de isolamento é mais restritiva, pelo que o que está determinado na Região é que as pessoas em vigilância activa devem ficar em quarentena, em casa, com cuidados especiais para evitar o contágio.

Na conferência de imprensa, o responsável deixou também um alerta aos pensionistas, que no final do mês vão aos serviços de CTT levantar as suas pensões, para que cumpram as recomendações de distanciamento social acima de 1 metro de distância, a fim de evitarem o contágio. “São maioritariamente um grupo de uma faixa etária mais sensível e mais sujeita à aquisição de infecção”, alertou Tiago Lopes, acrescentando que o mesmo deverá acontecer nas idas às farmácias.