Ilha Graciosa com dois primeiros casos de infecção pela Covid-19

covid-19 - cama desinfectante

Foram ontem diagnosticados mais nove casos positivos de Covid-19 na Região, de acordo com análises realizadas nos dois laboratórios de referência dos Açores, tendo sido detectados sete casos em São Miguel e, pela primeira vez dois casos na Graciosa.

Em São Miguel, foram diagnosticados quatro indivíduos do sexo masculino, entre 27 e 64 anos, e três indivíduos do sexo feminino, de 18, 27 e 56 anos. Cinco destes indivíduos integram o mesmo agregado familiar e tiveram contacto com um caso positivo da Povoação, estando, por isso, dentro do cordão sanitário da Povoação.

O contexto epidemiológico dos outros dois casos está em investigação.

Na ilha Graciosa, trata-se de um indivíduo do sexo masculino, de 76 anos, e de um indivíduo do sexo feminino, de 80 anos, com história de viagem conjunta recente ao exterior, estando em quarentena desde que regressaram à Região.

Os casos estão a ser acompanhados pelas Delegações de Saúde Concelhias, estando em curso os procedimentos definidos para caso confirmado e de vigilância de contactos próximos.

Até à data, foram detetados na Região 57 casos positivos para infecção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença COVID-19, sendo 25 em São Miguel (14 de Ponta Delgada, 9 no concelho da Povoação, 1 no concelho da Ribeira Grande e 1 no concelho de Lagoa), nove na ilha Terceira (4 em Angra do Heroísmo e 5 na Praia da Vitória), 9 no Pico (4 na Madalena do Pico e 5 em São Roque do Pico), 7 em São Jorge (5 no concelho das Velas e 2 na Calheta), 5 no Faial (todos do concelho da Horta) e 2 na Graciosa (Santa Cruz).

Às 16h00 de ontem estavam registados na Região mais 90 casos suspeitos que aguardam os resultados das análises ou recolha de amostra biológica, estando em vigilância activa, em todas as ilhas dos Açores, 2904 pessoas que estão a ser seguidas diariamente pelas delegações de saúde concelhias.

Actualmente estão 12 pessoas internadas nos três hospitais da Região, seis no Hospital do Santo Espírito, na ilha Terceira, estando um em situação crítica na unidade de cuidados intensivos, dois no Hospital da Horta, ilha do Faial e quatro no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, sendo que dois destes pacientes também se encontram em situação crítica. Os restantes 45 casos positivos estão em contexto domiciliário (21 em São Miguel, 5 em São Jorge, 6 na Terceira, 7 no Pico, 4 no Faial e 2 na Graciosa) e apresentam situação clínica estável.

 

Doentes deslocados

transferidos esta semana

 

Tendo em conta a evolução do surto de coronavírus na Região e depois da existência na Região de algumas cadeias de transmissão local, nomeadamente em São Miguel, Terceira e no Pico, a Tiago Lopes deu conta que “vão começar a ser feitos testes de diagnóstico aos idosos que provenham da comunidade ou que forem transferidos de unidades hospitalares para unidades de cuidados continuados e para as estruturas residenciais para idosos no sentido de possivelmente identificar casos positivos de infecção pelo novo coronavírus”.

O Director Regional da Saúde garantiu ainda que a propósito dos doentes deslocados, “iremos até ao final da semana proceder ao regresso destes utentes à sua ilha de residência para depois voltarmos a ter uma suspensão mais efectiva das ligações marítimas e aéreas na Região”. A este propósito Tiago Lopes considera não ser admissível que persistam os pedidos de pessoas que querem ir de férias. “Nós estamos num estado de emergência, a situação tanto no continente como nas Regiões Autónomas é preocupante e a população deveria estar também preocupada com a situação e colaborar com o que têm sido as nossas recomendações e orientações”, advertiu adiantando que “não é compreensível e aceitável que as pessoas continuem a pensar que podem continuar a circular livremente na Região”. Tiago Lopes diz mesmo que não é “aceitável que se “tente defraudar as autoridades de saúde no que concerne aos principais motivos para estas deslocações”. Neste sentido, avança este responsável, “a circulação tem que ser minimizada na Região”, sendo que após o regresso a casa dos doentes deslocados, vão ser “fechadas as ligações aéreas e marítimas, deixando apenas a possibilidade a quem o queira fazer por motivos urgentes e emergentes”. De acordo com Tiago Lopes “não é compatível num estado de emergência que continuemos a ter um número inexplicável de pedidos para férias”, e por isso, frisa, “não sendo compreensível e aceitável este tipo de comportamento iremos restringir todas as ligações aéreas e marítimas aquilo que é estritamente essencial”.

 

Três profissionais de saúde infectados

 

À semelhança do que foi feito para as pessoas que chegam à Região que ficam em quarentena numa unidade hoteleira, também os profissionais de saúde já têm assegurado alojamento para possíveis casos de infecção, havendo já três profissionais de saúde na ilha de São Miguel que já foram infectados em contexto laboral e que, por isso, se encontram em quarentena ou por terem estado em contacto com casos positivos para Covid-19.

Conforme explicou Tiago Lopes, “todos os casos positivos que forem surgindo vão trazer, inevitavelmente, constrangimentos para as unidades de saúde”, quer por via de infecção de profissionais, quer por via de contactos próximos destes profissionais com casos positivos e que depois terão que também cumprir o seu período de quarentena”.

Aos profissionais de saúde será dado o mesmo tratamento que a qualquer doente Covid-19, estando, contudo, assegurado, pelo Governo Regional dos Açores, alojamento para estes profissionais caso seja necessário.

 

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