Emigrantes açorianos entre o elevado número de infectados nos EUA

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O mundo vive atualmente momentos verdadeiramente dramáticos com o surto do novo coronavírus, o Covid-19.

De um momento para o outro tudo mudou. Os nossos hábitos (e vícios) quotidianos, a nossa maneira de encarar a vida e, mais do que isso, a realidade e constatação de que na verdade somos pequeninos perante uma força superior e supernatural, que deve ser o epicentro das nossas vidas. 

Afinal não somos os donos disto tudo. 

Nesta sociedade consumista, materialista, do capitalismo selvagem, da lei da sobrevivência, esquecemo-nos que há uma escala de valores e princípios morais fundamentados nos conceitos da fraternidade, humanismo e solidariedade. Devemo-nos orientar por estes valores.

Para além do drama humano da perda de vidas, esta pandemia do novo coronavírus tem efetivamente provocado em todo o mundo cancelamentos e adiamentos de espetáculos, festivais, exposições e outros eventos que reúnem massas, uma vez que a medida mais eficaz para conter a pandemia tem sido evitar aglomerações.

Nos Estados Unidos, os grandes espetáculos da Broadway, Carnegie Hall, Metropolitan, em New York, bem como outros festivais de fama nacional, nomeadamente o Tribeca Filme Festival, que deveria acontecer de 15 a 26 de abril e o festival Coachella, na Califórnia, para mencionar apenas alguns, foram cancelados.

Encerrados estão praticamente todos os casinos, parques de diversões, com destaque para Disney World, na Flórida e Disneyland, na Califórnia, escolas, igrejas, museus, teatros, restaurantes, bares, etc.

Em Massachusetts, o governador Charlie Baker, no cumprimento da medida de isolamento social e tendo em conta o elevado número de infetados e óbitos, ordenou o encerramento de estabelecimentos comerciais considerados não essenciais, prevendo-se a sua reabertura na primeira semana do próximo mês de maio, mantendo-se apenas abertos farmácias, supermercados, estações de abastecimento de gasolina e outros serviços considerados essenciais. 

Refira-se que o período inicial de confinamento era apenas de 15 dias, até ao passado dia 06 de abril.

 

Cancelamento de festas e encerramento de vários estabelecimentos comerciais



Nas comunidades portuguesas da Nova Inglaterra, particularmente nos estados de Massachusetts e Rhode Island, onde existem as mais variadas iniciativas empresariais e sócio-culturais, o cenário é obviamente idêntico: os clubes e outras organizações cívicas, igrejas, restaurantes e bares, tudo encerrado ao público. 

Contudo, alguns restaurantes aqui em New Bedford, Fall River, Taunton (Massachusetts) e East Providence, Pawtucket e Cumberland (Rhode Island) vão ainda sobrevivendo com o serviço de encomenda, o “take out”, assegurado apenas pelo cozinheiro e proprietário do estabelecimento, na maioria dos casos.

As festas que proliferam em grande número aqui em Massachusetts e Rhode Island, tanto as de teor religioso como de caráter cultural, foram canceladas. 

Referimo-nos particularmente às festas do Espírito Santo, promovidas pelas mais diversas irmandades ligadas a organizações, sobretudo junto das comunidades açorianas onde este culto é mantido com toda a fé e devoção, bem como algumas das paróquias portuguesas.

As celebrações do Dia de Portugal nas várias localidades de Massachusetts e Rhode Island foram também canceladas, nomeadamente o Boston Portuguese Festival, que se realizaria no final do mês de junho na capital do estado de Massachusetts, o Dia de Portugal em Providence, RI, Taunton e New Bedford. 

Contudo, as celebrações em Fall River, MA., cidade berço da maior comunidade açoriana da ilha de São Miguel nos EUA, foram adiadas para a primeira semana de setembro, que coincide com o feriado nacional nos EUA do “Labor Day”.

Outro evento de grande destaque na comunidade portuguesa e luso-americana do Sudeste da Nova Inglaterra, é o International Portuguese Music Awards (IPMA), que se destina a premiar os trabalhos discográficos de artistas e grupos lusófonos da diáspora e que este ano seria a oitava edição a 25 de abril no Zeiterion Performing Arts Center, em New Bedford, como tem acontecido nas anteriores edições, foi cancelado. 

O elenco deste ano teria grandes nomes como GNR, Aurea, Camané, Miguel Gameiro e outros grupos e artistas da diáspora lusa, foi cancelado, ficando reduzido apenas à atribuição dos respetivos troféus nas mais diversas categorias e géneros musicais, via internet, em data a anunciar.

De referir também que toda a comunicação social portuguesa da Nova Inglaterra (rádios, televisão e jornais), enfrenta neste momento enormes dificuldades com a suspensão do seu principal elemento de sustentabilidade: a publicidade. 

É que a maioria desses agentes comerciais apoia estes importantes órgãos de divulgação da língua e cultura e de ligação entre as comunidades e a terra de origem. 

Contudo, em contacto com todos eles, a palavra de ordem é “apertar o cinto”, mas deverão continuar com as suas emissões e publicações, porque “a tempestade há-de passar” e haverá tempo para recuperar.

 

Há vários portugueses no elevado número de infetados em MA e RI

 

À hora em que escrevo este apontamento para o Diário dos Açores (manhã de quinta-feira, 09 de abril), o número de infetados nos EUA era cerca de 440 mil e mais de 14 mil óbitos.

Aqui pela Nova Inglaterra e particularmente nos estados de Massachusetts e Rhode Island, dois estados com grande concentração de portugueses e lusodescendentes, o número de infetados era superior a 18 mil (cerca de 17 mil em Massachusetts e 1.450 em Rhode Island), registando-se 4468 mortes (433 em MA e 35 em RI). 

Não foi possível apurar se há portugueses entre os óbitos, mas sabe-se que há vários portugueses entre os infetados, segundo fonte fidedigna e que, por razões óbvias, preferiu manter o anonimato. 

Muitas das pessoas na chamada linha da frente: médicos, enfermeiras, técnicos de saúde, bombeiros, agentes policiais, etc., são lusodescendentes.

De referir ainda que, e de acordo com as autoridades de saúde em Massachusetts e Rhode Island, o pico deste surto do Covid-19 acontece nestes próximos 10 dias, prevendo-se, depois desse período um abrandamento (e melhoria) de casos.

 

Morte de um emigrante

 

Já depois desta reportagem escrita, chegou-nos a notícia de um emigrante açoriano falecido pelo coronavírus.

Foi em Lawrence, Massachusetts, e o emigrante era natural da ilha do Faial (Flamengos). Contava 83 anos de idade e havia imigrado para os EUA por ocasião da erupção vulcânica dos Capelinhos. Manuel Andrade tinha problemas de saúde e estava infectado há vários dias tendo vindo a falecer Sexta de manhã.

 

 

Por Francisco Resendes, EUA

Exclusivo Portuguese Times/Diário dos Açores



 

 

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