“O que for preciso é para gastar” em saúde para enfrentar a pandemia, afirma Vasco Cordeiro

AAAVasco - videoconferência

O presidente do Governo dos Açores afirmou ontem que, “dentro da finitude” de recursos económicos da região, tudo o que for preciso gastar na área da saúde, para enfrentar a pandemia de covid-19, “é para gastar”.

“Os nossos recursos não são ilimitados”, lembrou Vasco Cordeiro, acrescentando que no campo da saúde, e também em áreas como o apoio social e a economia, “o que for preciso gastar é para gastar, o que for preciso afectar é para afectar”.

O governante falava através de videoconferência numa reunião da Comissão Permanente da Assembleia Legislativa Regional, a propósito da actuação do Governo dos Açores na resposta à pandemia de covid-19.

Vasco Cordeiro respondia a uma pergunta do líder do CDS nos Açores, Artur Lima, em torno da anulação do concurso para a construção de um navio de transporte de passageiros e viaturas, tendo o executivo anunciado que 48,2 milhões de euros desse investimento foram direccionados para o combate à pandemia.

Cerca de 41 milhões de euros da obra são de fundos comunitários, de uma “candidatura já aprovada”, e 7,2 milhões de euros são comparticipação regional, sendo todo esse montante destinado agora para a saúde e a economia, indicou o chefe do executivo açoriano.

Questionado por vários deputados sobre o primeiro caso de covid-19 num lar de idosos na região, no Nordeste, Vasco Cordeiro asseverou não ter havido “falhas de procedimentos”.

“A primeira doente que foi testada positiva no lar teve alta no hospital de Ponta Delgada no dia 27 de Março. Só em 2 de Abril é que o profissional de saúde do hospital de Ponta Delgada é testado positivo”, disse, acrescentando que “a doente que sai do hospital para o lar sai antes sequer que se tivesse conhecimento de que havia uma cadeia de transmissão envolvendo o hospital”.

 

5 milhões investidos em material para realizar 400 mil testes

 

Na reunião, Vasco Cordeiro adiantou, por outro lado, que vão ser investidos cerca de cinco milhões de euros no material necessário para a realização de 400 mil testes de despiste do novo coronavírus, antecipando-se, por esta via, aquelas que podem ser necessidades futuras. 

Este material chegará à Região de forma gradual, dados os constrangimentos que se verificam no mercado internacional deste tipo de produtos. 

Os Açores têm capacidade instalada para fazer 300 testes por dia “no conjunto dos dois laboratórios” de referência da região, mas em breve esse número subirá para os 500 testes por dia, com a instalação de novos equipamentos médicos.

Este investimento de mais de cinco milhões de euros, que se junta aos 9,3 milhões de euros já investidos pelo Governo dos Açores nos equipamentos de protecção individual e que já começaram a chegar à Região, através de uma operação extraordinária realizada à China pela Azores Airlines.

Sobre o relacionamento com o Governo da República, sendo sabido que o executivo açoriano defendeu o encerramento dos aeroportos e que o executivo central manteve a TAP a voar para São Miguel e a Terceira, Vasco Cordeiro advogou que “o Governo Regional está a agir naquilo que entende ser o seu papel e o Governo da República naquilo que entende ser o seu papel”.

“Não tenho mais questões de diferenças de entendimento a referir”, prosseguiu o socialista, referindo também um relacionamento institucional “excelente” com o representante da República na região, Pedro Catarino.

 

Presidente vai ouvir partidos e parceiros sobre o pós-pandemia

 

Na audição, o presidente do Governo Regional dos Açores anunciou ontem que convidará os partidos e os parceiros sociais para integrarem o processo de “repensar” e “avaliar” as medidas a implementar na região ultrapassada a pandemia de Covid-19. 

“Convidarei os parceiros sociais, partidos, para participarem neste processo de repensar, avaliar o tipo de medidas que no seu entender serão necessárias nessa fase que se seguirá”, afirmou Vasco Cordeiro, considerando ser desejável o “máximo de consenso possível” em prol dos Açores.

Para o governante, à medida que a região se aproxima da “estabilização” da situação, é necessário “começar a pensar no que se segue”, nomeadamente na “reactivação” e “recuperação” da economia e no “apoio aos que estão numa situação de maior fragilidade”.