Pesca lúdica com “papel fulcral no combate à fome”, alerta associação regional

00PescaA Associação Regional de Pesca Lúdica dos Açores (ARPLA) apela ao Governo Regional que “reconsidere” a proibição da pesca lúdica nas ilhas de São Miguel e Graciosa, defendendo que esta prática “põe comida na mesa de muitos açorianos”. 

“Vivemos tempos conturbados em que o combate de toda uma sociedade de todo um modo de vida tido e mantido contra um inimigo invisível colocou em causa salários, empregos, refeições. A pesca lúdica materializa aqui um papel fulcral no combate à fome e às necessidades mais básicas de todos os açorianos”, refere a associação, num texto enviado à comunicação social.

Segundo a circular divulgada pela Direcção Regional da Saúde, no dia 8 de Maio, na ilha de Graciosa, a partir do dia 17 de Maio, e na ilha de São Miguel, a partir do dia 22, a pesca lúdica, nas modalidades de apeada, submarina e embarcada é de prática livre, sendo que na pesca lúdica embarcada a lotação máxima da embarcação está limitada a dois praticantes.

A ARPLA refere que a pesca lúdica, recreativa, não comercial, “cumpre nos Açores toda uma multitude de funções que vão da mais saudável e sustentável interacção com o oceano ao próprio garante da próxima refeição”.

“O direito constitucional aos recursos naturais e mais especificamente ao acesso a uma riqueza que é nossa, enquanto ilhéus, é algo que deve e deverá nortear a nossa existência exigência diária”, acrescenta ainda a associação.

Recorrendo a uma afirmação de Tiago Lopes da Autoridade de Saúde Regional, que terá dito que “pesca lúdica põe comida na mesa de muitos açorianos”, a organização aponta como “reveladora e primordial a diferença que a prática desta actividade ou a inibição da mesma estará a ter em tantos lares na Ilha da Graciosa ou de S. Miguel”.

“Findamos este apelo com o sentido de responsabilidade que caberá a cada pescador lúdico ter e demonstrar a fim de validar a confiança que agora pedimos que depositem em nós”, frisa a associação.

 

Sugestão de apoios 

 

Outra preocupação da Associação Regional de Pesca Lúdica dos Açores prende-se com os seus “sócios, empresas, famílias”, que são operadores marítimo turísticos: “de apelar à mobilização do Governo Regional dos Açores no sentido de garantir condições de sustentabilidade e sobrevivência às empresas marítimo turísticas da pesca”. 

Neste sentido, a ARPLA dá várias sugestões para apoiar a actividade: “Munidos do sentido de solidariedade e defesa de uma oferta turística que, sem auxílio, poderá não chegar a ver o verão de 2021, apontamos alguns caminhos a serem considerados: Moratórias bancárias que remetam para o próximo ano os pagamentos e encargos que, à data, estão comprometidos; Inibição, em 2020 do pagamento de marinas, parqueamentos, travellifts; Apoios aos combustíveis, nomeadamente à gasolina que nunca beneficiou de qualquer apoio”. 

A associação diz acreditar que é “nas épocas excepcionais e de maior dificuldade onde encontramos e força e devemos demonstrar empatia, entreajuda e espírito comunitário”.