Mais 78 açorianos no Rendimento Social de Inserção em Março

pessoas em Ponta Delgada1A lista de beneficiários açorianos do Rendimento Social de Inserção aumentou no passado mês de Março, segundo dados que o nosso jornal consultou no Instituto de Segurança Social.

São mais 78 beneficiários em relação ao mês anterior que se somam aos mais de 15 mil inscritos.

O mês de Março, como se sabe, foi quando se iniciou o confinamento na região, sendo provável que Abril veja um agravamento com o agudizar da crise.

O número de baixas por doença também aumentou em mais 345 no espaço de um ano, ou seja, de Março do ano passado para Março deste ano, atingindo agora mais de 4 mil baixas por doença.

Todos os especialistas e instituições ligadas ao apoio social são de opinião de que a pobreza vai acelerar com a pandemia.

Ainda ontem o bispo de Leiria-Fátima alertou que já se está a gerar uma pandemia mais dolorosa do que a da Covid-19: “a da extensão da pobreza”, pedindo também solidariedade para combater “o vírus” da indiferença e do individualismo. 

“A pandemia, com a longa interrupção da vida normal, traz terríveis consequências económicas, sociais e laborais. Já está a gerar uma pandemia mais dolorosa, a da extensão da pobreza, da fome e da exclusão social”, afirmou o cardeal António Marto, durante a homilia do segundo e último dia da peregrinação internacional de Maio, que decorre, de forma inédita, sem peregrinos devido à pandemia de Covid-19. 

Durante a intervenção, o cardeal lembrou que as consequências económicas da pandemia já batem “à porta das Caritas diocesanas e de várias paróquias e soa a sinal de grito de alarme”.

Já no mês passado um estudo divulgado pelo Instituto Mundial da Universidade das Nações Unidas alerta que a pandemia da Covid-19 pode deixar mais 520 milhões de pessoas a viver com rendimentos inferiores a cinco euros por dia.

O estudo conclui que a pandemia do novo coronavírus vai aumentar o número de pobres nos países em desenvolvimento, referindo que, num cenário de contração económica de 20% em relação a 2018 - o pior que o instituto antevê –, 520 milhões de pessoas podem passar a viver abaixo do limiar de pobreza dos 5,5 dólares (cerca de 5 euros) por dia.

Este valor representa 8% do total da população humana, refere o estudo publicado pela UNU-WIDER, sublinhando que esta “seria a primeira vez que a pobreza aumentaria globalmente desde 1990”.